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id da página: 6502 Tempo — Passado Presente Futuro — Temporalidade – Duração

Temporalidade

TempoPassado Presente Futuro — Temporalidade


VIDE: Passado, Presente, Futuro; Temporalização


Reiner Schurmann: MESTRE ECKHART OU A ALEGRIA ERRANTE. Tradução anotada de Antonio Carneiro.

Esse mesmo parágrafo (segundo parágrafo do SERMÃO II) estabeleceu um elo entre o que Eckhart chama o apego, e a temporalidade. O homem apegado às coisas está disposto entre um antes e um depois, habita a duração, enquanto que o desapego é uma questão de «este atual agora» (que dizem "gegenwertigen nû"). O homem desapegado habita o instante. Depois é uma questão de «o que faço ou não faço», isto é das obras. As obras são colocadas em paralelo com as representações intelectuais: para umas e para outras pode-se considerar como a uma propriedade. Ter uma cultura, empreender obras: uma e outra fazem obstáculo tanto quanto esta cultura e essas obras são adquiridas ou executadas na duração, isto é projetadas, realizadas, possuídas. O «antes» de uma obra é seu projeto (mais adiante se encontrará a expressão «obras premeditadas»), o «depois», sua recompensa. Projeto e recompensa são marcas de propriedade e não podem ser conformes à «vontade muito amada de Deus». A duração é o modo de temporalidade correspondente ao apego.

A temporalidade do desapego, o instante, aniquila o projeto tanto quanto a recompensa. Não é senão ele próprio. Qualquer que seja minha ciência e quaisquer que sejam minhas obras, se nesse instante atual onde me entrego eu disponho como se não dispusesse disso, se sou livre e acessível à seu olhar como se estivesse na origem, então sou verdadeiramente desapegado. É em «esse agora» sempre novo que sobrevém e se verifica o desprendimento.


Wei Wu Wei

O termo “duração”, em português, e em francês la durée, implica habitual e convencionalmente “permanência”, aquilo que perdura no tempo, e é inútil e confuso empregar palavras em outro sentido que não aquele em que são geralmente compreendidas. Portanto, este termo é assim utilizado nestas Notas.

Na realidade, contudo, a “permanência” é um efeito da percepção sensorial e não possui factualidade. A duração, nesse sentido, é uma ilusão ocasionada pela sucessão, de modo que se pode dizer que a sucessão é o mecanismo da suposta duração.

Mas somos constitucionalmente incapazes de conceber os eventos de outro modo que não em um contexto de duração, pois a atemporalidade, a eternidade, é inconcebível de outro modo ou em si mesma. Assim, o termo “duração” deveria implicar a eternidade atemporal, em oposição ao tempo que passa. Ou seja, deveria representar a mensuração que só pode ser concebida como estando em ângulo reto em relação à serialidade — o “vertical” que corta a sequência temporal “horizontal” a cada instante, e que “perdura” eternamente nessa dimensão. Tal permanência não pode ser concebida por nós de outro modo que não como “duração” em nossa ilusão temporal, embora tal conceito contradiga frontalmente aquilo que essencialmente deveria denotar. Nesse sentido, portanto, “duração” descreve a eternidade intemporal, um negativo para o qual não possuímos outro positivo senão a locução latina Aeternitas.

Expresso de outro modo, aquilo que se implica pela palavra prajna é eterno, está na duração intemporal e manifesta-se como funcionamento na temporalidade da mente dividida.
Por que somos incapazes de conceber o intemporal? Dever-se-ia oferecer resposta a esta questão vital — a “razão de ser e de findar” de todo o assunto? Não é evidente? Seria a resposta demasiado evidente para ser percebida? Enquanto proposição conceitual, pode ser tanto vista quanto expressa — e na mais breve palavra de nossa língua.


Gurdjieff: O Entendimento Relativo do Tempo

A principal particularidade do processo do fluxo de Tempo na presença de surgimentos cósmicos de várias escalas consiste nisto, que todos o percebem da mesma maneira e na mesma sequência.

[...]
O processo do fluxo de Tempo tem sua sequência harmoniosa, e esta sequência decorre da totalidade de todos os fenômenos cercando-os.

A duração do processo do fluxo de Tempo é geralmente percebida e sentida da mesma maneira por todos os pré-citados Indivíduos cósmicos e pelas já completamente formadas e assim chamadas unidades "instintivizadas" mas só com essa diferença que decorre da diferença nas presenças e estados, no dado momento, destes surgimentos cósmicos.

Embora para indivíduos separados existindo em qualquer unidade cósmica independente, a definição do fluxo de Tempo não seja objetiva num sentido geral, no entanto, para eles mesmos adquire um sentido de objetividade posto que o fluxo de Tempo é percebido de acordo com a completeza de suas próprias presenças.