As indicações que demos sobre Karma, transmigração, metempsicose e samsara, são suficentes para fazer entender sem pena como, segundo o budismo, Sakiamuni pôde encarnar 550 vezes: sob a forma de Deva, de Maha Brahma, de Sakka (=Indra), de eremita, de rei, de homem rico, de jogador, de escravo, de oleiro, de curador de mordidas de serpentes,, de elefante, de macaco, de réptil, de touro, de pássaro, de peixe, de rã, de gênio das árvores, etc., etc. Em outros termos, como era normal, o Buda se identificou com todas as grandes formas de sagrado conhecidas da Índia; e não devemos jamais desdenhar estes relatos (as Jatakas), pois se referem a longínquas sacralizações regionais pelos animais, os vegetais e os minerais, assim como a distantes personalidades humanas reverenciadas como divinas nos tempos antigos. Muito antes que lhe fosse dado o nome de Bem-aventurado, estes seres e estes objetos eram santos. Considerando-os como encarnações sucessivas do Liberador, operou-se simplesmente uma vasta síntese, centrada sobre uma nova individualidade notória. Uma poeira de hipóstases transcendentes, proveniente da antiga liturgia neolítica,se aglutina assim ao redor do homem que se revelou de repente como um eminente detentor da energia dinâmica invisível. Esta unificação se efetuou igualmente ao redor do liberador tradicional Vishnu, que teve seus avataras. Mas esteve longe de tomar as mesmas proporções. Os Jatakas búdicos são incontestavelmente a mais completa ilustração das visões às quais finalmente alcançou a Índia no que concerne o Samsara e o Karma. Oferecem a vantagem de deixar discernir o ponto de partida e de ligá-los às concepções menos sistemáticas que os outros povos marcaram sobre o iniciatismo sacerdotal.