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id da página: 831 Escola de Kyoto – Nishida – Gênese do Eu e do Mundo

Kyoto Nishida Eu Mundo

Escola de KyotoNishida – Gênese do Eu e do Mundo


CARTER, Robert Edgar. The Kyoto school: an introduction. Albany (N.Y.): State university of New York press, 2013

A Gênese do Eu e do Mundo: A Interpretação de Nishida para o Contraditório "Paraíso"

  • A perspectiva de Nishida sobre o Gênesis bíblico e a atuação do nada absoluto
    • A rejeição da interpretação religiosa ocidental da história do Jardim do Éden baseada na desobediência e no "pecado original"
    • A visão de Nishida de que os seres humanos, representados por Adão e Eva, de fato seguiram a vontade de Deus com precisão
    • O fundo da história sendo o nada absoluto, uma Unidade sem um segundo de qualquer espécie, que se tornou muitos enquanto permanecia Unidade, para se refletir a si mesma
    • O nada absoluto agindo por um impulso de criar e um impulso de conhecer, o que requer um conhecedor e um conhecido
    • A separação dos muitos da Unidade não sendo uma expulsão, mas uma individuação da Unidade, uma expressão da natureza da Unidade como criador e buscador da verdade
    • Adão e Eva se tornando indivíduos separados como um ato da Unidade, e não em oposição à Unidade
  • A auto-contradição da Unidade na Criação e a lógica do soku hi
    • A Unidade original das coisas, a verdadeira referência de "paraíso" (ser uno com Deus), sendo entregue para que Deus pudesse criar
    • A criatividade sendo a essência da Unidade original, do nada ou de Deus, que se expressa como uma energia singular, pulsante, que precisava se expressar, evoluir, dar à luz
    • O contraditório de a Unidade ter que se tornar muitos para criar, deixando de ser Unidade, e no entanto, permanecendo Unidade ao mesmo tempo que os muitos foram criados
    • A Unidade tendo que ser "esvaziada" (ou partida) para que os muitos surgissem, e no entanto, permanecendo Unidade, mas agora abrangendo os muitos
    • O "e no entanto" sendo uma tradução aproximada de soku hi, frequentemente usado por Nishida para apontar que algo é outro que si mesmo e no entanto permanece si mesmo
    • A diferenciação em muitos fazendo com que a Unidade permaneça una, uma unidade que agora inclui e abraça os muitos como si mesma
    • Os muitos, embora "outros" que a Unidade, sendo ao mesmo tempo parte da Unidade
    • A Unidade sendo muitos e os muitos sendo uno, traduzido no mantra budista: nirvana é samsara; samsara é nirvana
  • A dupla perspectiva da realidade e a auto-identidade da contradição
    • A capacidade de ver o eu e o mundo em duas direções: como uno com a Unidade, ou como um dos muitos
    • Esta "dupla abertura" sendo uma unidade, mas também uma auto-contradição, onde as contradições são preservadas em sua diferenciação, e no entanto, permanece uma unidade subjacente
    • A dialética soku hi de Nishida sendo a aceitação simultânea de ambos o "é" e o "não é" pertencentes à mesma coisa
    • O real (nirvana) sendo encontrado na criação dos muitos neste mundo (samsara), e a capacidade de discernir naqueles muitos a Unidade
    • A possibilidade de olhar através da forma empírica de uma coisa e "ver," ou "intuir," ou "sentir" sua herança informe
    • O paradoxo existencial: "vivemos morrendo, escreve Nishida, e morremos vivendo," sendo esta a descrição da vida humana real
    • A auto-contradição expressando a identidade ou natureza das coisas como realmente experienciadas
  • A lógica do basho e a visão estereoscópica do observador desperto
    • O fundo da lógica do basho (lugar/campo) como o nada, ou a ausência de forma da qual surgem todas as coisas formadas
    • O observador desperto vendo ambos os aspectos de uma vez, uma espécie de visão estereoscópica
    • O todo informe sendo o lugar de repouso dos particulares formados
    • A formulação de Nishida de que "a correspondência do mundo e do eu, a saber, do todo e do uno na lógica do basho, está ligada à auto-identidade da contradição, porque se continuarmos a dizer 'Uno se torna os muitos, e os muitos se tornam Uno', eles estarão para sempre opostos um ao outro... O Absoluto é o que abarca ambas estas direções opostas como a Auto-identidade da contradição"
    • A oposição permanecendo, mas a Unidade abraçando os muitos ao mesmo tempo como o lugar informe (basho) do qual eles surgem
    • As formas sendo auto-expressões do informe, e os muitos sendo contidos na ausência de forma do nada (a Unidade), enquanto ainda mantêm seu estatuto e natureza como distintamente o que são
  • A lógica do "ambos/e" e a riqueza infinita da abstração
    • A rejeição de Nishida da supremacia de uma lógica do "ou/ou," propondo uma lógica do "ambos/e" para capturar mais plenamente o que experienciamos
    • A necessidade de falar a linguagem dos opostos para descrever a experiência: vivemos, e ao mesmo tempo estamos a morrer; tudo é o que é, e no entanto está forrado de nada
    • A ausência de forma de qualquer coisa sendo infinitamente rica em propriedades, pois é a imensidade experiencial pura da qual coisas particulares são abstraídas
    • As abstrações sendo recortes despidos da riqueza original, e qualquer afirmação capturando apenas um, ou alguns, do todo infinitamente rico do qual é abstraída
    • A necessidade de ser um observador flexível que realiza que todas as visões são visões parciais
    • A comparação do observador a um artista que vê a mesma vista de novo a cada vez, enfatizando qualidades diferentes, como Cézanne pintando mais de sessenta versões do Monte St. Victoire
    • A força de Nishida residindo em não tentar resolver as contradições da experiência, mas vê-las como descrições inelutáveis de como o mundo é, como é conhecido por nós
    • O resultado não sendo uma síntese, mas uma unidade-em-contradição, uma identidade de opostos
  • A perspectiva única do indivíduo na unidade do todo
    • O eu e o mundo sendo previsivelmente auto-contraditórios
    • A separação do "Paraíso" (a Unidade original) resultando em indivíduos diferenciados que veem as várias partes, mas não necessariamente o todo
    • A contribuição de cada indivíduo para o todo sendo uma perspectiva inteiramente única
    • A mudança das perspectivas dia a dia, em conformidade com o ensinamento pré-socrático de Heráclito de que não se pode entrar duas vezes no mesmo rio
    • A contribuição de cada uma destas perspectivas de diferença para o todo ele mesmo, ou seja, para o nada (para Deus)
    • A reivindicação de que os seres humanos são os olhos do nada (de Deus) nesta terra.