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Richard Defouw

GURDJIEFF SEGUIDORES — RICHARD J. DEFOUW
Fascinado por astronomia quando jovem, graduou-se e pós-graduou-se nesta área em Harvard e Caltech. Estudioso de Gurdjieff sob a orientação de um de seus discípulos, William Nyland, escreveu um único livro, The Enneagram in the Writings of Gurdjieff, levantando uma hipótese muito bem argumentada que, embora não se encontre nenhuma referência explícita nos escritos do próprio G sobre o eneagrama, estes mesmos escritos são constituídos com base nas leis reunidas no eneagrama (Lei de Três e Lei de Sete) constituindo um eneagrama em operação pela estrutura e organização dos mesmos. Ou seja, a trilogia TODO E TUDO, em sua exposição ordenada em livros e capítulos, é um ensino aprofundado do eneagrama em muitos aspectos não revelados nos FRAGMENTOS.

O pilar central do argumento de Defouw, segundo ele próprio, é certa alegoria em RBN. O significado desta alegoria leva à consideração da lei das oitavas e assim leva ao eneagrama. A distribuição das passagens alegóricas pelos três livros da Primeira Série é a fundação da representação do eneagrama em RBN, e esta representação, por sua vez, provê uma confirmação chocante da teoria do símbolo que é desenvolvido neste livro. Finalmente, o sentido da alegoria conecta o eneagrama em RBN com o eneagrama em EHN.

Para começar este estudo da alegoria central em RBN é necessário revisar algumas ideias chaves do ensinamento de G: conceito de mim mesmo, sensação da totalidade de mim mesmo, consciente e subconsciente, estados superiores de consciência, trabalho sobre mim mesmo, lei das oitavas, eneagrama.

A alegoria que forma o eixo central de RBN é em resumo a seguinte: B faz seus relatos, seu «criticismo objetivamente imparcial da vida do homem», de tonalidade totalmente iniciática, a seu neto Hassein no curso de uma longa viagem na nave denominada Karnak. Esta viagem da Karnak, este caminho iniciático, é a alegoria. O primeiro passo para esta compreensão do tema da alegoria da viagem é entender a nave como um símbolo do corpo planetário, ou seja, como o símbolo de nosso próprio corpo. Este passo se fundamenta primeiramente no diálogo entre B e o capitão da Karnak, quanto este replica a uma questão concernente aos materiais usados para construir o «tonel-cilindro» (sistema de propulsão) de uma nave e quanto tempo estes materiais podiam durar. A resposta do capitão é, «embora o tonel-cilindro não dure para sempre, pode certamente durar um longo tempo», e então procede a descrever a construção de um tonel-cilindro, concluindo:

Mas as outras partes,... tanto «manivelas» e «engrenagens» exteriores devem certamente ser renovadas de tempo em tempo, pois embora sejam feitas do mais forte metal, entretanto seu longo uso as desgasta. Quanto ao corpo da nave ele mesmo, sua longa existência não pode certamente ser garantida.» (RBN I-5)

Uma segunda razão para identificar a nave como um símbolo do corpo planetário vem da analogia apresentada no capítulo final de RBN, a analogia entre as várias partes de um ente humano, por um lado, e, por outro, um ente-coche. O próprio G afirma inclusive que buscou uma fusão lógica entre o capítulo inicial de RBN que abre com a viagem de Karnak e o último capítulo, onde justamente apresenta a alegoria do coche.

De acordo com Orage Karnak seria um termo armênio que está «conectado com a ideia grega do corpo sendo o túmulo da alma». Quanto a alegoria do sistema de propulsão das naves (v. capítulos RBN I-4 e RBN I-5), esta continua sendo a figuração para se descrever os tipos de iniciação desde a Antiguidade.

O segundo e mais importante passo a se dar para compreender o tema da alegoria da viagem do Karnak, é focalizar a atenção naquelas ocasiões quando alguma experiência sensória é compartilhada por todos os passageiros a bordo da Karnak. Há sete destas ocasiões, e formam os nós da estrutura alegórica da narrativa: MOMENTOS CHAVES DA NARRATIVA.