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Quididade

FILOSOFIA MEDIEVAL — QUIDIDADE



François Chenique: Excertos traduzidos de ELÉMENTS DE LOGIQUE CLASSIQUE : L'ART DE PENSER ET DE JUGER, L'ART DE RAISONNER

Há uma diferença importante entre Essência e Quididade:

  • A essência é o que funda o ser da coisa, aquilo pelo qual uma coisa é o que é (id quo res est id quod est).
  • A quididade é aquilo que responde à questão "o que é?" (quid est?). Há portanto uma nuance sutil entre Essência e Quididade.

Filosofia

Marcia Sá Cavalcante Schuback
Excertos de PARA LER OS MEDIEVAIS
Num outro sermão, de número 57, que interpreta uma passagem do livro da Sabedoria (Sb 18,14), Mestre Eckhart discute qual a circunstância mais própria da alma. A passagem do livro da Sabedoria é a seguinte:

"Quando tudo se guardava no meio do silêncio, uma palavra de mistério desceu do alto, do trono real, sobre mim...".

O sermão começa colocando três perguntas: "onde Deus pronuncia sua Palavra na alma, onde está o lugar da geração e onde a alma se torna receptiva para tal obra?" O lugar em que deus pronuncia na alma a sua palavra é, numa expressão muito característica de Mestre Eckhart, "o fundo da alma". É no fundo da alma que deus pronuncia a sua palavra, o seu verbo porque aí silenciam-se os meios. Mestre Eckhart discute o advérbio próprio da alma, centrando-se na multiplicidade de sentidos do termo "meio". "No meio do silêncio", isto é, no elemento do silêncio, no elemento mais próprio, a alma está no seu fundo porque silencia os meios, ou seja, o mundo das intermediações. A diferença fundamental é entre o meio como elemento e o meio como intermediação. O silêncio é o elemento mais próprio, pois é a partir dele que a alma pode "silenciar" as intermediações e concentrar-se no seu elemento. A circunstância própria da alma define-se, nesse sermão, como o trabalho de silenciar as intermediações para concentrar-se no meio-elemento. Um trabalho de despojamento do que, para a alma, é o mais imediato mas não o mais próprio. O mais imediato para a alma é apreender as coisas em seu mero estar-aí, em sua existência simplesmente dada. É apreender as coisas desprendendo-as de suas circunstâncias, de seus modos e mundos. A essa apreensão descircunstanciadora das coisas, Mestre Eckhart chama de apreensão por imagens. "Não se pode conhecer um cavalo com a imagem do homem". Essa impossibilidade dimensiona de que modo a apreensão por imagens é sempre uma apreensão de fora para dentro, ou seja, uma apreensão que coloca as coisas fora de sua circunstância para poder colocá-las dentro de seus conceitos. Mas enquanto a alma retira as coisas de suas circunstâncias, ela apenas conhece, predica, categoriza, mas não sabe de onde as coisas são. "...fica escondido e velado o que Deus opera no ser". Mas é esse não-saber que "arrasta para algo extraordinário e produz o empenho de sua busca". A circunstanciação das coisas só é possível quando a alma "silencia os meios e imagens" e as vê para além delas mesmas. Esse ver para além não tem o sentido de ver uma outra coisa. Diz ver que é e não o que é. Trata-se de ver que as coisas são e, portanto, o sentido desse verbo, as suas direções e não os lugares-terminais, lugares ocupados e determinados ao longo desse "ser". Trata-se de um desprendimento das intermediações para encontrar concentração no meio-elemento de deus.