CHRÉTIEN, Jean-Louis. Lueur du secret. Paris: L’Herne, 1985
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A amplitude e o acabamento da teocriptia da ira na teologia cristã em Orígenes
- A distinção posterior entre a ira de consumo e a ira de consumação em Santo Agostinho
- A oposição luterana entre a ira de bondade e a ira de fúria
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A discrição do sentido da ira pelo seu vínculo com a palavra
- A ira de bondade como ira acompanhada de palavra ou formadora de palavra
- A ira de fúria como ira que se cumpre no silêncio e pelo silêncio
- A fundamentação na primeira Homilia sobre Jeremias: Deus fala mesmo ao condenar para desviá-lo da condenação
- A exemplificação com as pragas do Egito: Deus corrige com vozes e ensino, não em silêncio
- A violência da ira divina como violência da palavra e para a palavra
- O objetivo de abrir o espaço de uma resposta possível: conhecimento de Deus, reconhecimento da falta, arrependimento
- A interpretação da conduta de Deus para com o Faraó como educação
- A comparação com os demônios no Evangelho: o tormento os conduz ao conhecimento de Deus
- A palavra como o sentido do evento e não mero suporte da ira
- A inversão fundamental: "a palavra não é o suporte da ira, mas a ira o suporte da palavra"
- A palavra como horizonte da ira e do castigo
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A articulação complexa entre ira e palavra para além do paradigma da ameaça
- O silêncio de Deus como forma aguda e avançada de sua palavra, e não apenas como retirada
- A concepção da ira como palavra além da palavra, a palavra no silêncio
- A citação da vigésima homilia: a ira de Deus é educativa como sua palavra
- A definição da ira divina como "um courroux deliberado" que visa a conversão
- A separação e a reunião entre ira e palavra: a ira como o "além" da palavra para o homem surdo
- A estranheza da palavra de Deus, que é o próprio Deus
- A impossibilidade de um "além" da palavra para Deus, pois cada ato é uma palavra
- O silêncio divino como última palavra e última chance
- A ira de condenação para quem não soube escutar a palavra nem a ira educadora
- A ira como palavra mascarada e descoberta ao mesmo tempo
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A unidade profunda da palavra e da ira na vontade salutar de Deus
- A manifestação da mesma vontade salvífica tanto na palavra quanto na ira
- A possibilidade da teocriptia da ira fundada na ira como palavra de Deus
- A resposta do homem pelo arrependimento como sinal de que Deus falou
- A ira de fúria como aquela que não suscita resposta no homem
- O questionamento sobre o sentido e o fim do amor oblíquo que faz da ira uma palavra
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O significado de "estar sob a ira de Deus" como "estar diante de Deus"
- A teocriptia da ira como resposta à críptica humana do pecado
- O "esconder-se de Deus" como modo de "estar com Deus"
- A presença intensa de Aquele de quem se foge
- A dimensão positiva da críptica do pecado, que não reduz o religioso ao ético
- O ser do homem diante de Deus como mais fundamental do que o agir bem ou mal
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A distinção origeniana entre Adão e Caim para ilustrar a críptica humana
- A identificação inicial entre estar sob o olhar de Deus e a justiça
- A fuga do olhar de Deus como característica do pecador
- A superação da análise moral: a superioridade de fazer o mal na presença de Deus
- A possibilidade do arrependimento imediato para quem permanece diante de Deus
- A impossibilidade de conversão para quem se afasta do olhar de Deus
- A distinção nas Homilias sobre Jeremias: Caim "saiu do olhar de Deus", Adão apenas se escondeu
- A dissimulação de Adão como um mal menor, pois inclui o rubor e a vergonha perante Deus
- A exposição à presença divina pela vergonha na dissimulação
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O caráter salutar do silêncio de Deus e da críptica humana do pecado
- O silêncio de Deus como modalidade de sua palavra no diálogo com o homem
- A críptica humana como modalidade do ser diante de Deus, possibilitando o arrependimento
- A descoberta do afastamento de Deus como forma fundamental de proximidade
- A queda e a tomada de consciência do pecado como início da elevação
- A vergonha como primeiro passo no espaço da proximidade e descoberta de Deus
- A citação: "O começo do bem é ter vergonha de coisas de que não se tinha vergonha"
- A interpretação do "que tenham vergonha" nos Salmos como um voto de bênção, não maldição
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O modelo médico da teocriptia da ira: virtudes e limites
- A aparição do modelo do médico e do paciente doente
- A virtude de destacar o caráter benfazejo de um sofrimento incompreendido
- A abertura do espaço da obliquidade divina pela analogia com as artimanhas do médico
- A primeira limitação: a artimanha do médico contorna a liberdade, a de Deus é libertadora
- O objetivo da artimanha divina, como a antropomorfose, é abrir espaço para a liberdade humana
- A segunda limitação: o modelo médico é inadequado ao espaço da palavra e do diálogo
- A violência de Deus é sempre violência da palavra e portadora de palavra, não ação de um corpo sobre outro
- O sofrimento sob Deus é sempre uma resposta articulada de sentido, não uma reação física
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A superação do modelo médico na sexta Homilia sobre Jeremias
- A insensibilidade ao açoite de Deus como sinal de infelicidade e surdez
- A definição do açoite de Deus como sua Palavra, o Logos
- A bem-aventurança de sofrer com o açoite da Palavra que repreende
- A ausência de sofrimento como sinal de morte espiritual da alma
- O desejo de sentir dor sob o tormento como sinal de vida
- O "estar sob a ira" como sofrimento sob e pela palavra, constituindo a resposta do homem
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A fundamentação do espaço da ira no amor, segundo a oitava Homilia sobre o Êxodo
- A meditação sobre o ciúme divino como penhor de amor
- A assunção divina da "enfermidade das paixões humanas" como sinal de bondade
- A antropomorfose como revelação do sentido da teocriptia: Deus esconde-se para revelar-se
- A imagem do esposo ciumento que protege a castidade do matrimônio
- A contraposição à ausência de ciúme entre os demônios
- A superioridade da violência do amor sobre a ausência de violência sem amor
- A correção e a ira divinas como esperança de salvação
- A afirmação: "Quando [Deus] quer perdoar, declara que se indigna e que está com ira"
- As ameaças de Deus como "a voz de Deus fazendo misericórdia"
- O apaziguamento divino como paz da morte espiritual e do abandono total
- O "instante terrível" como aquele em que já não se é corrigido nem castigado
- A condenação verdadeira como ausência de ira e de ciúme
- O dever de gratidão quando Deus repreende e castiga
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A crença como resposta à ira divina
- O caráter não fictício da ira como máscara do amor
- A crença como "crença amorosa", temendo não responder adequadamente à palavra
- O temor de não ter mais nada a temer por indiferença
- A exortação de Lutero: "Geme de não poder gemer, teme de não poder temer"
- A interpenetração da alegria e da tristeza na devoção, segundo São Tomás de Aquino
- A crença que eleva e porta em si a esperança e a alegria
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A inversão dos sinais na meditação origeniana: a ira como sinal do amor, sua ausência como abandono
- A centralidade da obliquidade e da críptica nas Homilias sobre Jeremias
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O modelo pedagógico para compreender a obliquidade de Deus
- A adequação do modelo pela presença da mentira educadora
- O paradoxo inicial: a figura do pai como figura de condescendência e kenosis, não de poder
- A comparação com o balbuciar dos adultos para com as crianças pequenas
- O abaixamento de Deus para fornecer ao homem o meio de elevar-se
- A artimanha de Deus como entrada no mesmo espaço que o homem para comunicar-se
- A simulação da mutabilidade, do arrependimento e da ignorância por parte de Deus
- O objetivo de evidenciar a autodeterminação humana e não esmagar a liberdade
- A ira como pertencente à "economia", não à "teologia", um procedimento condescendente
- A composição de um rosto severo para a correção e o melhoramento, ocultando a indulgência
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Os limites do modelo pedagógico e a necessidade de correção pela teologia negativa
- O risco de eliminar a ideia de que Deus julga e condena
- A afirmação da realidade da justiça divina por trás da simulação da paixão
- A citação: Deus "não é bom sem ser cortante, nem cortante sem ser bom"
- A unidade indissolúvel de Deus experimentada como dualismo a partir da escolha humana
- A realidade da ira "fingida", que possui um momento verdadeiramente destruidor por amor
- A tarefa da bondade de Deus em aniquilar o mal após tê-lo desenraizado e demolido
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As tensões reveladas na vigésima Homilia sobre Jeremias
- A tensão entre teologia afirmativa e teologia negativa na via analógica
- O risco da homonímia total dissolver a possibilidade da teocriptia
- O risco da teologia afirmativa privar de seriedade a ira divina
- A exigência de consistência do medium na manifestação oblíqua
- A incoerência entre o modelo médico e o modelo pedagógico quanto à forma da dissimulação
- A contradição: o médico esconde o amargo sob o doce; o pai esconde o doce sob o amargo
- A conciliação insatisfatória pela ideia geral de dissimulação salutar
- A discordância fundamental: o modelo médico tem um horizonte moral e casuístico
- O horizonte do modelo paternel é religioso, existencial e patético, concernente ao "poder ser"
- A decisão do homem na situação de ira define o que Deus será para ele
- O horizonte do modelo paternel no Salmo: "Sua ira é dum instante, seu favor para a vida"
- O afastamento do horizonte religioso pelos exemplos de mentira humana útil no final da homilia
- A obliquidade da ira como obliquidade "econômica", um masque, não um mentira
- A imagem mais adequada como a mais imperfeita e patética: a do pai e do filho
- A ira de Deus como último apelo à esperança, não ao desespero
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A relação entre amor e ira na tradição cristã contra a gnose de Jacob Boehme
- A recusa de ver na ira o fundo noturno a partir do qual o amor se revela
- A inversão da proposta de Böhme: sem o amor, a ira não poderia ser nem se revelar
- A ira como um rosto do amor, não como potência adversária
- A distinção da ira divina da ira humana, que pode ser negação do amor
- A ira como violência do amor avançando sobre o que não é amável para torná-lo digno de amor
- A "ira de consumo" ou "de bondade" onde o amor se vela para melhor estar em sua obra
- A ira consumante e furiosa como rosto do amor para quem recusou definitivamente o amor
- O amor recusado fazendo-se fogo devorador, sem deixar de ser amor
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Questionamento sobre o estatuto filosófico da teocriptia
- A possibilidade de conceber a manifestação pelo contrário como lei geral da simbólica religiosa
- A elevação do deciframento patético da experiência a uma hermenêutica filosófica
- A pertinência da teocriptia exclusivamente à revelação ou também à filosofia