VIDE: buddhi, conhecimento do coração
A intuição intelectual tem, portanto, por eixo à intuição enquanto captação direta da Luz inteligível durante sua descida ao plano supra-individual, não ao plano da faculdade reflexiva do ser. Graças à intuição, segundo Ibn Arabi, "deixa-se de fazer raciocínios e compreende-se pela luz da intuição" (Tratado da Unidade)
As verdades metafísicas não podem ser concebidas a não ser por uma faculdade que já não é da ordem individual e que o caráter imediato de sua operação permite chamar de intuitiva; mas, certamente, na condição de acrescentar que ela não tem absolutamente nada a ver com o que certos filósofos contemporâneos chamam de intuição, faculdade puramente sensitiva e vital que está propriamente debaixo a razão e não por cima dela é preciso dizer, para uma maior precisão, que a faculdade de que falamos aqui é a intuição intelectual.
Esta percepção direta da verdade, esta intuição intelectual e supra-racional da qual os modernos parecem ter perdido até a simples noção, é verdadeiramente o conhecimento do coração. Tal conhecimento é em si mesmo incomunicável, e é preciso havê-lo realizado, pelo menos em certa medida, para saber o que é verdadeiramente (...) (todo conhecimento particular) é uma participação mais ou menos distante do conhecimento por excelência, assim como a luz da lua só é um pálido reflexo da do sol (...) o conhecimento do coração é a percepção direta da luz inteligível, essa luz do Verbo de que fala São João no começo de seu Evangelho. [René Guénon: Introdução geral ao estudo das doutrinas hindus]
Sempre em conexão com a inteligência, precisamos focalizar ainda uma outra quaternidade, cujos elementos constitutivos são para as quatro qualidades descritas o que as regiões intermediárias são para os pontos cardeais. Esses elementos são, por um lado, a razão e a intuição e, por outro, a imaginação e a memória, o que corresponde aos eixos norte-sul e leste-oeste. A razão não gera a intelecção, mas a coesão, a interpretação, a ordem, a conclusão. A intuição, que é o seu oposto complementar, gera a percepção imediata, embora velada e mais frequentemente aproximativa, sempre no plano dos fenômenos externos ou internos, pois trata-se, aqui, do mental e não do puro Intelecto. Quanto à imaginação e à memória, a primeira é prospectiva e gera a invenção, a criação, a produção a um grau qualquer; a segunda, pelo contrário, é retrospectiva e gera a conservação, o enraizamento, a continuidade empírica. Poderíamos acrescentar aqui que a qualidade da razão é a justiça, que é objetiva; a da imaginação é a vigilância, que é prospectiva; e a da memória é a gratidão, que é retrospectiva. [Frithjof Schuon: O esoterismo como princípio e como via]
Vimos que o conhecimento metafísico, que consideramos com São Boaventura como sendo de ordem sobrenatural1 , se efetua por um "poder" de ordem supra-humano que é o intelecto, e isto em uma "iluminação"2 que alcança uma "intuição intelectual".
Quem diz "intuição" diz conhecimento imediato, logo sem intermediário e forçosamente infalível. Em sua ordem o conhecimento intelectual é análogo à sensação que se opera também sem intermediário. O intelecto percebe na ordem do conhecimento metafísico, e, como todos conhecimento, o conhecimento metafísico comporta a "identificação" do sujeito e do objeto. Aristóteles diz no Livro De Anima que a "alma é em certo sentido todas as coisas", pois "o ato do sensível e aquele do sentindo são um só e mesmo ato". Na sensação, "sensível" e "sentindo" têm um ato comum "subjetivado" no último; na intelecção, o intelecto e o inteligível se unem em uma identificação muito mais profunda dos dois termos. Tomas de Aquino retomou a doutrina de Aristóteles e a precisou pelos diversos "graus de identificação" que variam segundo a natureza dos seres conhecentes. A doutrina da Escola se resume no adágio célebre: "Intellectus in actu est intellectum in actu (intelecto em ato é o inteligível em ato) (I Sentenças). No conhecimento perfeito, Conhecimento, Conhecedor e Conhecido nada mais são que um só.
Falamos de "intuição intelectual". Em realidade a intuição verdadeira é sempre de ordem intelectual, mas o abuso do qual esta palavra foi objeto exige que lhe adjunte um qualificativo. [François Chenique: Sarça ardente]
NOTAS:
O primeiro passo que sobrevém como resultado desta interiorização purgativa até o conhecimento, consiste em que advenha uma insuspeita capacidade para a intuição espontânea da essência pura que habita em nós e que não é outra coisa mais que o substrato sobre o qual o entendimento ativo e transitório se levanta. Tal intuição do Ser é uma percepção sem paralelo possível na esfera intelectual e sensível de cada uma, e se mostra em seguida, em seu mesmo ato intelectivo, como "certeza" da essência própria. Esta certeza ou intuição do Ser é o que na linguagem de Jesus se indica como a fé em que o Cristo universal e Vivente, imanente e transcendente ao mesmo tempo, é a essência única que somos. A Vida eterna e a vida limitada e mortal, são os dois polos sobre os quais oscila este reconhecimento. Por isso diz Jesus: "O que crê em mim embora morra viverá" (Jo 11,25). E também diz o oposto: "Se não crês que Eu Sou, morrereis" (Jo 8,24). [Roberto Pla]
Los pasajes citados del Dao de jing se refieren al aspecto epistemológico de la Vía, a saber, a la cuestión de cómo y en qué puede un hombre «intuir» lo Absoluto. La respuesta de Laozi, como ya hemos visto, es que el único medio posible de conseguirlo consiste en obstruir totalmente la tendencia centrífuga de su propia mente y reemplazarla por una actividad centrípeta que a la larga conduzca a la «iluminación».
Sin embargo, Laozi no se interesa tanto por el proceso epistemológico mediante el cual un hombre cultiva ese «ojo interno» como por el resultado y el efecto de este tipo de intuición. De hecho, suele iniciar su razonamiento precisamente en el punto en que dicho proceso ha alcanzado su fin. Su interés se centra principalmente en dos cosas. Una es el efecto práctico y visible producido por la intuición iluminativa en la actitud y la conducta básicas del hombre. ¿Cómo actúa el «hombre sagrado» en las situaciones corrientes de la vida social? Esta es una de sus cuestiones fundamentales, y la trataremos en un capítulo dedicado al análisis del concepto de Hombre Perfecto. Toshihiko Izutsu – Sufismo e Taoismo