CRISTOLOGIA
LE PRÉTENDU « CULTE DE L'ÂNE » DANS L'ÉGLISE PRIMITIVE (ótima indicação de Antonio Carneiro)
Jean Robin: SETH O DEUS MALDITO — JUMENTA E JUMENTINHO (original)
Trad. Antonio Carneiro
Em um domínio mais folclórico, a Bíblia nos apresenta o asno como a montaria dos príncipes: « Abençoais ó Senhor, vós que montais jumentas brancas e luzentes », cantava Débora aos poderosos de Israel (Livro dos Juízes, V, 10). Jair de Galaad, juiz de Israel, teve 40 filhos e 30 netos que montavam 70 belos burricos (ibid, XII, 13-14). Foi indo à procura de jumentas da jumentada de Cis, seu pai, que Saul teve conhecimento de Samuel que reinaria sobre Israel (Livro de Samuel, IX et X). Zacarias anuncia o Messias, Dominador do Mundo e guiando os exércitos do Céu, nesses termos entusiastas: « Pule de contente, exulte de alegria, ó filha de Sião, pois eis que teu rei vem à ti. (...) Chega montado sobre um jumentinho, sobre o filhote de uma jumenta. » (Profecia IX, 9.) Todavia, a uma época tardia, o sentido da tradição desaparece aos poucos para grande número de pessoas e a simbólica setiana (como vimos à propósito do galo) parece resgatar essencialmente o esoterismo, mesmo no seio do judaísmo. Uma lenda gnóstica merece fé. Segundo Epifânio (Heresias, XXVI, 12) que tinha achado esse relato em um manuscrito gnóstico intitulado “Gentia Marias”, enquanto, segundo o rito da tarde, Zacarias, pai de João o Batista, turibulava só no santuário, teve a visão de repente de um homem com cabeça de asno. Saindo do templo para proclamar diante da multidão a verdadeira identidade do deus adorado no Templo, foi privado da fala. Tendo, em seguida, recuperado o uso (da fala), revelou imprudentemente o que sabia e mandaram matá-lo pelo povo como blasfemador...
Portanto, repetimos ainda, para os judeus, o jumento é em todos aspectos signo de vitória. [1] O Scilo ou Messias corresponde ao Tartaq (no texto Tharthak) sírio ("príncipe das trevas", divindade do povo de Avá, de Samaria, segundo a tradição, representado como jumento), o Asno real, com manto de púrpura. É porque São Mateus (XXVII, 28) faz Jesus vestir isso. Se se reporta à antiga profecia de Jacó sobre Judá, o jumento é o acessório da vitória (Gn XLIX, 10-12): « O cetro não se afastará de Judá nem o bastão de comando d’entre as coxas (Gn 49:10) (alusão desprovida de equívoco à possessão do talismã de Seth, o falo de Osíris) até que venha o Scilo e que os povos lhe obedeçam.
« Então prendeu seu jumento à Vinha e o jumentinho à melhor cepa. (Gn 49:11) » E ainda: « Lavará no vinho sua roupa e seu manto no sangue das uvas. (Gn 49:11) » [2] O sentido cosmológico desta profecia está claro se se sabe que Judá, como José, é personificado pela constelação ou signo de Leão [3], que precede justamente a Virgem no zodíaco. Além disso, na constelação de Virgem, a estrela Épsilon não é outra senão a Vindimadora... Quanto a estrela Alfa desta mesma constelação, é também o Gritador; o que não é sem evocar ((JB|João (Iohanes) o Batista)), o Precursor dos cabelos ruivos [4], a « voz que grita no deserto ».
Os romanos não ignoravam nada da veneração dos judeus pelo asno. Assim Martial (Marcus Valerius Martialis) (Epig. XI, 94) faz prestar juramento nesses termos à um poeta judeu: « Juro pelo asno, circunciso! » (“Jura, verpe, per ancarium”). Outros autores, tais com Flávio Josefo (Cont. Apionem, II, 7), Tácito (Hist. V. 3), Plutarco (Sympos. IV, 2, 10), Minutius Félix (Octa-vitts, IX) são perfeitamente a propósito desta representação divina. E mais interessante ainda, Tertuliano (Apologet. XVI) qualifica o Deus dos cristãos de “Onokoïtès” (dormindo com asno). É a vários títulos com efeito que, entre os cristãos, o jumento também representa um grande papel. Para compreender o aspecto cosmogônico ou mais precisamente o « astrológico », é conveniente tomar as coisas com certa distância.