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id da página: 9784 Charbonneau-Lassay – Bestiário do Cristo - Ovo do Mundo e Ouriço Charbonneau Lassay

Charbonneau-Lassay Ovo do Mundo


CHARBONNEAU-LASSAY, Louis. Le Bestiaire du Christ. Paris: Desclée de Brouwer, 1934

O ouriço e o "ovo do mundo" dos antigos

I. O ovo do mundo na Ásia antiga

  • Origem da ideia do ovo simbólico em regiões com conhecimentos astronómicos avançados

    • Surgimento na Caldeia, Susiana e Báctria, onde se conheciam as grandes leis astronómicas e se criou o Zodíaco
    • Definição inicial do "Ovo do mundo" como o espaço dentro da linha delimitadora do itinerário elíptico da rotação terrestre em torno do sol
  • Envolvimento da concepção primitiva em ficções simbólicas e interpretações fantasistas durante sua disseminação

    • Permanência da concepção no Extremo Oriente: narrativas bonzos sobre o mundo encerrado num ovo misterioso flutuante
    • Representação do Caos na cosmografia japonesa pelo Touro lunar quebrando o ovo de ouro
  • Semelhanças com o Brahmânda hindu contido nas águas primordiais

    • Chocagem pelo cisne misterioso, veículo de Brahma, o Embrião de ouro
    • Exposição de René Guénon sobre a operação do Espírito universal projetando o raio celeste portador da centelha divina
  • Cosmogonia da Upanishad descrita por G. Clémenceau: metamorfose do Todo num ovo que se divide em ouro (céu) e prata (terra)

    • Narrativa dos Vedas sobre a criação das águas, depósito de uma semente transformada em ovo de ouro, e nascimento de Brahma
  • Conhecimento de um ovo divino pelo Mazdeísmo da Pérsia, relacionado apenas à ação criadora de Ormuzd

    • Relação do símbolo Yin-Yang extremo-oriental com o ovo do mundo saindo do caos primordial, segundo alguns orientalistas
    • Interpretação do Yin-Yang como imagem do ovo do mundo portando germes alternados de vida e morte
  • Representação iconográfica do ovo do mundo na Assíria antiga como corpo globular

    • Interpretação centrada na propagação da vida no quadro da atividade solar
    • Conceptualização sírio-fenícia do Ovo do mundo situado sobre as águas, por vezes nas patas de Ea, o deus capricórnio marinho

II. O ovo do mundo entre os egípcios

  • Adoção egípcia da concepção simbólica do Ovo do mundo para representar a entrada da vida no domínio criado

    • Representação iconográfica com forma globular
    • Desenvolvimento de várias teorias alegóricas ligadas a entidades do panteão egípcio
  • Exposição de Gompers sobre a teoria do Espírito divino primitivo formando espontaneamente um ovo a partir das águas primordiais

    • Saída da luz do dia (Ra) do ovo como causa imediata da vida terrestre
    • Atribuição da criação do Ovo do mundo ao deus Ptah, o pai da vida, que o teria modelado como um oleiro
  • Atribuição do Ovo do mundo a Knoum ou Kneph, a mais antiga denominação de Amon, que o teria gerado pela boca

    • Ligação ao simbolismo do Verbo segundo René Guénon
    • Relato de Auriger, após Dom Pernety, sobre a ficção egípcia da saída do Ovo do mundo da boca de uma serpente divina, metamorfose de Knoum
  • Simbolização perene do Ovo do mundo no hieratismo egípcio pela bola estercorária do escaravelho divino

    • O escaravelho, Kêpra, como representação do Ser e da Existência em perpétuo devir
    • Representação do escaravelho empurrando o disco emblemático do Ovo do mundo caracterizado pelas "chaves de vida"
  • Função da deusa Héquet ou Hiqit, de cabeça de rã, de parir perpetuamente o Ovo do mundo

    • Simbolismo do estado embrionário e atributo da chave da vida (Ankh)
    • Identificação por Chérémon como deusa do renascimento e da ressurreição
  • Síntese da egiptologia: o Ovo do Mundo como símbolo do princípio vital e da ressurreição

    • Produção pela Palavra do Espírito divino ou pela boca de Knoum
    • Ligação ao dogma egípcio do "Verbo Criador" e relação com o Cristo eterno

III. O ovo do mundo na Europa antiga

  • Empréstimo da concepção do Ovo do mundo aos Trácios pelos Gregos através do Orfismo

    • Geração pela noite caótica de um ovo sem germe, dando origem ao Céu (Ouranos) e à Terra (Gaia)
    • Nascimento do Amor (Eros) como abstração divinizada do instinto gerador após longa revolução de anos
  • Variante órfica atribuindo o Ovo cósmico à união do Caos e do Éter, emanantes de Chronos

    • Designação de Chronos como "Princípio inefável de todas as coisas" por Proclo
    • Saída do ovo de um ser personificando a Luz, a Vida e a Inteligência
  • Explicação de Gompers da cosmogonia de Ferécides de Siro sobre a origem do mito do Ovo do mundo

    • Analogia entre a curvatura do céu e a forma do ovo
    • Teoria da quebra de um ovo primordial formando a abóbada celeste e a terra com seus seres
  • Definição de Plutarco do ovo órfico como símbolo misterioso do mundo nos mistérios de Dionísio

    • Atribuição de uma origem hiperboreal ao ovo e sua simbolização pelo ovo de cisne, sem relação com o ovo de Leda
  • Ligação do ovo cósmico a Zagreu, a Serpente cornuda, produto da união simbólica de Zeus e Perséfone

    • Estudo de Salomon Reinach posicionando Zagreu como imagem da vida e do renascimento
    • Narrativa do despedaçamento por Titãs, devoração e renascimento a partir do coração salvo por Atena
  • Exposição de Eusébio no século IV sobre a cosmogonia de Sanconíaton

    • Princípio de todas as coisas como uma massa aquosa (mot) em forma de ovo
    • Transformação em luminosa e produção da terra, lua e constelações

IV. O ovo do mundo na Gália nos tempos pré-cristãos

  • Clareza da ideia do Ovo do mundo entre os Druidas das Gálias

    • Explicação por relações alegadas entre colégios druídicos e gregos, ilírios e trácios
    • Alegações de que os Druidas foram mestres de Pitágoras ou mantiveram relações com ele
  • Passagem de Plínio sobre o "Ovo de serpente" (Ovum Anguinum) dos Druidas

    • Descrição da formação de uma bola por serpentes entrelaçadas no verão
    • Rituais de lançamento ao ar por assobios, captura em pano branco e fuga a cavalo
  • Confirmação moderna do fenômeno de aglomeração de serpentes no final do verão

    • Exemplo de M. Nourrisson em Coulonges (Deux-Sèvres) e observações em Mallièvre (Vendée)
  • Sobrevivência de crenças druídicas em regiões francesas até o século XIX

    • Narrativas na Sologne, Forez e Berry sobre reunião de serpentes e formação de um diamante polido
    • Ligação à fortuna fabulosa de Jacques Cœur
  • Questionamento sobre a relação entre as lendas druídicas e representações de serpentes entrelaçadas no mundo antigo

    • Rapprochement de Gustave Chauvet com esculturas de igrejas românicas
  • Identificação do ouriço do mar fossilizado como emblema do Ovo do mundo e do Ovum anguinum druídico

    • Descrição de Plínio de um "ovo de serpente" com características de ouriço
    • Interpretação do "ovo de cristal" dos grandes Druides como ouriços fossilizados cristalizados
  • Comprovação arqueológica do ouriço fóssil como Ovum anguinum em sepulturas pré-cristãs das Gálias

    • Exemplo do tumulus du Poiron em Saint-Amand-sur-Sèvre: ouriço encerrado numa capse de pedra
    • Outros exemplos em túmulos bretões, neolíticos e gauleses, interpretados como cenotáfios
  • Crenças adicionais atribuídas ao ouriço entre gauleses romanizados no tempo de Plínio

    • Talismã para ganhar processos e captar favor dos juízes
    • Condenação à morte por Cláudio de um cavaleiro portando ouriço
    • Superstições relativas à preservação contra raios e granizo
  • Teorias sobre representações emblemáticas neolíticas do serpente e do ovo por alinhamentos de menires

    • Exemplos de Avebury e Carnac, com o cromlech representando o Ovo do mundo e a constelação do Dragão
    • Extensão da teoria a outros símbolos líticos em França, Escócia e África do Norte
  • Problema dos ouriços antropocéfalos com traços humanos gravados

    • Exemplares de Abbeville, perto de Arras ("cabeça do Menino Jesus") e região de Cholet
    • Questionamento sobre a intenção simbólica de reforçar a ideia de vida e princípio vital

V. O ouriço na Gália depois da introdução do cristianismo

  • Persistência do uso de ouriços fósseis como emblemas do princípio vital em sepulturas galo-romanas

    • Fabricação de vasos de terra ou vidro (echinus) ornamentados imitando ambulacros de ouriços
    • Exemplos de Saintes e Saint-Michel-Mont-Mercure
  • Substituição do ouriço comum por outros fósseis em sepulturas merovíngias

    • Utilização de Isaster aquitanicus e Madrepora neptuna no Cemitério Velho de Loudun
  • Prolongamento do uso emblemático multissecular no Poitou até após a organização das paróquias rurais

    • Descoberta de ouriço fóssil na mão direita de um esqueleto galo-franco perto de Luc-de-Saint-Marsault
    • Outro exemplar em Saint-Just-sur-Dive com prato ornamentado com a perseguição mística do Veado
  • Interpretação cristã do ouriço como símbolo do princípio de vida e do germe divino de sobrevivência por ressurreição

    • Identificação com Cristo como "o primogénito dentre os mortos", a vida e a ressurreição
    • Aplicação pela Igreja de passagens proféticas sobre o "germe de Yahweh" e o "germe de David"
  • Relação com o Verbo divino como princípio de todas as coisas, tal como simbolizado pelo Ovo do mundo

    • Proclamação por São João do Verbo como origem da vida e criador do mundo
    • Continuidade do simbolismo do ouriço fóssil antes e depois do advento do Verbo feito homem
  • Expressão de crença na ressurreição através do ouriço colocado em túmulos cristãos

    • Exemplos de Saint-Marsault, Loudun e Saint-Just-sur-Dive
  • Não adoção oficial do ouriço na emblemática eclesiástica, mas sua preservação por grupos religiosos

    • Uso pelos Albigeois do século XII como emblema do Verbo feito homem
    • Interpretação baseada no simbolismo platónico da "túnica ostreica" exposto por Jâmblico
  • Interpretação ascética albigense baseada na abertura bucal pentagonal do ouriço

    • Correspondência com o Signaculum oris maniqueu e os cinco sentidos
    • Questionamento sobre influências célticas e relação com o Pentagrama de Pitágoras
  • Uso piedoso de ouriços fósseis trazidos da Palestina pelos Cruzados, denominados "Pedras da Judeia"

    • Interpretação no hermetismo como imagem do hemisfério norte terrestre ou símbolo de renascimento
    • Adoção pela Maçonaria antiga como símbolo de morte e ressurreição
  • Superstições diversas associadas ao ouriço fóssil na França e na Inglaterra

    • Uso na baixa feitiçaria meridional e como fetiche da magia branca
    • Veneração como porta-bons familiares em Chamalières, Auvergne
  • Lenda do norte de França sobre os "Pães do Menino Jesus" como ouriços fossilizados

    • Narrativa da multiplicação de pães decorados com pontos pelos anjos
    • Transformação em pedra para preservação e portação de boa sorte
  • Conclusão sobre o significado religioso do ouriço nos túmulos cristãos

    • Representação da crença indelével na ressurreição através de Cristo
    • Realização da palavra inspirada sobre a destruição final da Morte