O livro do Êxodo contando as démarches de Moisés e Arão junto ao faraó, para obter a liberação do povo hebreu, assim relata: Ex 7, 8-14.
A espiritualidade da Idade Média se apossou deste texto para enriquecer a simbólica do Salvador. Esta serpente, saída de um bordão de mandamento, de uma espécie de cetro, e este bordão ele mesmo que a produziu por via de metamorfose, evocaram a autoridade do Verbo divino, a superioridade do poder do Cristo sobre aquele do mal e de seus agentes.
São Bernardo de Clairvaux na Vinha Mística expõe o tema simbólico do bordão serpentino, como recebido à sua época, acentuando o papel de Moisés ao invés de Arão, como detentor do poder divino de metamorfose do bordão em serpente. Falando do Cristo Jesus que se deve ver sob a imagem da Serpente de bronze, Bernardo adiciona:
Como o cetro de Moisés, transformado em serpente, devora as serpentes dos magos do Egito, assim o Deus feito homem venceu as criminosas sugestões de nossos inimigos, quando, sobretudo, levantado em sua cruz, mostrou aos homens as flores de seu sangue; quando espalhou até as extremidades do mundo o perfume das flores de suas virtudes e ofereceu sua cura a todos os corações, qualquer que fosse o vício do qual estivessem feridos.