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id da página: 8971 Shekinah e Anjos

Shekinah e Anjos

Excertos traduzidos por Antonio Carneiro de ensaio de Geneviève Javary

Mais interessante é o problema da equivalência entre a Sekina e os anjos. A noção de anjo é, com efeito, particularmente ambígua na Bíblia: se Miguel, ou Gabriel, parecem ter uma identidade, não é fácil de distinguir de Deus aquele que se chama o anjo da Face, ou o anjo de YHWH, ou mesmo na Cabala Metatron que se chama « pequeno Adonai ». Alguns vão mais longe ainda e falam do Anjo de Deus, traduzindo literalmente o hebreu, « onde a palavra Deus (Eloim) é colocada em justaposição e não com um estado construído ». Todos os cabalistas notaram igualmente o versículo 23,21 do Êxodo, onde está dito falando do Anjo: Meu nome está nele. C. Streso comenta:

O nome de Deus significa tudo o que é Deus e tudo o que se quer que se conheça de Ele: e esse anjo é precisamente o que apareceu na nuvem grande, que nela se fez sair Israel do Egito, que é chamado Jeová, Deus de Israel (Êxodo 14,19), que apareceu a Moisés na Sarça...


E após ter evocado as diferentes manifestações desse anjo, C. Streso concluiu:

... já que disse: Meu nome está em Ele. Ora isso não pode se entender de um anjo criado. (...) Então, indicou que nesse Anjo devia-se reconhecer a essência divina. (...) É porque, no que concerne esse anjo, é preciso pensar que nele habita a plenitude da Divindade (Ibid.).


Se bem que nesse neste texto C. Streso não nomeie a Sekina, mas fale de Divindade ou de Anjo de YHWH, não se pode deixar de notar todas as referências para a Sarça Ardente, para a coluna de nuvem grande e de fogo, no Sinai. Então, é interessante de ver sublinhar as equivalências: Deus é seu nome, Anjo e Sekina.

Curiosamente, o mesmo versículo: Por que meu Nome está nele (Êxodo 23,21), foi utilizado por Reuchlin na Cabala, mas, desta vez com referência a Metatron, esse anjo que lembra a Sekina sob muitas relações. Reuchlin notou a equivalência numérica de Metatron e de Shadai: « Em Metatron, a palavra Shadai está incluída por equivalência numérica, o que maravilhosamente desenvolveu Moisés de Girona (conhecido por Nahmânides)... na passagem citada mais acima. »

Dentre os Sefirot, três retiveram nossa atenção: Bina, Tipheret, Malkut: Bina e Malkut são, como se sabe, chamados também Sekina superior e Sekina inferior, enquanto que Tipheret é o marido de Malkut. Tipheret e Malkut são um e outro, filhos de Bina, a Grande Mãe. Esse simbolismo dos Sefirot inspirou à E. de Viterbo amplos desenvolvimentos: « Bina, a oitava Sefira (se se começa por baixo) e sua extensão, foram atribuídos ao único Messias. » Bina, com efeito, é o terceiro Templo (= terceira Sefira começando pelo alto) e « os templos erigidos pelos mortais são necessariamente destinados a se desmoronar, mas, o terceiro descende do céu, e, como o céu, jamais será destruído » (Scech. fol. 320 v). O Messias é essencialmente um libertador e esse papel de libertador é mantido na mística judaica pela Sekina:

...Suscitei Abraão, disse a Sekina, este engendrou meu inimigo Ismael. Fiz germinar Isaac, de quem saíram Esaú e Jacó. Deste último é procedente a raça “carne de pescoço”1 . Apesar disso, fi-lo sair do Egito, abati o Faraó, afoguei seu exército... (Ibid., fol. 338).


Porém, na obra de E. de Viterbo o simbolismo é com frequência apoiado; assim a Sekina inferior, Malkut, é filha de Bina, mas também servente:

Estarei a serviço da esposa, em seu quarto, também quando Elohim se aproximará dela quando sorrindo Adonai a enlaçará: em um e noutro caso meu louvor se elevará (Scech., fol. 317).


Além da dupla Elohim (ou Adonai) / Bina, temos a dupla Tipheret / Malkut. Esses dois esposos são irmão e irmã, já que pertencem todos dois aos sete Sefirot inferiores; e sua mãe é Bina:

Esta (Bina) gerou o monumento, isto é, tomou de empreitada criar o mundo dos homens, no qual se encontra meu esposo e eu, sua esposa; como expuseram os profetas e como Salomão no Cântico a proclamou quase a cada versículo... (Ibid., fol. 332 v).


E Malkut exclamou:

Quando serás, Irmão, aquele por quem serei e uma irmã e uma esposa? (...) Que poderia fazer que eu te contemplasse não sofrendo de fome entre os sete, mas sugando o seio da Grande Mãe e levando esta grande abundância não somente ao povo “carne de pescoço”, mas, a todos os mortais?... (Ibid., fol. 338 v).


Filha, irmã, esposa, mas também mãe:

Porém, Bina representa o mundo incorporal, eu, o mundo corporal; ela, o mundo imortal, eu, o mundo mortal; ela, o mundo antigo, eu, o novo mundo. É porque ela é a mãe de todos, eu, como disse o Apóstolo, eu sou a vossa (Gal. 4d) (Ibid., fol. 338).


Aí está, portanto, o esforço o mais singular dos cabalistas cristãos de ter utilizado essas equivalências cabalísticas para fins apologéticos. Quiseram provar que os cabalistas judeus nomeavam o Pai, o Filho e o Espírito Santo da Trindade Cristã e que reconheciam a divindade de Jesus Cristo.