PERENIALISTAS
Frithjof Schuon: O OLHO DO CORAÇÃO; trad. Antonio Carneiro
Quando se estabelece uma analogia entre este Olho interno e o olho frontal de Shiva, este correspondendo nos homens à consciência da eternidade, — perdida, enquanto faculdade natural, pela humanidade decaída da « idade de ferro », — poder-se-á dizer que esse terceiro olho se retirou da superfície do ser, assim como o Paraíso terrestre, segundo certas tradições asiáticas, se retirou sob a terra 1 ; e como esse reino deve reaparecer ao final da idade sombria, o Olho do Coração pode ser concebido na realização espiritual como devendo remontar, à semelhança do sol levante, rumo à fronte que representa a superfície, para iluminar e absorver o plano do obscurecimento individual, de modo que o mundo exterior será espontaneamente concebido em sua essência e se confundirá com a Realidade interior 2 . Esta maneira de encarar as coisas é de certo modo algo pouco humano, uma vez que no fundo é o homem que se distanciou do Olho eterno, e é a humanidade que se distanciou do Paraíso, e não inversamente, como é a terra que se desvia do sol, apesar das aparências contrárias ; poder-se-á dizer então que o homem em busca de Deus deve descer até o seu coração para encontrar o Paraíso perdido e realizar a « Unicidade da Existência? » Wahdat el-Wujûd 3 .
Esta unicidade ou identidade foi expressa pelo Sufi Mansur al-Hallaj nos termos que são como uma síntese de toda a doutrina : « Vi meu Senhor com o Olho de meu Coração ; e disse : Quem és-Tu ? Ele me disse : Tu ! »
NOTAS::