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Revelação

APOCALIPSE — REVELAÇÃO



René Guénon: Dicionário de René Guénon, de Vivenza

A Revelação, com muita correção o indica René Guénon, «repousa», quer dizer implica e necessita, nos indivíduos, a existência de faculdades transcendentes aptas a receber uma comunicação de origem superior. Que estas faculdades sejam nomeadas «intuição», «inspiração», o importante é ver que elas correspondem todas a mesma função: a capacidade de recepção, pela operação de disposições particulares, de um depósito supra-humano que não é outro senão a «Tradição Primordial». Esta capacidade própria ao homem lhe permite se abrir, no que concerne a «inspiração», à ação do que o cristianismo considera como a ação do Espírito Santo, e para o que é a «intuição intelectual» aos estados superiores do ser.

A Índia dá o nome de «Shruti», quer dizer «o que é entendido», a esta Revelação, que, segundo a Tradição, está na origem da transmissão do Veda.

A Shruti é portanto bem mais que um simples conhecimento, ela é o princípio de todos os conhecimentos, «ela é a Luz direta, que, como a inteligência pura, a qual é é ao mesmo tempo a pura espiritualidade, corresponde ao Sol».

A Revelação é portanto o «Conhecimento» por excelência e definição, é a Luz vinda do alto, é o ensinamento divino, a autêntica «Palavra», a obra do Verbo, posto que ela é precisamente «audição».

Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA

Da parte exoterista afirma-se, contra o esoterismo universalista, que a Revelação diz determinada coisa e, em consequência, deve-se admiti-la de modo incondicional. Da parte esoterista dir-se-á que a Revelação é intrinsecamente absoluta e extrínsecamente relativa, e que essa relatividade resulta da combinação de dois fatores: a Intelecção e a experiência. Por exemplo, que uma forma não pode absolutamente ser única no seu gênero — assim como o sol que, representando intrinsecamente o centro único, não pode excluir a existência de outras estrelas fixas — é um axioma da Intelecção, mas tem a priori apenas um valor abstrato. Pelo contrário, torna-se concreto pela experiência que nos põe em estreita relação, nessa circunstância, com outros sistemas solares do cosmo religioso, e que nos induz justamente a distinguir, na Revelação, um sentido intrínseco absoluto e um sentido extrínseco relativo. De acordo com o primeiro sentido, Cristo é único, e ele assim o disse; de acordo com o segundo, ele o disse na qualidade de Logos, e o Logos, que é único, comporta justamente outras manifestações possíveis.

Pierre Gordon: A REVELAÇÃO PRIMITIVA


Seleção de citações em PERRY, Whitall N. A Treasury of Traditional Wisdom. Cambridge: Quinta Essentia, 1991
E quem conhecerá teu pensamento, a não ser que tu dês a sabedoria e envies teu Espírito Santo do alto?


Sabedoria, IX. 17

E não foi concedido a mortal algum que Allah lhe fale senão por revelação ou de detrás de um véu, ou que Ele envie um mensageiro para revelar o que Ele quer por Sua permissão. Em verdade! Ele é Exaltado, Sábio.

Alcorão, XLII. 51

Revelei minha sabedoria primeiro a Brahmâ na forma dos Vedas. Brahmâ declarou essa sabedoria a seu filho Manu, de quem os sete patriarcas e sábios — Bhrigu e outros — a receberam. Deles passou a seus filhos e discípulos, que, sendo de vários temperamentos e naturezas, a entenderam variadamente. Assim surgiram as várias interpretações dos Vedas.

Srimad Bhagavatam, XI. viii

Veda é chamado Veda (Conhecimento) porque por meio do Veda as pessoas aprendem os meios que não podem ser aprendidos nem por percepção direta nem por raciocínio.’

Sri Chandrasekhara Bhâratî Swâmigal

(citando dos Shâstras)

Como é usual com todos os homens de entendimento são, invocar a divindade ao entrar em qualquer discussão filosófica, é certamente muito mais apropriado fazê-lo na consideração daquela filosofia que justamente recebe sua denominação do divino Pitágoras. Pois como deriva sua origem dos Deuses, não pode ser apreendida sem sua inspiradora ajuda.

Jâmblico

Sabemos que a revelação destes (Budistas) mistérios claramente não foi obra do homem.

As Viagens de Fa-hsien

Toda a escritura é dada por inspiração de Deus.

II. Timóteo, III. 16

‘Onde aprendestes isto?’ perguntou Nanpo Tsek’uei.

‘Aprendi-o do Filho da Tinta,’ respondeu Nü Yü, ‘e o Filho da Tinta aprendeu-o do Neto da Aprendizagem, o Neto da Aprendizagem do Entendimento, e o Entendimento da Visio. A Visão aprendeu-o da Prática. A Prática do Canto, e o Canto do Silêncio. O Silêncio do Vazio, e o Vazio aprendeu-o do Parecer Início.’

Chuang-tse (cap. VI)

Esta sabedoria foi revelada pela inspiração do Espírito Santo.

A Glória do Mundo

O falar de Deus é seu gerar filhos.

Santo Agostinho

A verdade divina tem sua humilhação e exinanição, assim como sua exaltação. A verdade divina torna-se muitas vezes nas Escrituras encarnada, rebaixando-se para assumir nossas rudes concepções, para assim conversar mais livremente conosco e infundir sua própria divindade em nós. Deus tendo-se agradado em manifestar-se não mais cioso de sua própria glória, do que é (por assim dizer) zeloso de nosso bem. *Nos non habemus aures, sicut Deus habet linguam. Se Ele falasse na linguagem da eternidade, quem O poderia entender, ou interpretar Seu significado? ou se Ele tivesse declarado Sua verdade a nós apenas de um modo da mais pura abstração de que as almas humanas são capazes, como então os homens mais rudes e iletrados teriam sido capazes de apreendê-la? A verdade se contenta, quando vem ao mundo, em vestir nossos mantos, aprender nossa língua, conformar-se por assim dizer a nosso vestir e modas.

John Smith, o Platonista

Pela Estrela quando se põe,
Teu companheiro não erra, nem é enganado;
Nem fala ele por (próprio) desejo.
Não é senão uma inspiração que é inspirada,
Que um de poderosas forças lhe ensinou.

Alcorão, LIII. 1–5

Para melhor entendimento de toda escritura profética, devemos observar que há por vezes uma aparente inconsistência nas coisas faladas, se as examinarmos pelas estritas regras lógicas de método: não devemos portanto, na matéria de qualquer visão profética, procurar uma constante contextura metódica de coisas levadas a cabo em uma perpétua coerência. O espírito profético não se ata a estas regras de arte, ou assim cerra seus ditos sistematicamente, ajustando adequadamente uma peça ou membro em combinação com o resto, por assim dizer com as juntas e tendões do método: pois isto de fato argumentaria antes um artifício humano e artificial do que qualquer inspiração, que, como deve gerar uma transportação na mente, assim deve gastar-se em tais espécies abruptas de revelações como podem de fato argumentar que o profeta foi inspirado.

John Smith, o Platonista

Assim mesmo não veio mensageiro algum aos que foram antes deles sem que dissessem: Um feiticeiro ou um louco!
Terão eles transmitido (o dito) como um legado uns aos outros? Não, mas são gente perversa.

Alcorão, LI. 52, 53

Nenhum Estado pode ser feliz que não seja desenhado por artistas que imitam o padrão celestial.

Platão (República, 500 E)

Amor sem Conhecimento
É treva para a alma sábia.
Conhecimento sem Revelação
É como a dor do Inferno.
Revelação sem morte,
Não pode ser suportada.

Mechthild de Magdeburgo

A Revelação da Escritura é de Allah, o Poderoso, o Sabedor,
O Perdoador do pecado, o Aceitador do arrependimento, o Severo no castigo, o Generoso. Não há Deus senão Ele. A Ele é a jornada.
Ninguém argumenta concernente às revelações de Allah senão aqueles que descreem, portanto não te engane sua vez de fortuna na terra.

Alcorão, XL. 2–4