VIDE: COSMOGONIA, GENESIS, GÊNESE, POIEIN, BERESHITH, PRINCÍPIO, ÁGUAS PRIMORDIAIS, SEPARAÇÃO, CREATIO EX NIHILO, CRIATURA; PALAVRA — CRIAÇÃO — REVELAÇÃO; HOMEM — CENTRO DA CRIAÇÃO; ALMA — CRIAÇÃO
Gregório de Nissa: CRIAÇÃO E TEMPO
GNOSTICISMO
Antonio Orbe: CRIAÇÃO ÚNICA
Outro ponto deveras importante que necessita reflexão é "criação de que?": universo, cosmo, mundos, homem universal, ser humano, Filho de Deus. No caso do ser humano, trata-se da criação do hílico, do psíquico, do pneumático, do Filho de Deus. Muita reflexão a ser devidamente ordenada para ser justamente pensada, ou seja, pensada com justiça.
JUDAÍSMO
Paul Nothomb: RELATOS DA CRIAÇÃO — CREATIO — TÚNICAS DE CEGO
Ibn Arabi: CRIAÇÃO; DEUS E CRIAÇÃO; MUNDO DA CRIAÇÃO; SABEDORIA DOS PROFETAS
Henry Corbin: RECORRÊNCIA DA CRIAÇÃO
Toshihiko Izutsu: CRIAÇÃO PERPÉTUA
FILOSOFIA
Sérgio Fernandes: SER HUMANO
Em geral, não se tira um coelho de uma cartola vazia, a não ser por criação ex nihilo. Dito assim, o apelo prestidigitador aos espetáculos de mágica disfarça a poderosa linhagem dessa tese venerável: seu pedigree é platônico. Isso, na minha visão das coisas, diz tudo sobre sua altíssima semelhança com a Verdade.
A primeira parte da tese (não se tira um coelho de uma cartola vazia) é a menos difícil de ser compreendida, pois foi sobejamente elaborada e difundida na Filosofia por Kant e os kantianos e, na Ciência de hoje em dia, pela síntese neodarwinista. Já a segunda parte (a não ser por criação a partir do nada) inclui uma ideia que já era escandalosa, na antiguidade clássica, ao ser apresentada aos gregos pelos representantes das tradições judaico-cristãs (nesse ponto não faço distinção entre as tradições que, posteriormente, foram consideradas heréticas ou heterodoxas). Entendo que, a partir do nada, a criação do que quer que seja não pode ter o que quer que seja a ver com a ideia ("decaída") de tempo. [Excluo as ideias mais antigas de temporalidade cíclica, por não passarem de "imagens móveis da eternidade".] A partir do nada, a criação do que quer que seja implica a criação do próprio tempo. Há, de fato, um sentido, sutilíssimo, em que pretendo resgatar a noção de criação a partir não do nada, mas da compreensão dos simulacros da Existência. Mas este sentido tampouco tem a ver com o tempo.
Pois muito mal. E por essas e outras razões que a tese em questão não tem semelhança somente com a verdade, mas também com falsidades. Tem, por exemplo, levado a Mente, o Pensamento e a Linguagem (o Instrumento) a ver nela alguma semelhança com várias espécies de falsidade, dentre elas o chamado "argumento do conhecimento criador" (só se conhece aquilo que se cria, verum factum, etc.). Ora, afirmo que o chamado "argumento do conhecimento criador" é um contra-senso. E tamanho é o contra-senso, na minha visão dessas coisas, que não vejo porque ser delicado no tratamento deste assunto. Desincumbo-me dele logo aqui, de maneira o mais curta e grossa possível. Em primeiro lugar, só há verdadeira criação ex nihil: qualquer outra coisa é contrafação, ou melhor, transformação ou artesanato, não criação. Logo, o "verum factum" só poderia significar algo como "só conheço o que transformo" ou "artefaço", jamais "só conheço o que crio". Em segundo lugar, ainda que se tome "criação" no sentido vulgar, ou seja, no sentido de "transformação", seu uso no suposto "argumento" (do "conhecimento criador") trai variadas confusões, das quais só me darei ao trabalho de indicar as principais. Uma delas é a confusão entre "teoria" e "prática"; outra, mais grave, a confusão entre conhecer e criar.
GURDJIEFF
RELATOS DE BELZEBU: CRIAÇÃO DO MUNDO