Excertos traduzidos por Antonio Carneiro de ensaio de Geneviève Javary
Mais interessante é o problema da equivalência entre a Sekina e os anjos. A noção de anjo é, com efeito, particularmente ambígua na Bíblia: se Miguel, ou Gabriel, parecem ter uma identidade, não é fácil de distinguir de Deus aquele que se chama o anjo da Face, ou o anjo de YHWH, ou mesmo na Cabala Metatron que se chama « pequeno Adonai ». Alguns vão mais longe ainda e falam do Anjo de Deus, traduzindo literalmente o hebreu, « onde a palavra Deus (Eloim) é colocada em justaposição e não com um estado construído ». Todos os cabalistas notaram igualmente o versículo 23,21 do Êxodo, onde está dito falando do Anjo: Meu nome está nele. C. Streso comenta:
E após ter evocado as diferentes manifestações desse anjo, C. Streso concluiu:
Se bem que nesse neste texto C. Streso não nomeie a Sekina, mas fale de Divindade ou de Anjo de YHWH, não se pode deixar de notar todas as referências para a Sarça Ardente, para a coluna de nuvem grande e de fogo, no Sinai. Então, é interessante de ver sublinhar as equivalências: Deus é seu nome, Anjo e Sekina.
Curiosamente, o mesmo versículo: Por que meu Nome está nele (Êxodo 23,21), foi utilizado por Reuchlin na Cabala, mas, desta vez com referência a Metatron, esse anjo que lembra a Sekina sob muitas relações. Reuchlin notou a equivalência numérica de Metatron e de Shadai: « Em Metatron, a palavra Shadai está incluída por equivalência numérica, o que maravilhosamente desenvolveu Moisés de Girona (conhecido por Nahmânides)... na passagem citada mais acima. »
Dentre os Sefirot, três retiveram nossa atenção: Bina, Tipheret, Malkut: Bina e Malkut são, como se sabe, chamados também Sekina superior e Sekina inferior, enquanto que Tipheret é o marido de Malkut. Tipheret e Malkut são um e outro, filhos de Bina, a Grande Mãe. Esse simbolismo dos Sefirot inspirou à E. de Viterbo amplos desenvolvimentos: « Bina, a oitava Sefira (se se começa por baixo) e sua extensão, foram atribuídos ao único Messias. » Bina, com efeito, é o terceiro Templo (= terceira Sefira começando pelo alto) e « os templos erigidos pelos mortais são necessariamente destinados a se desmoronar, mas, o terceiro descende do céu, e, como o céu, jamais será destruído » (Scech. fol. 320 v). O Messias é essencialmente um libertador e esse papel de libertador é mantido na mística judaica pela Sekina:
Porém, na obra de E. de Viterbo o simbolismo é com frequência apoiado; assim a Sekina inferior, Malkut, é filha de Bina, mas também servente:
Além da dupla Elohim (ou Adonai) / Bina, temos a dupla Tipheret / Malkut. Esses dois esposos são irmão e irmã, já que pertencem todos dois aos sete Sefirot inferiores; e sua mãe é Bina:
E Malkut exclamou:
Filha, irmã, esposa, mas também mãe:
Aí está, portanto, o esforço o mais singular dos cabalistas cristãos de ter utilizado essas equivalências cabalísticas para fins apologéticos. Quiseram provar que os cabalistas judeus nomeavam o Pai, o Filho e o Espírito Santo da Trindade Cristã e que reconheciam a divindade de Jesus Cristo.