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Cidades Místicas

GEOGRAFIA SAGRADACIDADES — CIDADES MÍSTICAS


VIDE: CIDADES DE ESMERALDA

Christian Jambet: Excertos de “La logique des orientaux”

Sobre as Cidades místicas, Henry Corbin, em Islam Iranien II e IV. A tradição xiita as identifica aos doze Imames. Em uma página de O HOMEM DE LUZ NO SUFISMO IRANIANO Corbin mostra como a Cidade se tornou uma realidade interior, seguindo o Relato do Exílio (Sohravardi) e o Relato de Hayy ibn Yaqzan (Avicena): a Cidade é o Si verdadeiro do gnóstico, é portanto o homólogo de seu corpo sutil, e seus órgãos são, em verdade, os órgãos do corpo sutil: ela pode então se homologar igualmente aos “profetas” interiores, a Adão, ou a Abraão da alma (do corpo sutil). Estas homologações têm lugar no «mundus imaginalis». Deveria se comparar este destino da Cidade perfeita, nos Orientais, e aquele da Cidade platônica, em sua retomada por al-Farabi, sob o chefe da Cidade virtuosa (al-madinat al-fadilat). Certamente, al-Farabi nos expõe os traços de um Cidade que não apresenta nos mundos político e sensível da história trivial. Mas, como uma das duas vias abertas pela “República”, mantém o caráter sociopolítico possível, a exterioridade, do modelo ideal. Certamente, esta política ideal é aquela que guia o Intelecto Agente. E não serviria para nada ler al-Farabi como um teórico político, muito menos Platão. Isto posto, os Orientais interiorizam radicalmente a temática da Cidade, e isto graças ao «mundus imaginalis».

Como, a partir desta interiorização radical, certas correntes do xiismo, notadamente do Ismaelismo, procederam a uma exteriorização não menos radical da Cidade mística, sob o chefe o Imamato, é o que contamos estudar em uma próxima obra. Propomos somente esta tipologia comparada:

Platão: Cidade ideal como política justa / Cidade ideal como política impossível = como destino interior da alma.

Sohravardi / Avicena: Cidade Imaginal como Si mesmo interior (batini), esotérico da Alma: seu grau de ser no Malakut.

Xiismo duodécimo espiritual: Cidade Ideal = Imam oculto = Imam interior, chave do Pleroma dos Doze.

Xiismo Ismaeliano de Alamut: Imam = Haqiqat = Batin. A Cidade é portanto abolição da Shariah, do Zahir, da Lei aparente, exotérica. Reviravolta do Esotérico em Exotérico: o Imam interior se torna por sua vez “exterior”.

Al-Farabi: A Cidade Virtuosa, guiada pelo Intelecto, equilíbrio entre a Lei exterior e a verdade interior, a meio caminho da história e da meta-história: Ideal Intelectivo do Político.