O pilar central do argumento de Defouw, segundo ele próprio, é certa alegoria em RBN. O significado desta alegoria leva à consideração da lei das oitavas e assim leva ao eneagrama. A distribuição das passagens alegóricas pelos três livros da Primeira Série é a fundação da representação do eneagrama em RBN, e esta representação, por sua vez, provê uma confirmação chocante da teoria do símbolo que é desenvolvido neste livro. Finalmente, o sentido da alegoria conecta o eneagrama em RBN com o eneagrama em EHN.
Para começar este estudo da alegoria central em RBN é necessário revisar algumas ideias chaves do ensinamento de G: conceito de mim mesmo, sensação da totalidade de mim mesmo, consciente e subconsciente, estados superiores de consciência, trabalho sobre mim mesmo, lei das oitavas, eneagrama.
A alegoria que forma o eixo central de RBN é em resumo a seguinte: B faz seus relatos, seu «criticismo objetivamente imparcial da vida do homem», de tonalidade totalmente iniciática, a seu neto Hassein no curso de uma longa viagem na nave denominada Karnak. Esta viagem da Karnak, este caminho iniciático, é a alegoria. O primeiro passo para esta compreensão do tema da alegoria da viagem é entender a nave como um símbolo do corpo planetário, ou seja, como o símbolo de nosso próprio corpo. Este passo se fundamenta primeiramente no diálogo entre B e o capitão da Karnak, quanto este replica a uma questão concernente aos materiais usados para construir o «tonel-cilindro» (sistema de propulsão) de uma nave e quanto tempo estes materiais podiam durar. A resposta do capitão é, «embora o tonel-cilindro não dure para sempre, pode certamente durar um longo tempo», e então procede a descrever a construção de um tonel-cilindro, concluindo:
Uma segunda razão para identificar a nave como um símbolo do corpo planetário vem da analogia apresentada no capítulo final de RBN, a analogia entre as várias partes de um ente humano, por um lado, e, por outro, um ente-coche. O próprio G afirma inclusive que buscou uma fusão lógica entre o capítulo inicial de RBN que abre com a viagem de Karnak e o último capítulo, onde justamente apresenta a alegoria do coche.
De acordo com Orage Karnak seria um termo armênio que está «conectado com a ideia grega do corpo sendo o túmulo da alma». Quanto a alegoria do sistema de propulsão das naves (v. capítulos RBN I-4 e RBN I-5), esta continua sendo a figuração para se descrever os tipos de iniciação desde a Antiguidade.
O segundo e mais importante passo a se dar para compreender o tema da alegoria da viagem do Karnak, é focalizar a atenção naquelas ocasiões quando alguma experiência sensória é compartilhada por todos os passageiros a bordo da Karnak. Há sete destas ocasiões, e formam os nós da estrutura alegórica da narrativa: MOMENTOS CHAVES DA NARRATIVA.