Titus Burckhardt: INTRODUÇÃO ÀS DOUTRINAS ESOTÉRICAS DO ISLÃ
Este conocimiento del propio arquetipo no es otro que el Sí (Atman), de acuerdo con una expresión tomada de la doctrina Hindú, o de la Aseidad o Ipseidad (al-huwiyya), según una expresión sufí. Este conocimiento puede llamarse «subjetivo» de manera divina, ya que supone la identificación —definitiva o incidental— del espíritu con el «Sujeto» divino, y no que Dios se presente en él como el objeto de la contemplación o el conocimiento. Por el contrario, es el sujeto relativo, el ego, quien será entonces —en su posibilidad principial— «objeto» respecto al Sujeto universal y absoluto, el único que es, en la medida en que semejantes distinciones son aplicables al «plano divino».
El «punto de vista» contenido en el conocimiento del Sí es, en cierto modo, el contrario del que implica la contemplación «objetiva» de Dios, en Sus Nombres y Sus Cualidades, aunque no se pueda relacionar esta última visión con el sujeto relativo como tal, pues no somos nosotros quienes contemplamos en realidad a Dios, sino Dios mismo quien Se contempla en Sus Cualidades de las que somos soportes de manifestación.
Michel Henry: EU SOU A VERDADE
A profundidade da intuição cristã é de tornar clara a inanidade destas concepções (a noção de vida e indivíduo do Romantismo). O indivíduo não pode se identificar à vida universal senão sob a condição da manutenção e não do desaparecimento de uma Ipseidade essencial — e isso nele tanto quanto na vida ela mesma. Nele, falta do que, longe de poder se unir à vida universal, ele seria aniquilado. Nela, porque é somente à condição de levar em si esta Ipseidade tão antiga quanto ela, que a Vida pode ser a Vida. Tal é a intuição abissal do cristianismo: a Ipseidade transcendental como condição do Indivíduo assim como da Vida. De sorte que o primeiro não é possível sem o segundo, assim como o segundo sem a Ipseidade do primeiro. Ora esta conexão decisiva, o cristianismo não a estabeleceu a respeito de nenhum indivíduo particular nem de nenhuma vida particular. Ele a apreendeu no princípio, na primeira fulguração da Vida, aí onde ela se auto-engendra em sua Ipseidade essencial.
De Ipseidade só há na Vida. A Ipseidade não se encontra na vida como a erva no campo ou a pedra no caminho. A Ipseidade pertence à essência da Vida e a sua fenomenalidade própria. Ela tem nascimento no processo de fenomenalização da vida, o processo de sua auto-afeção patética, e como o modo mesmo segundo o qual esta se cumpre. A Ipseidade é aquela do Arque-Filho transcendental e só existe nele, como o que engendra necessariamente nela a vida em se engendrando ela mesma. A Ipseidade está com a vida desde seu primeiro passo, pertence ao primeiro nascimento. Ela se mantém neste Arque-nascimento, o torna possível, só inteligível na sua fenomenologia. A Ipseidade é o Logos de Vida, aquilo em que e como que a Vida se revela em se revelando a si. A Ipseidade está no princípio e vem antes de todo eu transcendental, antes de todo Indivíduo. Antes de Abraão. Mas todo Indivíduo procede desta Ipseidade e não é possível sem ela. Nesta Ipseidade de antes do mundo. Nesta Ipseidade tão antiga quanto a vida, eterna como ela. Se por homem entendemos, como habitualmente, o indivíduo empírico, aquele cuja individualidade se atém às categorias do mundo, ao espaço, ao tempo, à causalidade, em resumo se o homem é este ser do mundo inteligível na verdade do mundo, então deve-se tomar seu partido: este homem não é uma Ipseidade, ele não porta nele nenhum Si, nenhum “eu”. O indivíduo empírico não um Indivíduo e não pode o ser. Um homem que não é um Indivíduo e que não é um Si, não é um homem. “O homem do mundo não é senão uma ilusão de ótica. O «homem» não existe”.
A falha de toda concepção mundana do homem restabelece às teses à primeira vista desconcertantes desta fenomenologia radical da vida que é o cristianismo em sua profundidade abissal. Do homem que seja um, que possa ser um homem — do homem que seja um Indivíduo, um Si e um eu, não há com efeito senão o Cristo, a saber na Ipseidade original co-engendrada pela Vida em seu auto-engendramento. Esta inteligência do homem como Filho da Vida no Arque-Filho e na Ipseidade original desta Vida, torna caduca e mesmo algo ridícula a concepção do homem da ideologia objetivista moderna, quer seja aquela do sentido comum ou aquela do cientismo, a primeira sendo a princípio amplamente pervertida pela segunda.
Até onde vai a conexão originária essencial da Ipseidade e da Vida, é o que a parábola de João na qual o Cristo declara ser a porta do redil das ovelhas dá a entender (Pastor e Ovelhas). Por um lado, é verdade, a Ipseidade nasce na vida; é em se lançando em si mesmo que a vida gera esta Ipseidade na qual, se restringindo ela mesma, ela advém a si. Uma reviravolta extraordinária se produz no entanto quando, se identificando à porta que dá acesso às ovelhas, o Cristo se apresenta ao contrário como aquele que dá à vida de se nutrir, de se nutrir de si, de crescer e de acrescer de si e assim de ser vivente: “Sou eu que sou a porta: aquele que por mim entrar .... irá e virá e encontrará pasto...”. E é então que se produz a reviravolta: o Cristo não mais como engendrado na vida mas como aquele que a dá. Não mais como o Filho — o Primeiro certo, o Arque-Filho. Não mais como um vivente — o Primeiro certo, o Primeiro Vivente. Não mais como um vivente que pressupões sempre a vida e não é possível senão a partir dela. Mas como Aquele que, mais alto aqui que a vida de certa maneira, tem poder sobre ela, poder de a dar e assim de a engendrar. Esta geração não mais como transmissão da Vida ao Vivente, mas de alguma maneira do Vivente à vida, ela é formulada incontestavelmente e eis, depois que o Cristo é designado como a porta, a palavra mais estarrecedora da parábola: “Eu vim para que se tenha a vida” (Pastor e Ovelhas).