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Mistérios

MISTÉRIO — MISTÉRIOS


VIDE: MISTÉRIOS DE MITRA; MISTÉRIOS DIONISÍACOS; MISTÉRIOS DE ELÊUSIS; MISTÉRIOS DE CIBELE; MISTÉRIOS DE ÍSIS E OSÍRIS

NOTA DE ANTONIO CARNEIRO

“myste”: Antig. Relig. Em uma religião de mistérios: Aquele que, particularmente à Elêusis, recebeu o primeiro grau da iniciação (vide: épopte, éphore). Antes de ser admitido ao interior do templo para sofrer as grandes provas da iniciação, quer dizer, a morte simbólica, o “myste” responde a questões, e pronuncia uma fórmula que permite sua admissão, pois prova que foi iniciado nos pequenos Mistérios (vide: Magnien, Les Mystères d'Éleusis, Paris, Payot, 1929, p.138). O “myste” jurava não revelar, a quem quer que fosse, o que tinha visto e escutado, e a manter sua palavra de honra (Lavedan1964). Durante os ritos dos mistérios que significavam a morte do iniciado e seu renascimento para uma vida superior, exclamava-se, dirigindo-se ao discípulo: « Ao mar, oh myste! » e o “myste” ia molhar-se na onda ao mesmo tempo dissolvente e purificadora (M. Senard, Le Zodiaque, Paris, Villain et Belhomme, 1975, p.121). Em latim: mysta (pl.: mystes) « quem é iniciado nos mistérios », gr. μ Ï… ́ σ Ï„ η Ï‚ « iniciado nos cultos dos mistérios (sobretudo aquele de Demeter à Elêusis) » propriamente « que mantém fechados (sua boca e seus olhos) », de μ Ï… ́ ω « (se) fechar ».


René Guénon: O HOMEM VERDADEIRO E O HOMEM TRANSCENDENTE

Como ya lo hemos explicado en otra parte 1 , la iniciación, en su primera fase, la que concierne propiamente a las posibilidades del estado humano y que constituye lo que se llama los «misterios menores», tiene precisamente como meta la restauración del «estado primordial»; en otros términos, por esta iniciación, si se realiza efectivamente, el hombre es conducido, de la condición «descentrada» que es al presente la suya, a la situación central que debe pertenecerle normalmente, y es restablecido en todas las prerrogativas inherentes a esa situación central. Así pues, el «hombre verdadero» es el que ha llegado efectivamente al término de los «misterios menores», es decir, a la perfección misma del estado humano; por eso, en adelante está establecido definitivamente en el «Invariable Medio» (Tchoung-young), y escapa desde entonces a las vicisitudes de la «rueda cósmica», puesto que el centro no participa en el movimiento de la rueda, sino que es el punto fijo e inmutable alrededor del cual se efectúa este movimiento 2 . Así, sin haber alcanzado todavía el grado supremo que es la meta final de la iniciación y el término de los «misterios mayores», el «hombre verdadero», al haber pasado de la circunferencia al centro, de lo «exterior» a lo «interior», desempeña realmente, en relación a este mundo que es el suyo 3 , la función del «motor inmóvil», cuya «acción de presencia» imita, en su dominio, la actividad «no actuante» del Cielo 4 .


Simbolismo

Mircea Eliade: MISTÉRIOS

Fernando Pessoa: SUBSOLO
Afinal, o conteúdo dos mistérios resume-se em ensinamentos sobre três ordens de coisas, que sempre se julgou não deverem ser reveladas ao geral dos homens. Sempre se julgou que aqueles ensinamentos, que as religiões ministram, deveriam ser adaptados à mente dos que os recebem, e, como muitos deles — tal é a opinião dos iniciados — são de ordem que o povo em geral os não compreenderia e que portanto, compreendendo-os pervertidamente, se perturbaria com eles, segue que se pensou que esses ensinamentos se deveriam dividir em duas ordens: exotéricos ou profanos os que são expostos de modo que a todos possam ser ministrados; esotéricos ou ocultos os que, sendo mais verdadeiros, ou inteiramente verdadeiros, não convém que se ministrem senão a indivíduos previamente preparados, gradualmente preparados, para os receber. A esta preparação se chamava, e chama, iniciação. E esta iniciação é ela mesma gradual em todos os mistérios, e de tal modo disposta que o indivíduo inapto para receber esses ensinamentos ocultos se revela tal antes que eles lhe sejam inteiramente dados.

Se esses ensinamentos ocultos são verdadeiros, ou apenas especulações abstrusas, é outro problema. Se os hierofantes do oculto têm, na verdade, maior conhecimento da verdade pura do que nós profanos, que a buscamos, se a buscamos, com a leitura; ou a meditação, ou a inteligência discursiva e dialética — não o podemos nós saber. Tudo isso pode ser sinceramente crido pelos iniciados, e ser falso. O oculto pode ter alucinações próprias, enganos seus.

Seja como for, o certo é que os ensinamentos ministrados nos mistérios abrangem três ordens de coisas: (1) a verdadeira natureza da alma humana, da vida e da morte, (2) a verdadeira maneira de entrar em contato com as forças secretas da natureza e manipulá-las, e (3) a verdadeira natureza de Deus ou dos Deuses e da criação do mundo. São respectivamente, o segredo alquímico, o segredo mágico, e o segredo místico. Ao primeiro chama-se alquímico porque os ensinamentos relativos a ele são em geral ministrados através de símbolos da chamada alquimia, que não é mais, como hoje claramente se sabe, do que uma linguagem simbólica. (Esp. 54-97)


NOTAS:
3 Se podría decir que no pertenece ya a este mundo, sino que es al contrario este mundo el que le pertenece a él.
4 Es al menos curioso ver, en Occidente y en el siglo XVIII, a Martines de Pasqually reivindicar para sí mismo la cualidad de «hombre verdadero»; que sea con razón o sin ella, uno puede preguntarse en todo caso cómo había tenido conocimiento de este término específicamente taoísta, que, por lo demás, parece ser el único que lo haya empleado.