VIDE: IMAGEM
Filosofia
Notions philosophiques
É preciso notar no entanto que o imaginário pode também designar a realidade não visada pela consciência, mas dada a ela. Henry Corbin, a fim de dar conta da realidade ontológica dos objetos do conhecimento visionário, propõe substituir o termo imaginário pelo termo «imaginal». De um ponto de vista fenomenológico, Richard Kearney propõe ir além do abismo metafísico entre o imaginário e o real graças à noção de figuração, toda a visada humana tendo uma natureza extática e figurativa.
Henry Corbin: IMAGO TEMPLI
Os teósofos visionários, os Ishraqiyun de Sohravardi, não estão menos avisados que nós dos perigos do imaginário. Lembro em algumas palavras a metafísica da Imaginação em um Sohravardi. A Imaginação oferece um duplo aspecto, ela preenche uma dupla função: por um lado uma imaginação passiva ou representativa (khayal) que é simplesmente o tesouro recolhendo toda as imagens percebidas pelo sensorium, este sendo o Espelho ao qual converge o conjunto das percepções dos sentidos externos. Por outro lado, uma Imaginação ativa (motakhayyila). Esta é posta entre dois fogos: ela pode sofrer docilmente as injunções da faculdade estimativa (wahmiya); o animal rationale julga então coisas de uma maneira que se aparenta àquela dos animais. Pode cair e cai de fato em todos os delírios, as composições monstruosas do imaginário; opõe denegações obstinadas aos julgamentos do intelecto. Mas a Imaginação ativa pode, ao contrário, se pôr exclusivamente a serviço do intelecto, quanto a sua função que é comum aos filósofos e aos profetas (o intellectus sanctus). Ela toma então o nome de cogitativa ou meditativa (mofakkira, notemos bem que aí está um outro nome da Imaginação ativa, da imaginatriz).
Todo o esforço consistirá em purificar e em liberar a via interior para que o intelecto percebido ao nível do imaginal se reflita no Espelho do sensorium e se traduza em uma percepção visionária.