FAIVRE, Antoine (org.). Sophia et l’âme du monde. Paris: Albin Michel, 1983
O Oriente da alma e o exílio
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A Reinterpretação da Alma do Mundo no Contexto do Monoteísmo
- A reavaliação da Alma do Mundo, de origem platônica, no âmbito das religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo), em função das exigências da fé em um Deus único e absolutamente transcendente.
- A centralidade da interpretação do tawhid (a afirmação da unicidade do Único) como cerne das controvérsias suscitadas pela noção da Alma na filosofia islâmica.
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A Atitude de Rejeição: Ascetismo e a Transcendência Inefável
- A postura hostil à ideia da Alma do Mundo, representada por tradições sufis como a de Hasan al-Basri, que enfatizavam o abismo entre Deus e o homem.
- A regra de vida ordenada à ascese (zohd) e a um "renunciamento universal e plenário ao mundo", excluindo a percepção de um mundo intermediário.
- A "Ciência dos Corações" como uma "audição atenta da palavra divina" fundamentada na atribulação, e não no desenvolvimento de um órgão visionário guiado por Imagens.
- A ênfase na humilhação como via real para o Único, sendo um caminho de separação e não de união, um paradoxo vivido por Hallaj.
- A percepção dos graus de emanação neoplatônicos como obstáculos ou véus, e a rejeição da Alma do Mundo como uma idolatria que suspende o arranque místico.
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A Dialética do Desejo e a Necessidade do Mundo Intermediário
- O movimento dialético no qual os termos da oposição se invertem: o Livro sagrado exige exegese (ta'wîl), o que convida a pensar um mundo intermediário entre a absoluta condição divina e a letra do Livro.
- A identificação do instante de união mística como uma Presença do Único apenas por sua Ausência, uma plenitude sem profundidade que evita a idolatria através de um amor que salva a transcendência.
- O questionamento se a experiência mística da transcendência, pelo arrancamento, não conduz necessariamente a uma identificação com o drama de Iblis (Satanás).
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A Alma do Mundo como Lugar da Revelação e da Teofania
- A justificação fenomenológica da função gnóstica da Alma do Mundo como o lugar da Revelação, onde os Nomes Divinos, os Anjos e as realidades espirituais tomam corpo como uma Imagem no espelho.
- A Alma como o grau mais próximo do Deus Revelado e mais próximo de nós, a chave do templo espiritual cuja pedra angular está radicalmente oculta.
- A compreensão da Alma não apenas como manifestação (e véu) do Absconditum, mas como a manifestação do retraimento do Absconditum.
- A multiplicação das Figuras Angélicas no Mundo da Alma não como idolatria, mas como uma multiplicação das Faces do Deus Revelado, que experimenta eternamente sua separação.
- A Alma como garantia do paradoxo: pela união, o que se acrescenta é o retraimento; o que se multiplica é o Uno; o que se apresenta é a ausência.
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A Síntese na Filosofia Oriental da Luz de Sohravardi
- O surgimento de uma segunda atitude na mística islâmica, que, sem renunciar ao tawhîd, utiliza a mediação da Alma do Mundo para manifestar paradoxalmente a alteridade radical do Outro.
- A fusão das hierarquias neoplatônicas com a teosofia islâmica como uma necessidade interna para sustentar a experiência do tawhîd esotérico e fundamentar a hermenêutica espiritual do Alcorão.
- A transfiguração da Alma, de realidade cósmica, em protagonista do drama de amor divino, cujo segredo é o Absconditum, conforme testemunhado na obra de Sohravardi.
- A redefinição dos termos "Oriente" e "Ocidente" no léxico de Sohravardi, deslocando as oposições geopolíticas para uma divisão interna ao Noûs.
- A definição do "Oriente" como a região do levante da Luz espiritual, o Mundo das realidades espirituais (Malakût, Jabarût, Lahût) que atrai a alma para sua verdadeira pátria.
- A definição do "Ocidente" como a terra das Trevas e do exílio, a "cidade cujos habitantes são opressores", onde a alma está confinada.
- A "teosofia oriental" (Hikmat al-Ishraq) como uma metafísica e uma gnose salvadora, interpretando o ser em termos de intensidade luminosa espiritual e oferecendo à alma a percepção imaginativa dos raios de Luz.
- A fundação, por Sohravardi, do uso da Imaginação Criadora como potência do conhecer, onde a Alma do Mundo, interpretada como Mundo da Imaginação, adquire um sentido "oriental" de evasão espiritual.
- A sobrevivência da Alma do Mundo para além de sua função cosmológica, cumprindo uma função noética ao abrir o universo visionário do "Oriente das Luzes" na filosofia, tal como detalhado em sua obra "O Livro dos Templos da Luz" (Kitâb Hayâkil al-Nûr).
- Alma do Mundo
- Alma do Mundo e Amor Sofiânico (Jambet)
- Alma individual e Alma do Mundo (Jambet)
- Brun Alma do Mundo
- Corbin (USJJ6) – Combate pela Alma do Mundo
- Crouzel Alma do Mundo
- Jambet Alma do Mundo
- Javary Alma do Mundo
- Natureza, Mundo, Alma do Mundo (Jambet)
- Shayegan (DSHC) – alma no mundo intermediário
- Shayegan (DSHC) – O Imaginal e o Mundo da Alma