VIDE: Mistério; Caverna; Catecumenato; Igreja; Iniciação Sociedades; Iniciação Guia Luz; Realização Espiritual
René Guénon: um de seus principais temas de estudo é René Guénon Iniciação
Pierre Gordon: A revelação primitiva — A tradição iniciática
Não é necessário dizer que ninguém inicia os outros, se entendermos por "Iniciação" o Mistério do segundo nascimento ou o Grande Sacramento. A Iniciação vem do alto e tem o valor e a duração da eternidade. O Iniciador está no alto; cá em baixo só se encontram codiscípulos e estes se reconhecem no amor que têm uns aos outros. Também não existem Mestres, porque existe um só Mestre, que é o Iniciador que está no alto. Sem dúvida, sempre existem mestres que ensinam suas doutrinas e iniciadores que comunicam alguns de seus segredos a outros, que se tornam, por sua vez, "iniciados", mas tudo isso não tem nada a ver com o Mistério da Grande Iniciação.
Por isso o Hermetismo Cristão, enquanto iniciativa humana, não inicia ninguém. Entre os hermetistas cristãos, ninguém se arrogará o título e as funções de Iniciador ou de Mestre. Porque todos são codiscípulos, e cada um é mestre de cada um, sob algum aspecto — como cada um é discípulo de cada um sob outro aspecto. Não podemos fazer mais do que seguir o exemplo de Santo Antão, o Grande, que "se submetia de boa vontade aos zelosos (ascetas) que ia visitar e se instruía junto deles na virtude e na ascese de cada um. Contemplava em um a amabilidade, em outro a assiduidade à oração; neste via a paciência, naquele o amor ao próximo; em um observava as vigílias, em outro a aplicação à leitura; admirava um pela sua constância, a outro por seus jejuns e por seu sono sobre a terra nua. Observava a mansidão de um e a magnanimidade de outro; em todos notava a devoção a Cristo e o amor mútuo. Assim, satisfeito, voltava para seu eremitério, condensando e se esforçando por exprimir em si mesmo as virtudes de todos..." (Vida de santo Antão, por santo Atanásio, op. cit., 4).
NOTAS: