Filosofia Antiga: TERAPIA DO CORPO E DA ALMA EM PLATÃO
GNOSTICISMO
Antonio Orbe: CRISTOLOGIA GNÓSTICA
O Evangelium Veritatis aponta a analogia da obra salvífica com a do médico: «O médico se apressa para onde há um enfermo, porque aí está sua vontade. O que tem deficiência, não se esconde, certo (ante o médico), pois o médico tem o que a ele lhe falta. A plenitude que não é deficiente, preenche, assim mesmo, a deficiência. A plenitude que de si mesmo deu o Pai para completar o que falta, a fim de que ele (interessado) receba a Gratia». Mas foi preciso esperar a recente publicação do Tractatus tripartitus para descobrir valentinianos amigos de valorizar, desde o ponto de vista salvífico, o remédio das enfermidades.
O tratado outorga novo relevo à paixão, já descrita por Ptolomeu, da Sabedoria. Sua audácia ao pretender unir-se a Deus adiantando-se à «Gratia», se traduz por uma enfermidade mental ou infecção contagiosa (aposcemma), sobre a qual volta com frequência. O que em sofia (eão), como paradigma da desordem, aparece logo entre seus filhos como enfermidade endêmica, adquirida pelos espirituais em contato com a matéria.
Para corrigi-la vem o Salvador. Sua eficácia salvífica agrega, ao simples remédio da paixão, a pistis ou gnosis, que introduzem ao homem na vida mesma (ou salvação) de Deus. Os indivíduos chamados à salvação não somente curarão da diáspora, senão que entrarão na unidade não deficiente.