VIDE: Verão; João Batista
Pierre Stables: DUAS CHAVES INICIÁTICAS DA LEGENDA DOURADA: CABALA E I-CHING
Não é por acidente que a respeito de João Batista e do solstício de verão a Legenda Dourada nos fala de um sintema do Logos. Do mesmo modo, não é por acidente que o I CHING nos fala justamente do Logos a respeito do solstício de verão no Hexagrama 1 ䷀: o dragão Long representa a inteligência imaterial, sem corpo, o espírito (Ling). Sabe-se que o dragão Long é o Logos, Isso foi dito por Philastre e confirmado depois.
Tudo isso obriga a pensar no processo da salvação dos não-cristãos. O Taoismo pode portanto conduzir pelo Logos que age nele, e que ele reconhece, a uma realização espiritual autêntica. Mas é preciso para isso uma extrema pureza (de onde os regimes e a ginástica especial), uma força ativa considerável no exercício das obras caritativas, e também dos meios exteriores à doutrina intelectual. A força ativa e os meios são fornecidos pelas iniciações. Sem elas, o perigo seria a ligação a um encadeamento de associações indefinidas de sintemas, religadas umas a outras em uma roda girando de um movimento contínuo e perpétuo. Para os chineses esta roda cósmica submissora existe. Encontra-se com o mesmo aspecto constringente na Legenda Dourada: há a roda que gira no lugar e ao contrário, aquela do voo dos pássaros que sobem e descem, aquela do sol que gira do oriente ao ocidente, em seguida do ocidente ao oriente, e as rodas cujo ruído dá medo ao leão e a São Leonardo, pois perturba a força de contemplação; sem falar de todas as rodas de ferro forjadas ao fogo servindo aos suplícios dos mártires. Ao contrário há a roda benéfica, aquela dos fogos de São João, lembrando a frase «É preciso que ele cresça (Jesus), e que eu o diminua».