EVOLA, Julius. Lo Yoga della Potenza. Roma: Edizioni Mediterranee, 1949/1968.
Kali
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Uma interpretação adicional do papel de Kali é encontrada na iconografia popular.
- Lá, Kali aparece preta e nua, usando apenas um colar de cabeças cortadas.
- Sob este aspecto, a deusa é a shakti de Shiva, ou seja, o seu poder de transcendência ativa.
- A cor preta representa a transcendência sobre qualquer coisa manifestada e visível.
- De acordo com uma etimologia bem recebida da palavra, o seu nome é Kali, uma vez que ela devora o tempo, o "devir" e o progresso, que constituem a lei da existência samsárica.
- A sua nudez simboliza a sua liberdade de formas.
- As cinquenta cabeças que ela usa ao redor do pescoço (que na mitologia popular pertencem a demônios mortos) são feitas para corresponder às cinquenta letras do alfabeto sânscrito, que por sua vez simbolizam os vários poderes cósmicos que presidem à manifestação (matrika, que a especulação grega identificou como logoi spermatikoi).
- As cabeças aludem a esses poderes porque são removidas da sua natureza elementar, própria da fase descendente.
- Portanto, se o papel do poder de maya-shakti nos Tantras é um de negação, então o papel de Kali, no aspecto até agora considerado, pode ser dito ser "uma negação da negação".
- Aqui começamos a testemunhar a orientação autodestrutiva e autotranscendente de um poder que no Tantrismo desempenha um papel considerável, especialmente no contexto de práticas e rituais da Mão Esquerda.
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"Destruir" e "transcender" devem ser vistos principalmente em termos de (1) ir além das formas manifestadas e condicionadas, e (2) livrar-se do hábito de se identificar com formas externas, sejam humanas ou cósmicas.
- A "destruição" aqui considerada diz respeito aos elementos de "desejo" e de "fascinação escravizante com o eu".
- É considerada uma questão de importância secundária se, a nível individual ou social, esta atitude possa eventualmente exigir o corte de relações e apegos pessoais.
- Quando falamos do processo de destruição em ação no mundo multiforme da natureza, não devemos confundi-lo com os atributos de Kali, uma vez que eles servem o propósito transcendental de levar "para cima" e para além (isto, a propósito, é a etimologia latina da palavra transcendência).
- É por isso que num hino tântrico Kali é apresentada sob aquela forma Shaktica particular em que ela recolhe o que a precedeu.
- Neste contexto, o termo empregue para descrever a sua ação é vikvasamghera.
- Nele, o poder de Shiva, ou shakti, é claramente manifestado.