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hipocrisia

Ação — HIPOCRISIA



Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA

Vimos que a hipocrisia não consiste, bem entendido, em adotar um comportamento superior com a intenção de concretizá-lo e de afirmá-lo, mas em adotá-lo na intenção de parecer mais do que somos. Portanto, ela não está num comportamento que nos sublima, mas na intenção de parecer superar os outros. E isso, mesmo sem testemunha e como satisfação íntima; a virulência do erro sincerista nos leva a ressaltar mais uma vez essa distinção em si evidente. Se o único fato de adotar um comportamento modelo fosse a hipocrisia, não seria possível esforçar-se para o bem e o homem não seria o homem.

A sinceridade é a ausência de mentira no comportamento interior e exterior. Mentir é induzir-se involuntariamente em erro; pode-se mentir ao próximo, a si mesmo, a Deus. O homem piedoso, que envolve sua fraqueza com um véu de retidão, não quer mentir nem mente ipso facto; não quer manifestar o que ele é de fato, mas não pode deixar de manifestar o que quer ser. E, assim, encontra, pela força das coisas, a perfeita veracidade: pois o que queremos ser é, de certa maneira, o que somos.

Véu de hipocrisia, véu de retidão: no primeiro caso, o véu é opaco e dissimulador; no segundo, transparente e comunicador. No primeiro caso, "a queda do véu" (zawâl el-hijâb) é a rejeição da hipocrisia; no segundo, é abandono do esforço ou antes o esquecimento do símbolo, graças à presença libertadora do Real.