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id da página: 7603 Jean-Louis Chrétien – Lampejo do secreto – Ira de Deus Orígenes

Chretien Ira de Deus Origenes

Jean-Louis Chrétien – Lampejo do Secreto


CHRÉTIEN, Jean-Louis. Lueur du secret. Paris: L’Herne, 1985


  • A amplitude e o acabamento da teocriptia da ira na teologia cristã em Orígenes

    • A distinção posterior entre a ira de consumo e a ira de consumação em Santo Agostinho
    • A oposição luterana entre a ira de bondade e a ira de fúria
  • A discrição do sentido da ira pelo seu vínculo com a palavra

    • A ira de bondade como ira acompanhada de palavra ou formadora de palavra
    • A ira de fúria como ira que se cumpre no silêncio e pelo silêncio
    • A fundamentação na primeira Homilia sobre Jeremias: Deus fala mesmo ao condenar para desviá-lo da condenação
    • A exemplificação com as pragas do Egito: Deus corrige com vozes e ensino, não em silêncio
    • A violência da ira divina como violência da palavra e para a palavra
    • O objetivo de abrir o espaço de uma resposta possível: conhecimento de Deus, reconhecimento da falta, arrependimento
    • A interpretação da conduta de Deus para com o Faraó como educação
    • A comparação com os demônios no Evangelho: o tormento os conduz ao conhecimento de Deus
    • A palavra como o sentido do evento e não mero suporte da ira
    • A inversão fundamental: "a palavra não é o suporte da ira, mas a ira o suporte da palavra"
    • A palavra como horizonte da ira e do castigo
  • A articulação complexa entre ira e palavra para além do paradigma da ameaça

    • O silêncio de Deus como forma aguda e avançada de sua palavra, e não apenas como retirada
    • A concepção da ira como palavra além da palavra, a palavra no silêncio
    • A citação da vigésima homilia: a ira de Deus é educativa como sua palavra
    • A definição da ira divina como "um courroux deliberado" que visa a conversão
    • A separação e a reunião entre ira e palavra: a ira como o "além" da palavra para o homem surdo
    • A estranheza da palavra de Deus, que é o próprio Deus
    • A impossibilidade de um "além" da palavra para Deus, pois cada ato é uma palavra
    • O silêncio divino como última palavra e última chance
    • A ira de condenação para quem não soube escutar a palavra nem a ira educadora
    • A ira como palavra mascarada e descoberta ao mesmo tempo
  • A unidade profunda da palavra e da ira na vontade salutar de Deus

    • A manifestação da mesma vontade salvífica tanto na palavra quanto na ira
    • A possibilidade da teocriptia da ira fundada na ira como palavra de Deus
    • A resposta do homem pelo arrependimento como sinal de que Deus falou
    • A ira de fúria como aquela que não suscita resposta no homem
    • O questionamento sobre o sentido e o fim do amor oblíquo que faz da ira uma palavra
  • O significado de "estar sob a ira de Deus" como "estar diante de Deus"

    • A teocriptia da ira como resposta à críptica humana do pecado
    • O "esconder-se de Deus" como modo de "estar com Deus"
    • A presença intensa de Aquele de quem se foge
    • A dimensão positiva da críptica do pecado, que não reduz o religioso ao ético
    • O ser do homem diante de Deus como mais fundamental do que o agir bem ou mal
  • A distinção origeniana entre Adão e Caim para ilustrar a críptica humana

    • A identificação inicial entre estar sob o olhar de Deus e a justiça
    • A fuga do olhar de Deus como característica do pecador
    • A superação da análise moral: a superioridade de fazer o mal na presença de Deus
    • A possibilidade do arrependimento imediato para quem permanece diante de Deus
    • A impossibilidade de conversão para quem se afasta do olhar de Deus
    • A distinção nas Homilias sobre Jeremias: Caim "saiu do olhar de Deus", Adão apenas se escondeu
    • A dissimulação de Adão como um mal menor, pois inclui o rubor e a vergonha perante Deus
    • A exposição à presença divina pela vergonha na dissimulação
  • O caráter salutar do silêncio de Deus e da críptica humana do pecado

    • O silêncio de Deus como modalidade de sua palavra no diálogo com o homem
    • A críptica humana como modalidade do ser diante de Deus, possibilitando o arrependimento
    • A descoberta do afastamento de Deus como forma fundamental de proximidade
    • A queda e a tomada de consciência do pecado como início da elevação
    • A vergonha como primeiro passo no espaço da proximidade e descoberta de Deus
    • A citação: "O começo do bem é ter vergonha de coisas de que não se tinha vergonha"
    • A interpretação do "que tenham vergonha" nos Salmos como um voto de bênção, não maldição
  • O modelo médico da teocriptia da ira: virtudes e limites

    • A aparição do modelo do médico e do paciente doente
    • A virtude de destacar o caráter benfazejo de um sofrimento incompreendido
    • A abertura do espaço da obliquidade divina pela analogia com as artimanhas do médico
    • A primeira limitação: a artimanha do médico contorna a liberdade, a de Deus é libertadora
    • O objetivo da artimanha divina, como a antropomorfose, é abrir espaço para a liberdade humana
    • A segunda limitação: o modelo médico é inadequado ao espaço da palavra e do diálogo
    • A violência de Deus é sempre violência da palavra e portadora de palavra, não ação de um corpo sobre outro
    • O sofrimento sob Deus é sempre uma resposta articulada de sentido, não uma reação física
  • A superação do modelo médico na sexta Homilia sobre Jeremias

    • A insensibilidade ao açoite de Deus como sinal de infelicidade e surdez
    • A definição do açoite de Deus como sua Palavra, o Logos
    • A bem-aventurança de sofrer com o açoite da Palavra que repreende
    • A ausência de sofrimento como sinal de morte espiritual da alma
    • O desejo de sentir dor sob o tormento como sinal de vida
    • O "estar sob a ira" como sofrimento sob e pela palavra, constituindo a resposta do homem
  • A fundamentação do espaço da ira no amor, segundo a oitava Homilia sobre o Êxodo

    • A meditação sobre o ciúme divino como penhor de amor
    • A assunção divina da "enfermidade das paixões humanas" como sinal de bondade
    • A antropomorfose como revelação do sentido da teocriptia: Deus esconde-se para revelar-se
    • A imagem do esposo ciumento que protege a castidade do matrimônio
    • A contraposição à ausência de ciúme entre os demônios
    • A superioridade da violência do amor sobre a ausência de violência sem amor
    • A correção e a ira divinas como esperança de salvação
    • A afirmação: "Quando [Deus] quer perdoar, declara que se indigna e que está com ira"
    • As ameaças de Deus como "a voz de Deus fazendo misericórdia"
    • O apaziguamento divino como paz da morte espiritual e do abandono total
    • O "instante terrível" como aquele em que já não se é corrigido nem castigado
    • A condenação verdadeira como ausência de ira e de ciúme
    • O dever de gratidão quando Deus repreende e castiga
  • A crença como resposta à ira divina

    • O caráter não fictício da ira como máscara do amor
    • A crença como "crença amorosa", temendo não responder adequadamente à palavra
    • O temor de não ter mais nada a temer por indiferença
    • A exortação de Lutero: "Geme de não poder gemer, teme de não poder temer"
    • A interpenetração da alegria e da tristeza na devoção, segundo São Tomás de Aquino
    • A crença que eleva e porta em si a esperança e a alegria
  • A inversão dos sinais na meditação origeniana: a ira como sinal do amor, sua ausência como abandono

    • A centralidade da obliquidade e da críptica nas Homilias sobre Jeremias
  • O modelo pedagógico para compreender a obliquidade de Deus

    • A adequação do modelo pela presença da mentira educadora
    • O paradoxo inicial: a figura do pai como figura de condescendência e kenosis, não de poder
    • A comparação com o balbuciar dos adultos para com as crianças pequenas
    • O abaixamento de Deus para fornecer ao homem o meio de elevar-se
    • A artimanha de Deus como entrada no mesmo espaço que o homem para comunicar-se
    • A simulação da mutabilidade, do arrependimento e da ignorância por parte de Deus
    • O objetivo de evidenciar a autodeterminação humana e não esmagar a liberdade
    • A ira como pertencente à "economia", não à "teologia", um procedimento condescendente
    • A composição de um rosto severo para a correção e o melhoramento, ocultando a indulgência
  • Os limites do modelo pedagógico e a necessidade de correção pela teologia negativa

    • O risco de eliminar a ideia de que Deus julga e condena
    • A afirmação da realidade da justiça divina por trás da simulação da paixão
    • A citação: Deus "não é bom sem ser cortante, nem cortante sem ser bom"
    • A unidade indissolúvel de Deus experimentada como dualismo a partir da escolha humana
    • A realidade da ira "fingida", que possui um momento verdadeiramente destruidor por amor
    • A tarefa da bondade de Deus em aniquilar o mal após tê-lo desenraizado e demolido
  • As tensões reveladas na vigésima Homilia sobre Jeremias

    • A tensão entre teologia afirmativa e teologia negativa na via analógica
    • O risco da homonímia total dissolver a possibilidade da teocriptia
    • O risco da teologia afirmativa privar de seriedade a ira divina
    • A exigência de consistência do medium na manifestação oblíqua
    • A incoerência entre o modelo médico e o modelo pedagógico quanto à forma da dissimulação
    • A contradição: o médico esconde o amargo sob o doce; o pai esconde o doce sob o amargo
    • A conciliação insatisfatória pela ideia geral de dissimulação salutar
    • A discordância fundamental: o modelo médico tem um horizonte moral e casuístico
    • O horizonte do modelo paternel é religioso, existencial e patético, concernente ao "poder ser"
    • A decisão do homem na situação de ira define o que Deus será para ele
    • O horizonte do modelo paternel no Salmo: "Sua ira é dum instante, seu favor para a vida"
    • O afastamento do horizonte religioso pelos exemplos de mentira humana útil no final da homilia
    • A obliquidade da ira como obliquidade "econômica", um masque, não um mentira
    • A imagem mais adequada como a mais imperfeita e patética: a do pai e do filho
    • A ira de Deus como último apelo à esperança, não ao desespero
  • A relação entre amor e ira na tradição cristã contra a gnose de Jacob Boehme

    • A recusa de ver na ira o fundo noturno a partir do qual o amor se revela
    • A inversão da proposta de Böhme: sem o amor, a ira não poderia ser nem se revelar
    • A ira como um rosto do amor, não como potência adversária
    • A distinção da ira divina da ira humana, que pode ser negação do amor
    • A ira como violência do amor avançando sobre o que não é amável para torná-lo digno de amor
    • A "ira de consumo" ou "de bondade" onde o amor se vela para melhor estar em sua obra
    • A ira consumante e furiosa como rosto do amor para quem recusou definitivamente o amor
    • O amor recusado fazendo-se fogo devorador, sem deixar de ser amor
  • Questionamento sobre o estatuto filosófico da teocriptia

    • A possibilidade de conceber a manifestação pelo contrário como lei geral da simbólica religiosa
    • A elevação do deciframento patético da experiência a uma hermenêutica filosófica
    • A pertinência da teocriptia exclusivamente à revelação ou também à filosofia