VIDE: sacerdócio no Tibete; poder sacerdotal
René Guénon: Iniciação sacerdotal e iniciação real
Numerosas son las tradiciones que se refieren a este pueblo de «iniciados», desconocidos de los hombres, de los que son sin embargo la salvaguardia. Rûzbehân las ha desarrollado en el prólogo de su gran obra sobre «Las paradojas de los místicos». Lo más frecuente es que su número se haya fijado en 360, en correspondencia con los 360 nombres divinos, los 360 días y noches del año, o los 360 grados de la esfera que miden la duración del nictómero. Todas las variantes de este número tienen significados simbólicos. Para elegir una de las formas más simples, citaremos ésta: «Dios — escribe Rûzbehân — posee sobre la tierra trescientos ojos o personas cuyo corazón es conforme al corazón de Adán; cuarenta cuyo corazón es conforme al corazón de Moisés; siete cuyo corazón es conforme al corazón de Abraham; cinco cuyo corazón es conforme al corazón de Gabriel; tres cuyo corazón es conforme al corazón de Miguel; uno (el polo) cuyo corazón es conforme al corazón de Serafiel». Este conjunto de 356 personas es completado, hasta alcanzar el total de 360, por las figuras de cuatro profetas que, para el esoterismo islámico que medita la revelación coránica, tienen en común haber sido arrebatados vivos a la muerte: Enoch (es decir, Idris, identificado con Hermes), Khezr, Elías y Cristo.
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Pierre Gordon: A imagem do mundo na antiguidade
A extensão e a profundidade do domínio do sacerdócio na Alta Antiguidade são atestadas pelo fato que a criação do homem a partir da argila (ou a partir de um pedaço de madeira, de uma pedra, etc.), rito incorporado na liturgia edênica, e por outro lado a crença em uma submersão universal pela água, crença proveniente da liturgia diluviana, se encontram sobre todos os continentes. Como não são certamente relatos que propagaram estas concepções, com o caráter de precisão rigorosa que comportam (por exemplo designa-se na Austrália, na Melanésia, na América, na Ásia, em virtude de tradições muito firmes, o lugar que respeitaram as águas diluviais), se forçada a admitir que a difusão se operou por meio de cerimônias religiosas, estabelecidas nos lugares sagrados, apresentados como locais da salvação. Estas cerimônias nada nos oferecem de misterioso, posto que a descobrimos, em nossos dias ainda, em todos os povos da etnografia, onde elas constituem o centro da vida social: são cerimônias de iniciação. Se espalharam pouco a pouco, a partir do grande átrio teocrático da Idade de Prata, e são elas que explicam ao mesmo tempo a universalidade de certas tradições e a existência de variantes (estas últimas correspondendo à modificações locais ou a uma deformação dos ritos).
O que caracteriza a segunda organização sacerdotal, a teocracia neolítica da Idade de Prata, é que ela não teve, como a anterior, liberdade de agir. Ela se bateu por toda parte com a civilização feminina e teve que se curvar em seu apostolado a graves compromissos. Para ela foi preciso, por exemplo, elevar ao pináculo, nos grupos matriarcais, a Mãe Divina, ao mesmo tempo Mãe Lua e Terra Mãe: esta mulher superior é o Ser Supremo, e introduz pouco a pouco no seio do sagrado uma dualidade sexual, que demonstrou ser mais tarde o fator mais perigoso do politeísmo. — Se é forçado também a admitir os ritos fálicos, que possuíam, é verdade, no início, uma grandeza incomparável, mas que não podiam falhar em degenerar quando se enfraqueceria o ambiente ascético. — Foi preciso, por outro lado, autorizar os ritos sangrentos, na crença que o sangue detinha para a mulher iniciada uma significação sobrenatural eminente; a carnificina sacrificial ocupou desde então uma lugar de escolha, e as imolações humanas, — que foram muito provavelmente, no início, voluntárias e ligadas ao desprezo ascético da morte corporal, — engendraram insensivelmente a pior das barbáries. — O animismo se desenvolveu com exuberância, sem que a Mãe Divina tivesse o poder de ter em respeito a multidão inumerável de Espíritos ou de Manes que evoluíam em sua esteira. Durante um certo número de séculos, os deuses da Grande Montanha puderam, é verdade, se manter apesar de toda a coesão e harmonia. Mas quando foi quebrada a unidade da língua sagrada — ou seja, do idioma litúrgico que se difundiu, na Idade de Prata, ao mesmo tempo que os ritos iniciáticos, e que serviam para nomear os objetos santos, providos de energia transcendente — não houve mais contrapeso suficiente; e a anarquia, ao mesmo tempo que a esclerose, campeou.
Por outro lado a civilização feminina tinha imposto uma extensão do sagrado, permitindo à cultivadoras de se santificar in loco , sem intermináveis estadias nas cavernas. Chegou-se assim a uma sacralização do solo e à multiplicação dos circundados divinos (ou espaços divinos cercados). O tipo dos lugares iniciáticos foi então o seguinte: nos rochedos e na grutas de elevações santas locais se efetuava a reclusão ascética. Era aí o mundo subterrâneo ou os «infernos» (inferi = o mundo situado abaixo); no pico; se encontrava o céu, quer dizer um conjunto ritual, composto de pedras santas, de vegetais sagrados, de água transcendente, com, no meio, o fogo sacrossanto, aceso por procedimentos sobrenaturais. Os neófitos, uma vez transformados em iniciados por seu retiro na caverna, ganhavam o espaço da colina, onde eram acolhidos pelos personagens sagrados, representando os deuses da Grande Montanha. Esta sacralização do mundo mineral e do mundo vegetal foi a grande novidade da Idade de Prata. Ela alcançou, por degradação progressiva, às latrias naturistas (litolatria, dendrolatria, hidrolatria, astrolatria, etc.), que muitos etnólogos erraram em considerar como o ponto de partida da religião, quando elas marcavam a degenerescência.
Não se poderia exagerar a importância que tiveram, para a imagem do Mundo, estes diversos elementos. A Montanha, com os infernos contidos em suas entranhas, com a radiância ou fogo-luz brilhando ao «céu» de seu ápice, com a água da vida descendo do pé de uma pedra ou de uma árvore divina, e correndo sobre seus flancos para as quatro regiões do espaço, foi verdadeiramente o núcleo das cosmogonias antigas. Tornou-se o polo fixo ao redor do qual gravitaram as flutuações fenomenais.
O circundado divino da elevação ou da gruta, organizado ao redor de um objeto tido como o onfalos do cosmos, tendeu naturalmente para a forma circular; e a consideração dos astros reforçou em seguida esta noção de circularidade, que desempenhou um grande papel tanto na representação das coisas quanto nos ritos.
Em oposição ao céu, quer dizer ao domínio do fogo transcendente e da matéria pura, onde a forma redonda prevaleceu frequentemente, a terra foi por vezes imaginada como quadrada. Estas concepções, todavia, nada tiveram de geral; frequentemente, as ilhas continentes terrestres foram representadas como anulares, desde o momento que se faziam assimilar a lugares sagrados.
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