Se a teologia afirmativa prescreve os
atributos de Deus (Deus é o Bem, o Ser, a Beleza, a Vida, o Saber etc.), a
teologia negativa, consequentemente, nega esses mesmos atributos: Deus não é o
Bem, nem o
Ser, nem a
Beleza, nem a
Vida, nem o
Saber etc.). Todavia, longe de incorrer em aberta contradição, os métodos catafático e apofático possuem um papel correlativo. Mas em que sentido? É evidente que não se trata simplesmente de negar o que antes tinha sido afirmado de Deus, mas, sim, de uma clara e "racional" percepção de que
Deus transcende infinitamente as possibilidades do conhecimento humano. O método negativo, ao contrário do afirmativo, é ascendente, e as negações se elevam dos atributos mais humildes aos mais nobres: "pois quanto mais nos elevamos ao alto, tanto mais as palavras se contraem ao divisar e contemplar os
seres inteligíveis".
Na realidade, a negação dionisiana é peculiar: trata-se de uma negação não privativa, mas de excelência, de superação, de superabundância, de transcendência — kath hyperokhén, hypérokhos. Assim entendida, a teologia negativa é um método de "superafirmação", ela é um além categorial, uma espécie de katharsis (purificação) de nossos conceitos humanos. E preciso entendê-la no sentido de uma afirmação trans-humana, pois seu objeto escapa a todas as nossas categorias, a todas as nossas afirmações e a todas as nossas negações. A afirmação só valerá na medida em que for penetrada pela preferível negação, que orienta diretamente para o Inefável.
Assim, por exemplo, segundo DN IV, 697 A, o próprio
Bem é ao mesmo tempo privado dos atributos de
ser ou
substância (
ousia), de
vida (zoe) e de
sabedoria (
sophia). Ele é "sem substância" (tò anoúsion), "sem vida" (ázoon) e "sem inteligência" (tò ánoun) e possui uma "superabundância de substância" (hyperbolé ousías), uma "vida superior" (hyperékhousa zoé) e uma "sabedoria transbordante" (hyperairousa sophia). As categorias fundamentais de
Ser,
Vida e
Sabedoria são negadas de Deus ou do
Bem, porque Ele as possui de uma maneira supereminente (hypérokhos). Só os atributos divinos tomados por a (alfa privativo) ou por hypér traduzem o movimento de abstração de tudo e de superação de tudo que caracteriza a predicação do Bem que é verdadeiramente supersubstancial (óntos hyperoúsios).