VIDE: ciclo da profecia; filosofia profética
Nazafi: O Livro do Homem Perfeito
Saiba, bendito sejas nos dois mundos, que a Lei religiosa, a shariat, é o enunciado dos profetas; que o Caminho místico, a tariqat, é a prática dos profetas; que a Realidade Verdadeira, a haqiqat, é a Visio dos profetas. «Minhas palavras são a shariat, minhas ações a tariqat, meus estados a haqiqat. O peregrino deve a princípio estudar e aprender de cor o que é necessário na ciência da Lei religiosa, em seguida cumprir o que é necessário na prática do Caminho místico a fim de aceder, segundo seus esforços e sua assiduidade, à luz da Verdade.
Ó Dervixe! Aquele que aceita aquilo que seu profeta disse está entre os adeptos da Lei. Aquele que faz o que aquilo que seu profeta fez está entre a gente do Caminho místico. Aquele que vê aquilo que seu profeta viu está entre os visionários da Verdadeira Realidade.
Ó Dervixe! Aquele que possui os três é contado entre os Perfeitos: ele é «aquele que se mantém adiante» — o guia espiritual. Aquele que desta tríada é desprovido é contado entre os imperfeitos: contado entre as bestas.
Joaquim Carreira das Neves: Escritos de São João
Profeta é alguém que fala com autoridade divina e com inspiração divina. Em João, quando Jesus cura o cego de nascença, o curado reconhece Jesus como "um profeta" (9, 17). Depois de alimentar os 5.000 homens, o povo exclama: "Este é realmente o Profeta que havia de vir ao mundo!" (6, 14). Por ocasião da festa das Tendas Qo 7), diante das controvérsias e doutrinação de Jesus, muitos de entre a multidão professavam:"Ele é realmente o Profeta!" (7,40). Estas duas últimas declarações referem que não se trata de um profeta entre os muitos profetas, mas de "o Profeta" final prometido por Deus a Moisés em Dt 18, 15. A expectativa dum profeta-como-Moisés aparece nos ambientes samaritanos (4,19) e entre a comunidade de Qumran (4QTestim 5-8). Semelhante Profeta é o último mensageiro ou "alter-ego" de Deus, isto é, representa a última palavra de Deus ou o último revelador do mesmo Deus. Uma vez mais, também como "o Profeta" de Deus, Jesus apresenta-se como o último mediador entre Deus e o homem. Desta maneira, o evangelho afirma que ver Jesus é o mesmo que ver o Pai (12, 45: "e quem me vê a mim vê aquele que me enviou"; 14, 7-9: "Se ficaste a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.... Quem me vê, vê o Pai..."). Conhecer e receber Jesus é o mesmo que conhecer e receber o Pai (8,19: "Perguntaram-lhe, então: 'Onde está o teu Pai?' Jesus respondeu: 'Não me conheceis a mim, nem ao meu Pai. Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai'; 12,44-45: "Quem crê em mim não é em mim que crê, mas sim naquele que me enviou; e quem me vê a mim vê aquele que me enviou"; 13, 20: "Em verdade, em verdade vos digo: quem receber aquele que eu enviar é a mim que recebe, e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou").
Em conclusão, Jesus como Profeta, Messias, Filho de Deus, Logos, Filho do Homem é sempre o EU SOU, enviado/emissário de Deus Pai, revelador final da salvação do mesmo Deus Pai.
Mas João não se fixa apenas na. funcionalidade dos "títulos" cristológicos de Jesus, partindo dessa funcionalidade para o SER da pessoa: Jesus é o OUTRO do mesmo Deus. E como se o próprio Deus Pai tivesse encarnado. Não é possível chegar mais longe e mais fundo no mistério de Jesus.
Biblioteca de Nag Hammadi: Apócrifo de Tiago
Então perguntei a ele [Jesus], "Senhor, como seremos capazes de profetizar para aqueles que solicitam que profetizemos a eles? Pois há muitos que nos pedem, e nos procuram para ouvir um oráculo de nós."
O Senhor respondeu e disse, "Não sabeis que a cabeça da profecia foi cortada fora com João?"
Mas disse, "Pode ser possível remover a cabeça da profecia?"
O Senhor disse para mim, "Quando entenderes o que significa "cabeça", e que profecia é emitida da cabeça, (então) compreendes o significado de 'A cabeça dela foi removida.'
Toshihiko Izutsu: Sonho e Realidade
Los profetas son visionarios. Por naturaleza, tienden a tener extrañas visiones a las que no tiene acceso el hombre corriente. Estas visiones extraordinarias se denominan «sueños verídicos» (ru’ya sadiqah), y reconocemos sin dificultad su naturaleza simbólica. Se admite sin vacilar que un profeta percibe, a través y más allá de sus visiones, algo inefable, algo de la verdadera figura de lo Absoluto. Sin embargo, en realidad, para un profeta, no sólo esas visiones fuera de lo común son «sueños» simbólicos. Para su mente, todo lo que ve, todo aquello con lo que está en contacto, incluso en su vida cotidiana, es susceptible de adquirir un carácter simbólico. «Todo lo que percibe en el estado de vigilia posee esa naturaleza, si bien existe, ciertamente, una diferencia de estados.» La diferencia formal entre el estado de sueño, en que ve las cosas mediante su facultad de imaginación, y el de vigilia, en que percibe las cosas a través de sus sentidos, permanece intacta, aunque en ambos estados las cosas que percibe son igualmente símbolos.
De este modo, se puede decir que un profeta que vive en tan extraordinario estado espiritual se encuentra en un sueño dentro del sueño durante toda su vida. «Toda su vida es un sueño dentro del sueño.» Lo que quiere decir Ibn Arabi con esta frase es lo siguiente: dado que el mundo fenoménico es, en realidad, un «sueño»” (aunque la gente corriente no sea consciente de ello), el profeta que percibe símbolos inusuales en medio de ese contexto general de «sueño» es comparable a un hombre que sueña en sueños.
Esta es, sin embargo, la comprensión más profunda posible de la situación, y la mayor parte de los hombres no tiene acceso a ella, ya que, por lo general, están convencidos de que el mundo fenoménico es algo materialmente sólido; no advierten su naturaleza simbólica. Ni siquiera todos los profetas tienen una comprensión clara del asunto. Es el profundo misterio del Ser, accesible únicamente a un profeta perfecto como Muhammad. Ibn Arabi explica este punto ilustrándolo con el contraste entre el profeta Yûsuf (José) y el profeta Muhammad en lo referente a la profundidad de sus respectivos entendimientos.
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