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Perícope

ESCRITURA — PERÍCOPE

Filosofia

Stanislas Breton: Libres commentaires

O termo «perícope», originário do grego, indica o ato de talhar ao redor, de traçar um círculo, mais ou menos encantado, onde o coração habita como um tesouro, e do qual se poderia dizer: «nele vivemos, nele nos movemos, nele somos». Deus sive locus, dizia Mestre Eckhart. Um lugar escriturário teria portanto, neste sentido, algo de divino.

Mais precisamente, importa detalhar o conjunto de operações que tornam possível um tal lugar.

Com efeito, um texto, somente pelo fato de sua posição em um universo de escritura, não é automaticamente um lugar. Pode se tornar, por vezes ao final de uma simples leitura que fascina o súbito de uma fulguração; mais frequentemente talvez, depois de uma longa frequentação que recompensa, sem tê-lo muito solicitado, uma doce luz que não te deixa mais. De toda maneira, o que importa, é que o contato se estabeleça, que uma atração te retenha, e que se constitua assim um espaço de livre mobilidade do qual repetireis certamente o que São Paulo dizia de Deus: «nele vivemos, nos movemos, somos». Tal é o «ser-em» que faz de um texto o lugar onde se mora.