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aparência

MUNDO — APARÊNCIA


VIDE: IMAGEM; SEMELHANÇA; AISTHESIS; APARECER DO MUNDO

«Vestido» exterior ao qual não convém apegar-se; só deve ser conhecido — ou por assim dizer, assentido — o Amor que determina a «cosa» e que a vivifica.

«Não busque na aparência como o fazem os ignorantes; vede até a interioridade se és capaz disso» (Sultão Valad, A Palavra Secreta)
Segundo "Les Notions Philosophiques" (PUF,1990), designa o conjunto daquilo que aparece — quer dizer constitui um dado imediatamente perceptível, visível ou compreensível — a respeito do conhecimento. A problemática filosófica da aparência só se concebe em uma oposição entre a aparência e a realidade considerada como constituindo um substrato a partir do qual há a aparência. Por conseguinte, a aparência não é concebida como um ser verdadeiro, mas como um dado enganoso que o verdadeiro saber tem por objeto superar. A problemática da aparência é inconcebível sem o ser para quem há aparência daquilo que aparece, quer dizer o homem. Mas para o homem também pode-se conceber uma cisão em seu ser entre aquilo que ele é e aquilo que ele se dá a ver.

No campo da estética, a aparência desempenha essencialmente três papeis que se pode associar aos nomes de Platão, de Nietzsche e de Kant. Ela pode ser rebaixada ao nível de reflexo inautêntico da verdade metafísica ou do real essencial; ela pode ser a "essência" do real, na medida que se desmistifica a realidade metafísica, a declarando irreal, quimérica, apenas afirmação de forças, de estratégias e de simulacros; e ela pode ocupar um lugar aparte, não sendo nem realidade nem reflexo inautêntico, mas uma realidade fictícia tendo uma função autônoma, produtora de paradigmas semânticos.

PERENIALISTAS
Frithjof Schuon: PAPEL DAS APARÊNCIAS

... a beleza, qualquer que possa ser o uso que o homem dela faça, pertence fundamentalmente a seu Criador, que mediante ela projeta na aparência algo de seu ser. A função cósmica e mais particularmente terrestre da beleza é atualizar na criatura inteligente e sensível a lembrança das essências, e abrir assim a via até a Noite luminosa da Essência uma e infinita.

Para o exoterismo, as aparências têm pouca importância, a menos que a Revelação ou a Tradição se ocupem delas em certo grau; para o esoterismo, pelo contrário, as aparências têm toda a importância que resulta de sua natureza, por um parte, da do homem, por outra. Porque uma aparência absurda é um erro, e muitos erros se teriam evitado na história se não se houvesse criado um marco de aparências que os favorecia e que os fazia aparecer como verdades ou ao menos como pecados muito veniais. Certamente, é o espírito o que conta e não as formas, quando se coloca a alternativa; agora bem, nas condições normais, essa alternativa se coloca raramente e, de todas as maneiras, a primazia do espírito não exige a falsidade das formas para dizer o mínimo.

FILOSOFIA
Michel Henry: FILOSOFIA DA CARNEAPARECER DO MUNDO

Sérgio Fernandes: SER HUMANOApparentia Realitas