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id da página: 1477 René Guénon – Matgioi Matgioi

Guenon Matgioi

  • Matgioi e a concepção metafísica da forma

    • Matgioi define a forma como o contorno geométrico, a aparência do limite, afirmando que “a forma, geometricamente falando, é o contorno: é a aparência do limite”.
    • Essa concepção geométrica é transponível ao plano qualitativo, permitindo compreender a forma como um conjunto de tendências em direção.
    • No contexto da tradição extremo-oriental, a forma está relacionada às influências errantes do “mundo intermediário” e sua possibilidade de individualização efêmera por meio da consciência humana.
  • Matgioi e o princípio da inteligibilidade universal

    • Matgioi sustenta que “não há coisas ininteligíveis, há apenas coisas atualmente incompreensíveis”, isto é, inconcebíveis apenas para os seres condicionados, mas não em si mesmas.
    • A afirmação rejeita qualquer agnosticismo e reforça a inteligibilidade universal em sentido metafísico, distinta de sua aplicação lógica.
    • Esta perspectiva destaca a diferença entre intelecto e razão, distinguindo o domínio do suprarracional, que permanece inteligível mesmo quando não é compreensível às faculdades humanas.
  • Matgioi e a noção metafísica da liberdade

    • Para Matgioi, a liberdade deve ser entendida em sentido universal, vinculada ao instante metafísico da passagem da causa ao efeito, extratemporal e coextensivo à Possibilidade total.
    • Ele afirma que esse instante constitui um “estado de consciência universal”, em relação com a “permanente atualidade” da causa inicial.
    • Conforme registra: “participa da ‘permanente atualidade’ inerente à ‘causa inicial’ mesma”.
  • Matgioi e a orientação simbólica no extremo oriente

    • Em sua obra, Matgioi comenta o simbolismo das orientações direita e esquerda, citando que “adorarás tua direita, onde está a esquerda de teu irmão (o lado de seu coração)”.
    • Essa análise ressalta a correspondência inversa entre Céu e Terra, associando a direita à Via do Céu e a esquerda à Via da Terra.
  • Matgioi e a importância do número 11

    • Matgioi refere-se ao número 11 como símbolo da união central entre Céu e Terra, afirmando que “pelo número 11 constitui-se em sua perfeição a Via do Céu e da Terra”.
    • Esse simbolismo relaciona-se à tradição extremo-oriental e encontra paralelos em tradições hermética e cabalística, onde 11 sintetiza microcosmo e macrocosmo.
  • Matgioi e a tradução do Tao e do Te

    • Antes dos trabalhos de Matgioi, a metafísica chinesa era praticamente desconhecida na Europa.
    • Sua tradução do Tao e do Te foi revisada e aprovada por sábios do Extremo Oriente, o que garante sua exatidão e autenticidade.
    • Em contraposição, Matgioi critica severamente os erros de Stanislas Julien, citando a reação indignada de um doutor chinês: “Era preciso que os franceses fossem muito inimigos dos asiáticos para que seus sábios se divertissem em desnaturalizar conscientemente as obras dos filósofos chineses”.
  • Matgioi e a missão de restauração da metafísica chinesa

    • O autor denuncia a ignorância dos sinólogos europeus e valoriza suas próprias obras, “La Voie Métaphysique” e “La Voie Rationnelle”, como fundamentais para o entendimento autêntico da metafísica oriental.
    • Critica a incapacidade dos sábios oficiais de reconhecerem o valor de seus trabalhos devido a preconceitos acadêmicos.
  • Matgioi e a representação geométrica do ciclo vital

    • Matgioi explica o “círculus vital” humano como uma espira helicoidal infinitesimal, afirmando que “o círculo é em efeito a representação do ciclo individual humano”.
    • No simbolismo yin-yang, descreve o círculo como transparente e dividido em claro e escuro, representando respectivamente evoluções anteriores e posteriores do ser humano.
    • Ressalta que não há retorno no ciclo humano e, portanto, “isso exclui também formalmente a possibilidade da reencarnação”.
  • Matgioi sobre nascimento e morte

    • Afirma que “os fenômenos morte e nascimento, considerados em si mesmos e fora dos ciclos, são perfeitamente iguais”.
    • Esses fenômenos são complementares e formam uma identidade metafísica, de modo que a morte é imediatamente causa de um nascimento em outro estado.
    • Ressalta ainda que, em valor relativo, a morte é superior ao nascimento em virtude da atração da “Vontade do Céu”.
  • Matgioi e a força atrativa da Divindade

    • Define o passo da hélice como medida da força divina, afirmando que “o passo da hélice é a medida da força atrativa da Divindade”.
    • Essa força atua verticalmente, conectando os ciclos da existência e conduzindo-os à unidade metafísica.
  • Matgioi e a inconmensurabilidade do ser

    • Sustenta que não pode haver medida comum entre o ser total e as modificações individuais, pois há inconmensurabilidade absoluta entre ambos.
    • Afirma: “Se podemos tomar o indefinido como imagem do Infinito, não podemos aplicar ao Infinito os raciocínios do indefinido; o simbolismo desce e não remonta”.
  • Matgioi e a transformação dos seres

    • Explica a transformação como retorno dos seres modificados ao Ser inmodificado, além de todas as condições particulares da manifestação.
    • Cita Shi-ping-wen, através de sua tradução: “A modificação é o processo que produz todos os seres; a transformação é o processo no qual todos os seres são absorvidos”.
  • Matgioi e o simbolismo de Jano

    • Adverte contra os erros na interpretação dos símbolos, destacando que “recordemos sempre o deus Jano, representado com duas faces, mas que não tem senão uma, que não é nem uma nem outra das que podemos ver”.
    • Essa imagem é aplicada à distinção entre interior e exterior, bem como entre passado e futuro.
    • Associa a visão da face única ao “terceiro olho de Shiva”, que contempla o eterno presente.
  • Matgioi e a linguagem metafísica

    • O autor critica o excesso de terminologias inúteis, afirmando que “nos repugna sobrecarregar a metafísica com nova terminologia, pois recordamos que as terminologias são temas de discussões, de erros e de descrédito”.


Páginas de René Guénon e outras em que Matgioi é citado: