Depois disso, como poderiam participar de tais discussões?
Uma diferença essencial entre um Jivan Mukta e um homem comum não iluminado é que o primeiro transcendeu a dualidade inerente à aparente contradição entre livre-arbítrio e determinismo.
O Jivan Mukta, tendo abandonado o conceito de ego, sob o qual o homem comum vive, não possui vontade que possa divergir da harmonia completa com a ordem cósmica; ele “quer” o que deve ser, sem qualquer forma de resistência (pois nele já não há mecanismo psíquico capaz de resistir), ao passo que o homem comum, sujeito ao seu conceito de ego, é incapaz de perceber o que deve ser, e procura substituir tal percepção pelos desejos agregados ao seu “ego” artificial, que imagina ser livre para satisfazer, se puder.
Nenhum dos dois é “livre” no sentido em que o homem comum entende, mas o primeiro não experimenta falta de “liberdade” nem qualquer constrangimento, enquanto o segundo passa a vida em um conflito imaginário, uma luta contra moinhos de vento, tentando afirmar uma “liberdade” que de modo algum poderia possuir.
É por isso que o Jivan Mukta vive sem conflito e geralmente se dedica a ajudar os não iluminados a libertarem-se de seus erros mediante a transcendência do conceito de ego, pois nesse plano — o plano da compreensão —, sendo a compreensão real de uma dimensão ulterior não sujeita ao mecanismo de espaço-tempo, até mesmo o homem comum é “livre” (da referida mecanicidade) para livrar-se de sua ignorância.