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id da página: 9190 Septenário

Septenário

SETE — SEPTENÁRIO


VIDE: Sete Cores

Julius Evola: TRADIÇÃO HERMÉTICA

Pode-se dizer o mesmo no que respeita a outra doutrina, comum ao hermetismo e a tradições antiquíssimas: a dos Sete, ensinada por ela principalmente no simbolismo dos sete Planetas.

Metafisicamente, o Sete exprime o Três que se junta ao Quatro — quer dizer, segundo o sentido já conhecido destes símbolos numéricos, a manifestação dos princípios criadores (tríade) em relação com o mundo constituído por quatro Elementos (3 + 4). É, afinal, a plena expressão da natura naturante em ato. Estes sete princípios são simultaneamente internos e externos, existem no homem e no mundo, no aspeto visível e no invisível de ambos. Às vezes, na doutrina sofrem uma duplicação que exprime ora a que existe entre o aspeto Solser») e o aspeto Luaenergia») de toda e qualquer potência individual (daí nascem os símbolos herméticos de duas árvores com sete ramos ou sete frutos cada uma, arbor solis et arbor lunae); ora exprime a duplicação do septenário tal como é em si mesmo e do septenário tal como se torna quando da «queda» e com domínio do elemento Terra.

Quanto às referências, podemos começar com a feita no Corpus Hermeticum: «O ente intelectual, deus macho e fêmea (o andrógino primordial constituído por ☉ e ☾), que é a Vida e a Luz, gera, com o Logos, outra inteligência criadora, deus do Fogo e do Fluido, que por seu turno forma sete ministros, encerrando nos seus círculos o mundo sensível. O seu domínio chama-se Fado — «heimarmene» —.

Ao mesmo tempo que a última frase nos remete para a tradição referida por Platão, acerca da Roda do Fado, composta por sete esferas que giram, regidas pelas «filhas da necessidade», a diferença que a precede conduz essa necessidade à obra de um deus secundário, para além de cuja região existe, porém, uma outra, superior, a do ente intelectual andrógino. E em função desta região mais alta podem ser assumidos os mesmos sete princípios.

Por outro lado, no ambiente gnóstico e misterioso em que os textos alquímicos tomaram forma, era costume ensinar-se a existência de dois septenários: um inferior, chamado «serpente séptula, filha de Ialdabaoth» (um nome para o «deus secundário» atrás referido); outro superior e celeste que, no conjunto, se pode fazer corresponder à oitava esfera (a «para além dos Sete») ou octoade, situada também por Platão acima das da «necessidade»; oitava esfera chamada, por Valentino o gnóstico, Jerusalém Celeste, e concebida, num papiro gnóstico-hermético, como o Santo Nome. Sendo aqui o Sete as vogais gregas tomadas como símbolo dos «Sete Céus», e sendo o Oitavo a «mônada», ou «unidade de outra espécie», que começa num nível superior, e podendo nós ainda, a este propósito, estabelecer relação com o esquematismo das estrelas de oito pontas que figuram na Crisopeia de Cleópatra. E, ao invés, pode considerar-se por cima de tudo o septenário superior, e descobrir na última das sete formas o substrato do septenario inferior, que dele nasce através da Terra simbólica. Assim, Boehme, no sétimo princípio, vê a «natureza», expansão (exteriorização) dos outros seis, sendo o sétimo o «corpo», e os outros seriam a sua «vida» (em sentido transcendente): «O sétimo espírito é a fonte-espírito da natureza. Gerado, torna-se mãe dos outros sete: contém em si os outros seis, e gera-os por sua vez (ou seja, manifesta-os na sua própria forma, tornando-os manifestações naturais, por exemplo, os sete planetas visíveis, símbolos sensíveis dos invisíveis), visto que no sétimo existe a essência natural e corporal... Nele uma das sete formas da natureza domina as outras, e cada uma colabora segundo a sua própria força essencial, naturalizando-se no corpo segundo a ordem», «corpo» que, naturalmente, temos que compreender no sentido mais lato, e que por isso inclui o humano tangível como um caso particular seu.

Estas mesmas doutrinas que se apresentam em formas de mitos e de descrições de entidades cósmicas, estão relacionadas ao mesmo tempo com significados e possibilidades de experiência interior. Isto, sobretudo, no que respeita à diferenciação entre um septenário e outro. A este propósito, pode-se voltar de novo ao texto hermético já citado anteriormente, onde se diz também que o homem, desperto para uma vontade de criar, quer ultrapassar o limite dos círculos da necessidade, e superar a potência que reside no Fogo. Trata-se, como é evidente, de uma variante do mito prometaico que, como ele, termina num desenlace de «queda»: o homem «superior à harmonia (quer dizer, à ordem universal, unidade das diversas leis e condições naturais), converte-se em escravo dessa harmonia. Ainda que hermafrodita como o Pai e superior ao sono, é dominado pelo sono» (v. Sono).