DAMIANI, Anthony. Astronoesis: philosophy’s empirical context : astrology’s transcedental ground. New York: Larson Publications, 2016
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A natureza paradoxal do Poder do Uno e a sua relação com a produção do Múltiplo
- Plotino caracteriza o Poder infinito e indeterminado do Uno como idêntico ao seu conhecimento puro e indiferenciado e, simultaneamente, como radiante a partir dele.
- Por um lado, o Poder e o conhecimento indiferenciado são sinônimos, mantendo o Uno a sua simplicidade.
- Por outro lado, distingue-os, sendo o Uno a fonte de todas as distinções e substâncias encontradas no Todo.
- Qualquer abordagem para definir o Uno e explicar como produz o Todo deve invocar o seu Poder para cumprir e sustentar simultaneamente esta visão dupla, o paradoxo último que é o Absoluto não dual.
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O duplo significado do Poder: ato interno e ato emanado
- O Poder tem um significado duplo: como "poder completante" que não produz nada de novo dentro do Uno, coincidindo e sendo indistinguível dele.
- Esse mesmo Poder flui ou emana do Uno, num processo completamente impessoal, excluindo qualquer volição pessoal da Divindade.
- Plotino afirma que "o Ato da Essência" e o "Ato que emana da Essência" estão em tudo: o primeiro Ato é a própria coisa na sua identidade realizada, o segundo Ato é uma efusão que inevitavelmente segue o primeiro, uma emanação distinta da própria coisa.
- No divino, esta forma dupla de ato manifesta-se: o divino permanece no seu próprio ser imutável, mas da sua perfeição e do Ato incluído na sua natureza emana o Ato secundário ou emissor.
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A Díada como Potencialidade indeterminada e "matéria" do Uno
- A Díada é, relativamente a essa esfera, indeterminada, representando o substrato ou "matéria" do Uno.
- O Poder que emana do Uno, ou seja, o Princípio Intelectual indeterminado, é a "matéria" que será moldada pelos aspectos indivisíveis ou modelos transcendentais encontrados no Uno.
- O termo "matéria" refere-se aqui à indeterminação do Poder, à sua receptividade e à sua capacidade de incluir e transmitir a natureza complexa do Uno, com um significado diferente em cada hipóstase.
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A externalização do Poder e a formação do Princípio Intelectual (Nous)
- O Poder emanado do Uno é a potencialidade para o Princípio Intelectual.
- Esta potencialidade é determinada pelos paradigmas transcendentais dentro do Uno, tornando-se, ao mesmo tempo, o sujeito e a sua determinação, o objeto.
- O Poder emanante contém e inclui reflexivamente os modelos transcendentais ou as Ideias, sendo uma externalização ou efluxo da interioridade complexa dos aspectos indivisíveis da Perfeição Suprema.
- Este efluxo de Poder inclui, assim, a autodeterminação, sendo o Princípio Intelectual, marcado a partir de dentro, e podendo ser considerado como moldado ou como a "matéria" do Uno.
- Consequentemente, o Princípio Intelectual, na sua totalidade, exibirá os paradigmas transcendentais ou aspectos indivisíveis do super-conhecimento dos quais todas as unidades dentro do Ser estão suspensas.
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A importância da distinção verbal para a clarificação filosófica e prática
- Estabelece-se tentativamente esta distinção verbal entre o Uno e o seu ato emanante para clarificação, pois estes princípios superiores serão majestosamente duplicados no reino da manifestação universal.
- Esta distinção dará origem, em última análise, à verdade prática, juntamente com a Verdade Única, e a sua não compreensão seria causa de confusão e obscuridade semântica na esfera relativa.
- Compreender a natureza destes princípios e a sua aplicação precisa é necessário para responder às questões práticas da filosofia.
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As implicações metafísicas da visão plotiniana do Uno-e-seu-Poder
- Se o poder que produz o mundo fosse outro que não o Uno, resultaria num dualismo metafísico último entre o Uno e os produtos desse Poder.
- Se, por outro lado, o Poder fosse ilusório, então todos os seus produtos, incluindo o próprio Princípio Intelectual, seriam ilusórios.
- Nenhuma destas alternativas – dualismo metafísico ou ser ilusório – é aceitável para Plotino.
- Para Plotino, o Uno-e-seu-Poder está acima de tudo e sustenta e inclui simultaneamente níveis menores de realidade que não são autossuficientes nem ilusórios.
- Através da compreensão deste princípio do Poder, pode-se tornar disponível à mente o que se refere como a dupla verdade: a realidade não dual não exclui a dualista, mas inclui e suporta este valor, que não é aniquilado por um intelecto cego e onívoro.
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A Perfeição e a Autossuficiência do Uno como fonte da sua superabundância produtiva
- A perfeição e a autossuficiência implicam uma abundância inconcebivelmente vasta de poder.
- A sua plenitude concentrada, descrita como uma quietude completa, não implica qualquer passividade ou imobilidade cadavérica, nem é uma matriz luminosamente quiescente de meras potencialidades.
- O Uno é plenamente atual, estando interiormente grávido de tudo o que é verdadeiro, "produzindo" pela sua própria perfeição e Poder infinito, não por qualquer necessidade de uma completude a ser atingida fora de si.
- Não "precisa" da criação; a "criação" é o resultado inevitável da sua superabundância, não tendo necessidade dos seus produtos, nem mesmo de produzir.
- Ao longo de toda a produção que inevitavelmente se segue, o Uno permanece imóvel; toda a produção possível já é transcendentalmente atual e realizada dentro do seu próprio Poder infinito, sendo esta a Verdade.
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O duplo caráter observável do Uno: Quietude e Ato infinito
- Considerando o Poder idêntico à natureza do Uno, observa-se um duplo caráter: 1) a quietude completa ou perfeição passiva do Transcendente, e 2) o seu Ato infinito, a sua pura indeterminação, a profundidade da sua atividade infinitamente ilimitada como uma autodireção eternamente alcançada.
- O seu ser é constituído por esta autodireção autogerada – simultaneamente Ato e repouso –, pois inclinar-se para algo fora de Si mesmo destruiria a identidade do seu ser.
- Este Ato autodirigido é, portanto, o seu ser peculiar, uno com Si mesmo, criando-se a Si próprio porque o seu Ato era inseparável de Si.
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A coincidência dos princípios complementares no interior do Uno
- Estes dois princípios últimos, ato e repouso, polarizados inevitavelmente pelo nosso pensamento, devem ser reconhecidos como coincidindo dentro da completude absoluta do Uno.
- Este tema paradoxal é uma variante mística exquisita, universalmente difundida nas declarações da filosofia perene, podendo ser correlacionado com visões semelhantes, como perfeição passiva e ativa, substância e função, yin e yang.
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A acomodação da linguagem e a necessidade de transcender os conceitos temporais
- Ao descrever a eternalidade e a completude da "interioridade" do Simplex, Plotino acomoda o nosso modo limitado de entendimento, expressando o eternamente alcançado em termos de temporalidade e causalidade.
- Estes termos devem cancelar-se a si mesmos para se obter alguma intuição da interioridade intemporalmente fixa, perfeita e completa do Uno.
- Sem isto, incorre-se no erro de conceber o Uno Eterno como estando em processo de evolução e melhoria com o desenvolvimento da Ideia-Mundo.
- O intelecto deve ser como um pássaro que não deixa vestígio ao voar pelo ar, dissolvendo as suas próprias operações no repouso no qual avança.
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A sinonímia entre o Uno-Único e a Perfeição Completa não dual
- É axiomático que o Uno-Único e a perfeição totalmente completa não dual devem ser tomados como literalmente sinônimos.
- Dentro do Uno em si não pode haver mudanças, processos, operações, arranjos ou combinações de qualquer tipo, nem mesmo a relatividade universal das Formas encontrada no Princípio Intelectual.
- O Uno não está, de modo algum, a tornar-se algo; a sua perfeição e o Ato nela incluído são indivisíveis, não envolvendo qualquer sequência ou rearranjo temporal.