Frithjof Schuon: DE L'UNITÉ TRANSCENDANTE DES RELIGIONS
"Por outro lado, a nudez pode exprimir — e ela servirá, assim, de apoio à meditação — o amor para com o Criador, do qual o homem sente a Presença em sua carne consagrada, o que implica, por via de consequência, a abolição dos limites artificiais e especificamente humanos — representados pelas vestes — que separam o homem do resto da criação. O corpo nu não só tem um aspecto de 'inocência', ou de 'infância', devido ao fato de ser obra e imagem do Criador, e que, sob esse aspecto ele é 'bom' e 'puro' como a própria criação primordial, mas tem, também, um aspecto de 'nobreza' — poderíamos dizer 'de amor' — porque reflete, por sua beleza, a beleza de Deus, ou, em outros termos, porque ele manifesta a Bem-aventurança e a Bondade divinas que presidem ao Ato divino da criação. Enfim, o corpo possui, ainda, um aspecto de 'serenidade' ou de 'realidade', porque ele afirma 'o que realmente é', isto é, a Verdade nua, informal e una, e não obscurecida pelos 'véus' do arbitrário pensamento humano. Dizer que o corpo simboliza realidades espirituais e mesmo Aspectos divinos — aquelas se referindo, aliás, necessariamente, a estes — significa dizer que ele 'é' realmente essas realidades e Aspectos sobre seu plano de existência, e, por consequência, que os aspectos positivos do corpo são metafisicamente mais reais que seus aspectos de impureza e de pó; e é precisamente esse conhecimento que afirma a nudez sagrada". Enfim, numa nota de obra anteriormente citada, o hatha yoga é definido como uma "espécie de pensamento corporal-existencial que será não somente impraticável, mas mesmo inconcebível num povo que tenha o moralismo das vestes". (extrato de François Chenique, Ioga Espiritual)
Julius Evola: THEOSOPHIA PRACTICA
En la obra de "desnudamiento" lo más difícil es rescindir el vínculo, por lo cual el corazón tiene la enfermedad del Yo. Gichtel lo denomina "amor de sí", pero a nivel de ciencia iniciática se puede abstraer cualquier colorido moral y hablar simplemente del espíritu que se identifica a la calificación que el mismo recibe de la conexión con un cuerpo determinado: tanto de no tener ninguna conciencia de sí afuera de esta misma conexión. Tal es la ahamkara de la enseñanza hindú que se dice que reina justamente en el corazón, en el anahata-chakra, como un "humo de ignorancia" (equivalente a la serpiente) que "esconde la pura llama del atma", del Sí (equivalente al Sol). El autor anónimo del De Pharmaco Catholico, al hablar de "nitrógeno" con el cual se tienen que pegar y calcinar las puertas del reducto solar, quizás alude justamente a esta superación, que es efectivamente una mortificación, un partir aquello que se pensaba que estaba en el centro de la vida. Aquí los procedimientos varían según las vías.
- Podemos considerar também aqui o significado da nudez da mulher divina no seu aspecto de "Durgâ", por oposição ao significado já examinado da nudez do arquétipo demétrico-materno, princípio da fecundidade.
- É o nu abismal afrodítico.
- Uma das suas expressões simbólico-rituais mais marcadas e sugestivas relaciona-se com uma dança originalmente sagrada, a dança dos sete véus.
- O ensino dos Mistérios incluía o simbolismo do atravessar as sete esferas planetárias e o desprendimento progressivo das determinações ou condicionamentos que a cada uma se referem, concebidos como outras tantas vestiduras ou envolturas que há que rejeitar para alcançar o estado de completa "nudez" do ser absoluto e simples, que somente é ele mesmo quando passou para além "dos sete".
- Neste contexto, Plotino fala precisamente daqueles que se elevam por graus nos Mistérios sagrados deixando as suas roupas e avançando desnudos, e no sufismo fala-se do tamzig, do rasgar a roupa durante o êxtase.
- No âmbito oposto, o da "natureza", o processo correspondente é o desnudamento pelo qual a potência feminina se liberta de todas as suas formas para manifestar-se na sua elementalidade, na sua substância "virgem" anterior e superior a toda forma.
- É isso precisamente o que se simboliza na dança: a mulher tira progressivamente os sete véus que a recobrem, para mostrar-se completamente desnuda, exatamente como na invocação egípcia antes citada, que pede a Ísis que apareça desnuda, e como no mito de Ishtar, que desce aos infernos e que, cada vez que passa por uma das sete portas, deixa uma parte dos seus ornamentos e das suas roupas.
- É o contrário da nudez urânia, é a nudez feminina abismal, que pode atuar igualmente de forma mortífera: a visão da nudez de Diana provoca a morte de Acteão ("Diana invulnerável e mortal"), a de Atena, cega a Tirésias.
- A modo de rasto ritual, há a proibição, ou o tabu, da nudez, que encontramos em algumas lendas e alguns costumes, mesmo entre os primitivos.
- Nos Mistérios gregos, a visão das imagens completamente desnudas correspondia ao grau supremo da iniciação, à epopteia; e isto, no campo feminino, tem por contrapartida, por exemplo, o ritual das práticas sexuais tântricas: a mulher que vai ser empregada aparece nele como encarnação de prakriti, mulher divina e substância primigénia oculta nas infinitas formas da manifestação; a mulher, quando está desnuda, designa esta substância mesma, liberada de toda forma, isto é, a substância em estado "virgem" e abismal.
- No rito, pelo demais, a nudez é progressiva, pois a união com a mulher completamente desnuda não está permitida a todo o mundo, mas somente aos iniciados tântricos de nível superior, como se só estes últimos pudessem manter a visão do abismal, da nudez da Virgem, e unir-se a ela sem perigo mortal nem profanação.
- É possível que a paradoxal união ritual de um asceta e uma prostituta durante a festa do Mahavrata, tenha significado análogo: a ideia é que a mulher reduzida à sua matéria-prima, substrato potencial e inapreensível de toda forma (a "prostituta"), unicamente pode ter por paredro adequado o homem que, mediante a ascese, se reintegrou por sua vez ao seu próprio princípio, na matéria-prima oposta, ou seja, na virilidade transcendente.
- Pelo que se refere aos símbolos, cabe mencionar finalmente a fórmula hermética que diz que o Esposo e a Esposa devem estar desnudos de toda a sua vestimenta e estar bem lavados antes de entrar no leito conjugal no qual se leva a cabo o mysterium conjunctionis.
Karl Renz
K: O proprietário. Há uma estória em Israel que um camelo passa pelo buraco da agulha mas não seu proprietário. O proprietário não pode entrar no reino do coração porque coração não pode ser possuído. Ninguém vem a mim com algo; tens que ser a existência nua não conhecendo o que és e o que não és. Com essa nudez entras no reino do coração. Mas ele ainda quer conhecer que roupa usar na próxima vez [se dirigindo a alguém que perguntou sobre reencarnação]. A tradução não é correta quando diz que tens que estar nu diante da existência, todos pensam que têm que estar nus no paraíso. A nudez significa a ausência de qualquer ideia daquilo que és ou não és. Existência nua que nem mesmo conhece existência.
Nus, a Existência está nua, apesar das vestes! De qualquer forma, a última camisa não tem bolsos. Cada experiência é como uma camisa. Quando este disco rígido que é o corpo se desfizer, a exclusão acontece como se nada jamais tivesse acontecido. Portanto, sejamos agora o que somos. A nudez vestiu um casaco, mas debaixo do casaco estamos nus. E o primeiro casaco é a consciência. É claro que essas são apenas imagens.
Mas para este que não sabe o que está fazendo, para o “pobre de espírito” que não sabe o que é e o que não é, isso é paraíso. Novamente, é a nudez das ideias, que não pode ser feita. Não podemos nos despir para estarmos nus porque não podemos estar mais nus do que já somos. Cada ideia que nos faz acreditar que podemos fazer algo para nos tornarmos Isso é um conceito que vestimos.