Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 2
Desde a vertente oculta, o comportamento do Espírito enquanto Paracleto é explicado por João ao princípio de seu evangelho: “O Espírito (pneuma) sopra donde quer e ouves sua voz, mas não sabes de donde vem nem a donde vai” (Jo 2,8). Em realidade, este sopro ou inspiração pneumática, que vem do Espírito da Verdade, atemporalmente, sem passado nem futuro visível, inimaginável, o mundo não o vê nem o conhece. Esta ignorância é própria de quem ainda não possui a intuição do Ser, a consciência do Filho. Mas todo o que se submeteu à purificação mediante uma constante e as vezes prolongada imersão psíquica — a metanoia ou conversão sobre si mesmo (strophe) — representada no evangelho pelo banho batismal em água (equação água = psyche), culminou a obra prévia necessária e tal homem, já transformado em um limpo de coração, está pronto para começar a “ver e conhecer” a verdade que o sopra o Espírito. E isto não é demasiado surpreendente que ocorra, porque o Espírito “mora em nós, em nós está” (João 14:16-17).
Segundo diz Jesus, o Paracleto “o ensinará e recordará tudo” (Jo 14,26) e nos guiará até a Verdade completa (João 16:13); além disso, como procede do Pai dará testemunho do Filho (João 15:26), o que significa que o conhecimento dele proveniente conduzirá a consciência do homem desde seu atual recobrimento sob as tendências das obras mortas, à luz esplendorosa e imortal de Cristo, que ao derramar-se sobre o homem pneumático convertido em Filho de Deus, o permite a este dizer com Isaías: “O Espírito do Senhor sobre mim porque me ungiu” (Is 61,1; (Lucas 4:18)).