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Fonte

CENTROELIXIR DA VIDA — FONTE


VIDE: EIXO DO MUNDO, IMORTALIDADE, CENTRO DO ESTADO HUMANO

O que vem da fonte não deixa a fonte; não há separação. A água de uma fonte continua sendo água desta mesma fonte, por mais tortuosos caminhos que percorra e por mais impurezas que adquira. Nada afeta sua natureza enquanto proveniente de uma fonte e, por conseguinte, sua identidade na mesmidade da fonte.
A sacralização das fontes é universal, do fato que elas constituem a boca da "água viva" ou da "água virgem". Por elas se faz a primeira manifestação, sobre o plano das realidade humanas, da matéria cósmica fundamental, sem a qual não poderia ser asseguradas a fecundação e o crescimento das espécies. A água viva que elas dispensam é, como a chuva, o "sangue divino", a "semente do céu". Ela é um símbolo da maternidade. (Dicionário dos Símbolos de Chevalier e Gheerbrant)

CRISTOLOGIA
Evangelho de Jesus: Diálogo com a Samaritana

Bernardo de Clairvaux: OBRAS COMPLETAS DE SAN BERNARDO — Tomo III (contribuição e tradução de Antonio Carneiro)
As cinco fontes

Em Cristo encontramos já três fontes. Busquemos a quarta. Temos a fonte da Misericórdia com as águas do perdão, que lavam nossas culpas. Temos a fonte da Sabedoria com as águas do discernimento, que apaziguam nossa sede. Temos a fonte da Gratia com as águas da devoção para regar as plantas das boas ações. Busquemos as águas do estímulo, águas termais para cozinhar os alimentos. Elas condimentam e cozinham nossos sentimentos e os cozinham na fonte do Amor. Disse o profeta: “Ardia meu coração por dentro, e pensando nele me incendeia mais.” (Sl 38,4). E em outra parte: “o zelo de tua casa devorou-me” (Sl 68,10). Pela dulçura da devoção ama a justiça e pelo fervor do estímulo odeia a maldade. Repara, talvez, que o próprio Isaías já aludia à estas fontes: “Tirareis águas com regozijo das fontes da Salvação” (Is 12,3). E para que leves em conta que esta promessa aponta para a vida presente e não para a futura, preste atenção para o que segue: “Aquele dia direis : Dai graças ao Senhor e invocai seu Nome.” (Is 12,4). A invocação diz respeito ao tempo presente, como está escrito: “Invoca-me no dia dos tormentos.” (Sl 49,15)

7. Três destas quatro fontes parece que se aplicam às três ordens da Igreja respectivamente. A primeira fonte não é comum a todos, pois todos ofendemos muitas vezes. Necessitamos da fonte da Misericórdia, onde possamos lavar-nos da imundície de nossos males. Todos, digo, pecamos, e nos privamos da Glória de Deus. E os eleitos, e os vizinhos, e os da mesma família, se afirmamos não ter pecados enganamos à nós mesmos. Porque, como dizia, ninguém no mundo está sem mancha (Jó 14,4 sec.ant.vers), é necessário para todos a fonte da Misericórdia, e com semelhante desejo assim se precipitaram para a fonte Noé, Daniel e (Ez 14,14). Além desta fonte Jó buscou de maneira especial a fonte da Sabedoria, porque sempre andava mais por entre armadilhas dos caminhos, desta maneira longa, pelo que parece, oxalá que se desvie do mal. Daniel tem que correr rumo a fonte da Gratia; necessita fortalecer-se com atos de penitência e trabalhos de abstinência pela graça da devoção. Convém atuar sempre com ânimo descontraído, porque quem dispõe alegremente honra a Deus. Nossa terra não se apresenta fértil para esta semente, me refiro a uma vida sã. E muito facilmente se extinguirá e secará se não lhe fizerem regas frequentes. Por isso fazemos bem suplicando na oração do Pai Nosso, desta forma, a graça sob o pão nosso de cada dia. Tanto quanto possível temamos, não cair fortemente sobre nós, as terríveis imprecações das maldições do profeta: “Façam como o feno dos telhados, arrancado antes de secar-se completamente”.1 A fonte do Estímulo convém de modo especial a Noé, porque principalmente aos eleitos convém este zelo.

8. Estas são as quatro fontes que Cristo nos mostrou em si próprio enquanto vivemos na carne; a quinta, que é a fonte da Vida, nos é garantida para depois, da qual andava sedento o Profeta quando disse: “Minh’alma tem sede de Deus, fonte viva.” (Sl 41,3). Talvez até por causa das quatro fontes, sejam ainda os quatro lugares feridos vividos na cruz, por causa do quinto, quando no mesmo instante entregou o espírito, traspassaram seu costado. Vivia ainda, quando perfuraram suas mãos e pés (Sl 21,17), de maneira que ainda vivendo melhor exibisse exteriormente para nós; sofreu a quinta ferida no mesmo instante quando inspirou, para abrir-se contudo a quinta fonte para nós depois da morte. Sem dar-nos conta dos mistérios da Natividade, para subitamente perscrutando chegarmos ao sacramento da Paixão do Senhor. Nada estranho que busquemos na Paixão, o que Cristo ofereceu no seu Nascimento: então abriu o saco e derramou o dinheiro que guardava como preço da nossa redenção.


FILOSOFIA
Orfeu:

Encontrarás na morada de Hades, à esquerda, uma fonte; junto dela se ergue um cipreste branco; desta fonte, guarda-te até de te aproximar. Encontrarás uma outra, uma água fresca que corre do pântano da Memória: guardiões se encontram a sua frente. Diga-lhes: Sou um filho da Terra e do Céu estrelado; sabeis bem vós mesmos. Estou seco pela sede e morrendo: dai-me logo imediatamente da água fresca que corre do pântano da Memória. E então eles te darão a beber da fonte divina e irás reinar em seguida entre os heróis. (Tabletes órficos, Grag. 32a, versão francesa de J. Defradas)

NOTAS:
1 Salmo 128, 6 citado em latim tal qual na vulgata: “fiant sicut fænum tectorum quod priusquam evellatur exaruit”