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id da página: 9738 Impassibilidade

Impassibilidade

ESTADOS — IMPASSIBILIDADE

VIDE: APATHEIA

Ananda Coomaraswamy: PERSONA

Alepyah, «não aderente», não molhado, como a superfície lisa de uma folha de lótus não é molhada pelas gotas de água que possam cair sobre ela; √ lip, untar, etc., de onde lepam, emplastro, cal, liga, pegamento. O Si mesmo «limpo», senhor dos seus próprios poderes, e de modo algum seu servente, não é contaminado quando atua (kurvan na lipyate, Bhagavad Gita V.7); assim como o sol é inafetado pelos males sob o sol, assim o nosso Homem Interior é inafetado (na lipyate) pelos males mundanos, e permanece à parte (Katha Upanixade V.11); o verdadeiro Brahman não é (como uma mosca no mel) cativo dos seus desejos (na lippati kamesu, Dhammapada 401, cf. Sutta-Nipata 71, 547, 1042, etc.). Mal se necessita dizer que as objeções de Rawson a estas noções (em Katha Upanixade, Oxford, 1934, p. 180) são patripassianistas e monofisitas, e é interessante observar que ao combater uma doutrina indiana se está obrigado a adotar uma heresia cristã!

Na psicologia tradicional e indiana, toda percepção sensorial depende do contato (sparsa, cf. antereisis, Timeu 45C). Aquele que não toca (na sprsati) os objetos sensoriais é o verdadeiro asceta (Maitri Upanishad VI.10). «Toda experiência nasce do contacto (ye hi samsparsaja bhogah)... Aquele cujo Si mesmo é desapegado (asakta, √ saj, apegar-se a, cf. «pegajoso» = sentimental) saboreia uma felicidade incorruptível» (Bhagavad Gita V.21, 22). De fato, os poderes de percepção e de ação a um só tempo «agarram» e são agarrados pelos seus objetos como «super-agarradores» (atigraha, Brhadaranyaka Upanishad III.2); e isto é dramatizado nas histórias, amplamente estendidas, do motivo do «ficar preso», das quais pode ser chamado um arquétipo Samyutta Nikaya V.148-149, onde o «macaco» (a mente, a consciência, cf. II.94) fica preso (bajjhati) no «pegamento» (lepam) onde «mergulha»; em uma notável versão espanhola, o cativo iscou a sua própria armadilha (ver W. Norman Brown, «The Stikfast Motif in the Tar-Baby Story» em Twenty-fifth Anniversary Studies; Philadelphia Anthropological Society, 1937, p. 4 e A. M. Espinosa no Journal of American Folklore, LVI, 1943, 36).

A mesma impassibilidade está implícita na palavra preksaka (theoretikos), «testemunhador», como se se tratasse de uma representação, e na correspondente upeksa, uppekkha, «imparcialidade», análoga à do Sol, que «brilha igualmente sobre o justo e o injusto». O Espectador não é afetado nem está implicado nos destinos dos seus veículos psicofísicos; só a natureza passível está implicada enquanto não «conhece o seu Si mesmo», enquanto não sabe quem é; cf. Enéadas IV.7.9 seg.


Evola Doutrina do Despertar

  • Ao falar do ponto de partida, portanto, pode-se falar de um estado de "neutralidade interior": "Não deixes que a tua mente imperturbável seja perturbada pela dor, e não rejeites um prazer justo, persiste nele sem apego".
    • "O desejo faz mal e a aversão faz mal; e há um caminho do meio pelo qual evitar o desejo e pelo qual evitar a aversão: um caminho que dá vista e visão, que conduz à calma, que leva à visão clara".
    • Encontramos frequentemente o termo satisampajanna, que se refere ao estado daquele que mantém a perfeita consciência pela força da sua visão clara.
    • Lembremo-nos do que foi dito sobre o tema recorrente: "ver em conformidade com a realidade, com a perfeita sabedoria".