Excerto do livro Why Lazarus laughed, de Wei Wu Wei.
Reavaliação de Valores 1: Três falsos valores
1. karma (‘Ação’) certamente deve ser ativo, não passivo. Não é nosso, ou melhor, somos dele. Somos rolhas em uma corrente de maré turbulenta de karma; karma é o campo-de-força ao qual estamos sujeitos no plano dos fenômenos.
2. O ‘Eu’, ‘Mim mesmo’, ‘Si mesmo’, qualquer termo que encontremos ou usemos para descrever nossa realidade, é enganador. Todos estes termos sugerem um ser, ainda assim o Buda afirmou inúmeras vezes na Sutra do Diamante que não há tal ser.
Nossa realidade é um estado, l’etat sans ego, um estado não uma pessoa, o estado sem-eu. Está sempre presente, e apenas ele está presente.
3. O ‘mim-mesmo’, ‘ego’, ‘si-mesmo’, ‘personalidade’, pronome pessoal ‘eu’ como o usamos a todo momento em pensamento e palavras, é apenas um engano, um erro de juízo, como uma sombra confundida por sua substância em uma noite de luar. Embora não possa haver nenhuma sombra se não há nenhuma substância, no entanto a sombra permanece irreal (insubstancial) — e quando a lua se oculta em uma nuvem a sombra não mais existe.
Toda vez que dizemos ‘eu’ estamos cometendo um engano, confundindo algo que não há com algo que é. Todas estas vezes o estado de sem-eu foi mal interpretado como algo pessoal.
Se devêssemos perceber a sombra como tal, e portanto reconhecer sua substância, o estado de sem-eu pelo que ele é, toda a ‘caverna das ilusões’ desmoronaria e desapareceria para sempre. A realidade ficaria desvendada diante de nós — e nós a seríamos.
No entanto a expressão do estado sem-eu toma a forma 'Eu Sou' no plano do dualismo, mas nenhuma qualificação é possível: é o 'eu sou esse eu sou' da Bíblia que pode ser descrito como uma expressão pessoal do Impessoal. Ou melhor é apenas ‘sou’, i.e. Consciência.