Christophe Andruzac: RENÉ GUÉNON, LA CONTEMPLATION MÉTAPHYSIQUE ET L'EXPÉRIENCE MYSTIQUE
De uma maneira geral, as doutrinas do Oriente não distinguem a ordem do ser da ordem da vida espiritual comunicada quando da contemplação do divino, e mesmo utilizam frequentemente os conceitos da Noções Filosóficas para exprimir em um olhar de Sabedoria o coroamento espiritual do homem. Um certo número de expressões tomam todo seu sentido nesta perspectiva quando seriam não receptíveis segundo seu sentido literal: « A Identidade Suprema logo é a finalidade do ser «liberado», quer dizer desprendido das condições da existência individual humana assim como de todas as outras condições particulares e limitativas, que são vistas como tantos amarras». Ou ainda: «O ser [...tendo alcançado este estado] não tem mais individualidade própria; o homem transcendente não tem mais ação própria; o Sábio não tem nem mais um nome próprio, pois é um com o Todo». Estas frases exprimem a «realização espiritual» perfeita do Sábio que desfruta da contemplação e que de fato se torna de certa maneira «um» com o Ser Primeiro; mas o Sábio não perde nem não se «libera» de seu esse próprio: estaríamos no panteísmo. A contemplação metafísica perfeita (o «tocar», o «tigein» pelo Nous do Ser Primeiro) é seguramente um conhecimento «mais que humano»; se reconhecemos que o Ser Primeiro intervém na atuação do Nous, pode-se afirmar de certa maneira que ela não mais o fruto de uma «faculdade individual» [...] pois não pode estar nos limites do indivíduo de superar seus próprios limites» (Metafísica Oriental).
O que é o «estado incondicionado» do Sábio que foi gratificado deste «algo divino» (para responder a expressão de Aristóteles) cada vez que seu Nous «toca» a luz inefável do Ser Primeiro? Para o Sábio que contempla de uma maneira habitual (mas sem dúvida não permanente), que significa rejuntar-se a seu próprio «Si»? O que é seu supremo Si ao qual segundo Guénon o Sábio busca se identificar?