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id da página: 8997 ESTADO GLÓRIA

Estado de Glória



Ananda Coomaraswamy: O QUE É CIVILIZAÇÃO?

La interpretaclón que hace Filón de la «gloria» tiene un equivalente exacto en la India, donde los poderes del alma son «glorias» (sriyah) y colectivamente «el reino, el poder y la gloria» (sri) de sus poseedores reales; y por consiguiente, toda la ciencia del gobierno es la ciencia del control de estos poderes 1 . Se trata enteramente de una relación de lealtad feudal, donde los súbditos traen el tributo y reciben la largueza — «Tú eres nuestro y nosotros somos tuyos» (Rig Veda Samhita VIII.92.32), «Seamos nosotros tuyos para que tú nos des el tesoro» (ídem V.85.8, etc.)2 .

DA PERTINÊNCIA DA FILOSOFIA

..."as coisas que pertencem ao estado de glória não estão sob o sol" (Santo Tomás de Aquino em Sum. Theol. III, Supl. q.I, a.I), isto é, não estão em nenhum modo do tempo ou do espaço; podemos melhor dizer que "é através do meio do Sol que se escapa inteiramente" (atimucyate, Jaiminiya Upanixade Brahmana 1.3), donde o sol é "a porta dos mundos" (loka-dvara), (Chandogya Upanixade, VIII.6.6), a "porta através da qual todas as coisas voltam perefeitamente livres a sua felicidade suprema (purnananda). . . livres como a Divindade Suprema na sua não-existência" (asat), de Mestre Eckhart, a "Porta" de São João X, a "porta do Céu que Agni abre" ou svargasya lokasya dvaram avrnot (Aitareya Brahmana, III.42) (nenhum ecleticismo aqui). É certo que aqui nos encontraremos de novo inevitavelmente com uma distinção que de modo algum podemos passar por alto, entre a formulação religiosa e a formulação metafísica. Como já vimos, o conceito religioso da felicidade suprema culmina na assimilação da alma à Divindade em ato, posto que o ato próprio da alma é um ato de adoração mais do que um ato de união. Assim mesmo, e sem incongruência, posto que se assume que a alma individual permanece numericamente distinta igualmente de Deus e de outras substâncias, a religião oferece à consciência mortal a promessa consolatória de encontrar lá no Céu não somente a Deus senão aqueles a quem amava na terra, e de poder recordar e reconhecer.

Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 5
A glória do Senhor é segundo se afirma, a luz que está diante de sua face (Salmo 17:15), aquela que o saltério se refere quando confirma ainda em Salmo 4:6. Na versão grega e na Vulgata se traduz este texto como « A Luz de tua face está selada em nós », selo que não é outro — se diz — que a imagem da face de Deus impressa, mediante a ação daquela luz no homem pneumático, espiritual, criado por Deus à sua imagem.

Dito de outra maneira: o homem leva impresso em seu espírito ou essência a face de Deus, porque o homem pneumático é (está feito a) imagem de Deus. Inspirado, ou conduzido pelo débil, longínquo, resplendor desta imagem de Deus, o homem de abaixo, o Adão Psíquico, busca a face de Deus: Salmo 27:8; Salmo 105:4; Salmo 24:6. Como explica Paulo: 1Co 13:12. O que o Apóstolo pretende alcançar é uma contemplação face a face, quer dizer, desde a face em imagem que somos enquanto homem pneumático, frente à face original do Ser, de Deus. O que ocorre é que tal contemplação só é possível quando esse "mistério" que leva ao nascimento em água e espírito tenha sido culminado. Tal nascimento é o selo batismal que converte manifestamente em um filho da luz, em luz da Vida, ao homem em Cristo: Lc 16:8; João 8:12; 1Th 5:5.

Evangelho de Tomé - Logion 40
E de que outra maneira poderia ser visto o Filho do homem senão como glória? Na teofania da Transfiguração, quando Moisés e Elias aparecem em glória com Jesus, é descrita a Glória pelos evangelistas como uma brancura fulgurante (Lc), resplandecente (Mc), ou bem, segundo diz Mateus em uma tentativa de distinguir o Ser da vestimenta do Ser, a luz de seu resplendor: "sua face brilhante como o sol e seus vestidos brancos como a luz" (Mt 17,2)

A presença de Moisés e Elias no alto monte, na glória inseparável com Jesus, quer dizer, em glória que não admite ser separada em tendas individuais, diferenciadas, é um testemunho da unicidade do Filho do homem em sua desnudez pura de ser Glória, de ser o manto de luz no qual o Pai se veste 3

Também os profetas Ezequiel e Daniel revelarão, no Dia de sua teofania, ao Filho do homem, enquanto seu ser verdadeiro, a essência desnuda da mortal condição humana. Nesse Dia ambos viram a Glória que descrevem em suas escrituras respectivas como o “fulgor do electro”, como um “rio de fogo” (Dn 7,11-13).


NOTAS:
1 Arthasastra I.6; ver mi Spiritual Authority and Temporal Power in the Indian Theory of Government, 1942, p. 86). Non potest aliquis habere ordinatam familiam, nisi ipse sit ordinatus (nadie puede tener orden en su familia, a no ser que lo tenga primero en sí mismo), San Buenaventura, De don. S. S. IV.10.V, pág. 475; y esto se aplica a todo el que se propone gobernarse a sí mismo, a una ciudad o a un reino.
2 Sobre bhakti («devoción», o mejor quizás «lealtad», y literalmente «participación») en tanto que relación recíproca, ver mi Spiritual Authority and Temporal Power in the Indian Theory of Government, 1942, nota 5 y mi Hinduism and Buddhism, 1943, p. 20.
3 Tu que te cobres de luz como de um manto, que estendes os céus como uma cortina. (Sal 104,2)