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Fim

REALIZAÇÃO — FIM — FINALIDADE


VIDE: PECADO

A questão crucial diante de qualquer pensamento, imaginação, sensação, percepção, enquanto passageiros que são, e antes de qualquer atenção ao que sugerem, é «qual seu propósito?». Esta é um questão raramente posta e, por conseguinte, respondida. É a questão vital, em seu sentido mais profundo, pois determina a estadia no sonho ou na estória que se conta como em uma tenda, no estado de sono ou no estado de vigília, pois mesmo neste último estamos submetidos ao risco de sonhar. O se pôr à escuta da resposta a esta questão já impõe por si só, um deslocamento, uma metanoia. Qualquer que seja o propósito que responda à questão, é sobre ele que dirigirão pensamentos, palavras e atos de mim mesmo. Muito mais que uma questão é, portanto, a definição do propósito é um momento de decisão, de escolha, proporcionado pela possibilidade de metanoia que é um direito de todos.


PERENIALISTAS
Christophe Andruzac: RENÉ GUÉNON, LA CONTEMPLATION MÉTAPHYSIQUE ET L'EXPÉRIENCE MYSTIQUE

Observando-se que a vista é ordenada à Visio, que a inteligência é ordenada à verdade, que a vontade é ordenada ao amor espiritual, que o ser móvel é ordenado ao movimento e que a essência é ordenada a se exercer efetivamente em um existente real (possuindo ser próprio, um esse próprio — afirma Tomás de Aquino), deve-se perguntar se todos estes dados de experiência não demandariam um princípio-de-ser não mais segundo-a-determinação (que é a ousia), mas segundo-o-fim: estudando a relação analógica que liga cada ser-em-potência ao ser-em-ato que lhe corresponde, descobre-se o ato como princípio próprio de ser segundo-o-fim.

Filosofia Antiga
António Caeiro: A ARETE COMO POSSIBILIDADE EXTREMA DO HUMANO

Tanto a perseverança corajosa (andreia) como a justiça justificadora (dikaiosyne) ou o olhar a salvo do coração (sophrosyne) são as completudes (tele) em vista das quais é possível dar o sentido e a direção que nos orientam em situações aparentemente sem sentido, bloqueadas pela crise. Elas correspondem a uma outra forma de olhar que transcende a mera patologia do instante, cuja lógica decide o para sempre da qualidade do instante vivido. A excelência (arete) corresponde ao olhar para o único objetivo que nos pode dar um projeto de vida que resolve a situação hermética de toda e qualquer afetação patológica.