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Wei Wu Wei

Fantoche

Se alguém procura livrar-se de, ou mesmo transcender, um falso eu, ego ou personalidade, com isso aceita como fato a existência de tal entidade e, assim fazendo, confirma o seu domínio — (uma restrição pode ser real ou imaginária, como a do bico da galinha mantido por uma linha de giz).

Daquilo de que precisamos nos livrar, ou transcender, é do conceito falso pelo qual presumimos a existência dessa entidade. Basta olhar com penetração para perceber que, de fato, não há em nós nada que corresponda ao conceito de uma entidade — em nosso caleidoscópio sempre mutante de impulsos eletrônicos, interpretados na falsa perspectiva de uma sequência temporal. Um campo de força pulsante não é uma entidade a ser transcendida — não mais do que o vapor que sai do bico de uma chaleira, ou o ser aparentemente vivo que resulta da projeção rápida e consecutiva de “quadros parados” (ou quanta) numa tela de cinema.

Não há, nem poderia haver, qualquer entidade; o Buda baseou sua doutrina nessa realização. Portanto, não há nada de que nos livrar, nem nada a transcender — exceto um conceito errôneo...

Wei Wu Wei Porque Lazaro Riu