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Maria


WIKIPEDIA: Português; Inglês

VIDE: Virgem; Miriam; Theotokos; Grande Mãe; Guenon Nascimento do Avatara; Chenique Metafisica; Ressurreição e Maternidade Virginal


EVANGELHO DE JESUS: Mt 1:18-21; Lc 1:26-38


Forma e substância nas religiões

  • O caráter marcante da mensagem aissaouiana como possuindo uma dimensão mariana ou maryamiana.

    • A associação indissociável entre Jesus e Maria no Alcorão, onde aparecem quase como uma manifestação única.
    • A designação de Cristo como «Jesus, Filho de Maria» (Aissa ibn Maryam).
    • A descrição corânica desta unidade como um sinal milagroso, ao qual foi dado um refúgio elevado, tranquilo e irrigado por fontes.
  • A interpretação da união «Jesus-Maria» à luz de conceitos metafísicos universais.

    • A compreensão desta associação como a do Avatar e sua Shakti, em terminologia hindu.
    • A referência corânica à trindade «Deus-Jesus-Maria» como uma indicação, por um lado, de um estado de fato psicológico reprovável e, por outro, de um mistério esotérico inerente à mensagem aissaouiana.
    • A definição da mensagem de Cristo como intrinsecamente mariana, dado que a Virgem é a «esposa do Espírito Santo» e um aspecto da Via e da Vida.
  • O processo de integração espiritual através dos princípios mariano e cristico.

    • A integração da alma (nafs) na «substância marial».
    • A aspiração do espírito (Ruh) pelo «princípio crístico».
    • A manifestação histórica desta espiritualidade em figuras como São Bernardo, Dante Alighieri e São Luís Maria Grignion de Montfort.
    • A independência desta perspectiva da distinção entre a via do amor e a via da gnose, estando presente em ambas.
  • A distinção conceptual no Islame entre as realidades crística e marial através dos termos salat e salam.

    • A correspondência do princípio crístico com a salat («bênção») e do princípio mariano com o salam («paz»).
    • A interpretação do Sheik Al-Alawi, onde o ato divino da salat é como um relâmpago que extingue o receptáculo humano, enquanto o ato do salam derrama a influência divina na substância do indivíduo, como a água.
    • A distinção entre as graças crísticas, «verticais», e as graças marianas, «horizontais».
  • A função predisponente e harmonizadora da influência feminina ou marial.

    • A preparação da alma, endurecida e dispersa, para receber o influxo viril através da bondade, beleza, pureza e humildade da Virgem.
    • A relação deste processo com o renascimento «da água e do Espírito», onde a água corresponde ao princípio virginal.
    • A analogia com as espécies eucarísticas, onde o pão representa a «homogeneidade marial».
    • A função do salam em completar e «fixar» a influência da salat.
  • A natureza dual e aparentemente oposta do princípio virginal.

    • Sua função simultaneamente receptiva, passiva ou plástica, e conservadora ou coagulante.
    • Seu aspecto superior como uma «interioridade fluida» ou «nectarínea», conforme sua realidade de Shakti suprema.
  • A analogia do Espírito divino manifestado com o reflexo do sol num lago.

    • A identificação do elemento feminino ou «horizontal» como a luminosidade potencial da água e a calma perfeita de sua superfície.
    • A compreensão destas qualidades como um pré-requisito para a reflexão perfeita do astro, sendo, portanto, algo dele mesmo.
    • A conceituação do Receptáculo primordial como uma projeção providencial ou um desdobramento do Conteúdo divino.
  • A descrição da Feminilidade primordial nos textos sagrados e sua personificação em Maria.

    • A citação dos Provérbios que descrevem a Sabedoria (ou Feminilidade primordial) presente na Criação.
    • As qualidades desta Materia Prima ou Prakriti: pureza, transparência, receptividade em relação ao Céu e união íntima com ele.
    • A descrição corânica de Maria como «eleita e purificada», «submissa» e «crente nas Palavras de seu Senhor».
    • A relação de interdependência entre Maria e a Palavra divina.
  • O significado de uma referência espiritual a figuras como Jesus e Maria por um santo muçulmano.

    • A natureza desta referência como proveniente de um tawfiq («socorro divino») ou de um maqam («estação») espiritual elevado, transcendendo um mero esquema religioso.
    • A sua fundamentação puramente corânica e muçulmaniana, pela lógica das coisas.
  • A exemplificação do caráter desta referência espiritual através do diálogo de Jesus com Nicodemos.

    • O contexto noturno do encontro, evocado como Layla ou Haqiqah pelos sufis.
    • A necessidade do renascimento «da Água e do Espírito» para entrar no Reino de Deus.
    • A interpretação da Água como a perfeição segundo Maria, e do Espírito como a perfeição segundo Jesus.
    • O protótipo cosmogônico desta dualidade no «Espírito de Deus pairando sobre as águas».
  • A alquimia espiritual resultante da combinação do «santo sono» e da «santa vigília».

    • A referência análoga no Cântico dos Cânticos: «Eu durmo, mas o meu coração vela».
    • O «santo sono» ou apatheia referindo-se ao mistério mariano (receptividade, pureza).
    • A «santa vigília» referindo-se ao mistério crístico (discernimento, atividade espiritual).
    • A aplicação desta combinação em todas as metodologias iniciáticas.
    • O estado de «sono» da mente como um desapego do mundo efêmero e dispersivo, mantendo-se calma e pura.
    • O estado de «vigília» do coração, que, superando o endurecimento, acolhe e transmite a Realidade divina, que é Verbo, Luz e Vida.