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id da página: 9236 Steinsaltz Santidade Edith Stein

Steinsaltz Santidade


Adin Steinsaltz (Adin Even Yisrael): Excertos de "A Rosa de Treze Pétalas". Maayanot, 1992.

A santidade do lugar é manifestada numa série de círculos concêntricos, no centro dos quais está o Sagrado dos Sagrados em Jerusalém. Em si mesmo, o Templo Sagrado é apenas um tipo de "implemento espiritual" edificado precisamente de acordo com as instruções da Torá e as palavras dos profetas, com a finalidade de ajudar a ancorar a santidade no mundo material — ou seja, servir de ponto focal de contacto entre A Santidade Suprema inatingível e a realidade do lugar.


A santidade se manifesta também no tempo, e há dias consagrados da semana, do mês e do ano. O conceito de tempo na maneira de pensar judaica não é num fluxo linear. O tempo é um processo onde passado, presente e futuro estão unidos entre si, não somente por causa e efeito, mas também como harmonização de dois movimentos: o progresso para avançar e um movimento contrário, para trás, formando um círculo e retornando. É mais como uma espiral, ou uma hélice, elevando-se da Criação. Sempre há algum retorno ao passado: e o passado nunca é uma condição que se foi e não existe mais, mas uma que retorna constantemente e começa de novo em algum ponto significativo, cujo valor muda constantemente, de acordo com as circunstâncias que mudam. Portanto, há uma reversão constante aos padrões básicos do passado, apesar de que nunca é possível ter uma contrapartida exata de nenhum momento do tempo.


Um terceiro aspecto da santidade é o da alma humana, a santidade do homem. E até mesmo esta santidade não deriva do próprio homem. Uma pessoa pode ser grande, sábia e estar plena das mais excelentes virtudes; pode até ser um zaddik e um Hassid; mas a essência da santidade vem a ele somente na medida em que ele estiver conectado com Deus, a fonte do sagrado. Uma pessoa pode estar conectada com a fonte da santidade, de várias maneiras. Há uma santidade que é herdada, que pertence à família, dada por Deus àqueles que O servem de certa maneira. Aqui, podemos incluir a santidade de Israel como um todo, ou a dos filhos de Aaron, o sacerdócio hereditário. Depois, está a consagração mais significativa que provém da comunhão do homem com Deus — como a que pode ser atingida, por exemplo, através das mitzvot. Aderindo completamente aos preceitos sagrados para comportamento, e abstendo-se inteiramente de cometer más ações, o homem fica revestido de uma comunhão constante e incessante com Deus. Além disso, está a união mais intelectual com a santidade divina, através do estudo e do conhecimento da Torá. Quando o homem coloca sua própria vida e alma no estudo da Torá, e se familiariza totalmente com as leis e mandamentos, ele fica unido à Torá, que é uma das manifestações da Santidade Suprema. Ainda mais alta é a capacidade de um homem de entregar-se, de renunciar à sua própria vontade e ser para a vontade de Deus. Quando um homem atinge tal nível de renunciação, ele também atinge um nível de santificação que se revela de diferentes maneiras, de acordo com as suas capacidades espirituais.

Às vezes, o homem se rende à Santidade Divina somente dentro da esfera de ação da Torá e das mitzvot. E lutando mais, ele pode atingir uma certa identificação com algo que é conhecido somente em termos da sabedoria superior que nele está. Caso ele consiga uma união de tal força, ele será capaz de responder à influência Divina, e lhe será concedida uma revelação do Espírito Santo, e toda a sua vida mudará de acordo. Este nível, de fato, foi atingido por muitos grandes homens através da história, através de uma adesão às mitzvot e à Torá, e por todo o seu estilo de vida. E acima deste nível, existem uns poucos escolhidos que, de tempos em tempos na história humana, são privilegiados por serem tão receptivos à Divina abundância, que recebem poder profético. E até mesmo com relação ao poder profético, podemos diferenciar níveis. Há profetas aos quais a profecia chega como uma visão transitória: sentem que um poder maior os obriga, produzindo-lhes imagens e ideias. Num nível mais alto está a Shekhinah "que fala na garganta", quando durante toda sua vida, o profeta está de alguma maneira ligado com a vontade divina e ele próprio serve de instrumento de revelação. E no nível mais alto da santidade estão as pessoas que atingiram um estado no qual toda a sua personalidade e todas as suas ações estão inseparavelmente unidas à santidade divina. Dessas pessoas, dizem que se tornaram uma "carruagem" para a Shekhinah, e como a Carruagem, estão totalmente entregues Àquele que está sentado no lugar do motorista, o trono da glória, e constituem uma parte do trono da glória em si mesmo, apesar de serem carne e sangue, homens como todos os outros homens.

A vida de uma pessoa sagrada torna-se um exemplo e um modelo para que todos os homens o sigam. E uma pessoa sagrada pode ser um grande rei, ou um santo zaddik, um sábio ou um líder de sua época. Mas ele pode ser também um dos santos ocultos, cuja santidade não é reconhecida pelos homens. Mas, seja qual for a maneira pela qual a santidade se mostrar, e não importa o quanto ela possa ser intrínseca à personalidade do homem, ela ainda depende dessa conexão com a abundância divina.

O homem comum a quem foi concedido o contato com a pessoa sagrada, é assim colocado num certo contato com a verdadeira santidade. Neste sentido, quanto mais alto for o nível da santidade de uma pessoa sagrada, mais ela será como um anjo (e de certo modo até mais que um anjo), agindo com um veículo da santidade, transmitindo abundância divina de um mundo para outro, e concedendo essa abundância divina a quem escolher, através de suas bênçãos, suas ações e suas orações. O indivíduo que fizer contato interno com essa pessoa sagrada, mostrando-lhe amor e devoção, estará apoiando o fluxo da abundância divina no mundo. Foi isto que a tradição judaica quis dizer, desde tempos imemoriais, quando se mostrou devoção a essas pessoas que são superiores em santidade, ou que têm uma aura de santidade. O presente é dado a esses homens abençoados, para criar uma espécie de laço que os atrairá para mais perto, esteja essa pessoa santa conectada com Deus por ser um grande estudioso da Torá, ou seja ele apenas um indivíduo santo em sua vida. Honrar, reverenciar e amar a pessoa santa é uma mitzvah em si mesma, além de servir como meio de contato direto com a santidade. E do mesmo modo que a conexão interior com a santidade de lugar ou tempo consagra e eleva a pessoa, também o faz a pessoa santa — apesar que, com certeza, o fator adicional da transferência consciente da bem-aventurança torna esse contato o mais comovedor e consequencial de todos os relacionamentos humanos.